Thursday, March 15, 2007

Index Quinzena 13 - da SORTE - 15 - 30 de Março

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“Reação Cultural: a eficiência alemâ ao lado do carisma brasileiro!”

1 – Editorial da SORTE, quinzena 13, maior do que nunca, mais diversificada, esperta e divertida. Veja o editor e seu caretão, aqui no editorial do Reação!

2 – Os Comentários da Quinzena parecem mais um túnel do amor. Jiló, seu cupido. Cliquem aqui, e confiram o que vocês dizem, e ele responde, sobre o Reação!

3 – Mais Estatísticas Reativas pra vocês! Clicando aqui, você entende, numerologicamente, o que ninguém consegue explicar de outro jeito

4 – Precisamos dar folga às mulheres, mas a guerreira Camila participa, sob pressão, de mais uma Vênus Contra Ataca. Defenda-se, clicando aqui

5 – Se você bobear, nóis retalha nos Retalhos! Clique aqui, e confira a bagunça que aprontamos dessa vez, com uma mãozinha de Venâncio

6 – O Menino anda fazendo uns desenhos… Inspirado no texto de Pirata, Yaniv Frenkiel estréia sua coluna. Clique aqui, e veja seu simplório quadrinho complicado

7 – Pirata também reage, diretamente de sua Zine. Você não deve mesmo perder essa, que está de Pirar o Cabeção. Clique aqui e leia o Pirata a falar sobre a Maconha

8 – EXCLUSIVO! Entrevista com a “metralhadora humana” Son Salvador, ex-participante de vários pasquins, e dos originais. O Reação existe para artigos como este, e se você gosta de nós, gosta mais clicando aqui

9 – Son Salvador não manda ver só nas respostas à Liliane. Também nos enviou uma charge, dos acúmulos de sua gaveta. Veja sua charge especial para o Reação, clicando aqui

10 – Vinícius Magalhães, em sua coluna Filosofia do Direito, fala sobre o fatal encontro de Lula, Bush, e o Mé. Clique aqui, e se esbalde da sabedoria do filósofo

11 – Bruno Venâncio e sua charge estão impecáveis. Bush ensinando o Lula a ser amado pelo povo? Só mesmo movido a álcool! Clique aqui, e confira a palhaçada

12 – Todos querem algo impossível, e Jens quer ser Marconi Leal. Clique aqui para acompanhar a Coluna de Jens, e seus sonhos mirabolantes

13 – Jean Scharlau e o Planeta Roxo, na primeira parte de uma chocante crônica futurista. Clique aqui, e viaje no tempo, pra frente, que atrás vem gente

14 – Na nova coluna Eles Dizem, Nós Dizemos, violentamos as palavras de Renan Calheiros, e nos desculpamos desde já. Você, que não precisa de desculpas, clique aqui e confira!

15 – Mais uma fantástica Poesia di Bernardi. Todos o amam, e você, clicando aqui, amará também

16 – A Sacerdotisa continua sua linha sensual e trata do Sexo Delicado, entre o Amor e o Desejo. Descubra o que sente, clicando aqui

17 – Roberto de Queiróz nos honra com mais uma coluna CLAQUE-TE, aqui no Reação. Leia sobre atores e atrizes que dirigem seus filmes, clicando aqui

18 – E por fim, o Segundo e último capítulo do texto de Edson Amaro, Memórias. Lembre-se e re-lembre-se, enfim, clicando aqui

Editorial Quinzena 13 - da SORTE - 15 - 30 de Março

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Não há suficientes palavras para expressar como me sinto contente com esta nova edição do Reação Cultural. Começamos com uma idéia mirabolante, mas ousada demais para nosso cacife: imitar, na cara dura, a sensação pasquiniana do “que se dane” e “estamos aqui pra fazer bagunça.” Com o tempo e muitas e severas crises de identidade, o editor dessa jangada pensou com seus botões e percebeu que, de delírios em delírios, levava-se muito a sério. Percebeu que outros veículos de comunicação, modernos e mais visitados, imitam muito melhor o que os pasquins significam e significavam, porque o mais importante fator de sucesso, ou melhor, do sucesso que seus leitores atribuíam ao Pasquim clássico e ao 21, era a sagacidade de seus colaboradores, e esta é inimitável, impossível de se reproduzir se o intuito é proposital. Tamanha capacidade de análise política e social, eu mesmo não possúo. O máximo que posso fazer, para montar um periódico que atinja as massas e se torne uma superpotência atômica, é juntar pessoas que eu saiba que sabem mais. Por isso, meus convites são muitos, e meus colaboradores e colaboradoras especiais vêm crescendo tanto em nível quanto em quantidade. Assim também crescem nossos contatos, nossa mala direta, nosso grupo de discussões, e com o tempo, paciência e inércia, montaremos um grupo ainda mais diverso, esperto e divertido. Aliás, temos de aplaudir os que já participam, especialmente os que o fazem consistentemente, porque sem eles e elas, nada seríamos.

Agora, Liliane Corrêa nos traz uma entrevista exclusiva para o Reação com o chargista, cartunista, ilustrador, quase “dono de padaria,” uma verdadeira metralhadora, Son Salvador, que algum dia colaborou com o Pasquim, principalmente com o 21, a segunda fase da iniciativa de Ziraldo. Quinho e Melado, seus amigos e colegas de redação, enviaram suas caricaturas de Son em um gesto fraterno de carinho profissional. O próprio, nos enviou uma das charges que respingavam de suas gavetas cheias, como descreve Liliane. O orgulho que sinto da iniciativa e da concretização da entrevista não está no gibi, mas no Reação vocês certamente encontram.

O Reação também conta com Ana Schifflers, como fotógrafa esporadica, Yaniv Frenkiel, mano meu, mandando ver com a coluna Desenhos de Menino. Bruno Venâncio com sua charge e, de bônus, ainda um quadrinho bacana. Jens volta à ativa e quer ser Marconi Leal. Jean Scharlau nos manda uma palhinha, e Edson Amaro tem a segunda e final parte de seu texto “Memória” aqui postado. A Sacerdotisa cismou que da última coluna pra frente, só fala sobre sexo. Vinícius Magalhães fala sobre a visita do presidente estadunidense ao Brasil. Camila Canali Doval comenta a mulher no Canto de Vênus, e André di Bernardi nos envia mais poesia. Os Retalhos, Estatísticas Reativas, e respostas de Jiló aos comentários da quinzena também prevalecem, ao lado da estréia da coluna Eles Dizem, Nós Dizemos, com um texto explorado de Renan Calheiros ao Blog dos Blogs. (* Quem puder escrever nesta linha, por favor, envie seus textos. Aceitamos analogias de quaisquer personagens públicos!) Roberto de Queiróz também nos dá ares de graça em novo texto na coluna CLAQUE-TE. Pirata, da Zine permitiu a publicação de um artigo viajante, pra lá de interessante, que mal-informados gostam de chamar de entorpecente.

Enfim, estamos crescendo. Hoje deixo que os colunistas e desenhistas que colaboram com nossa revista eletrônica comentem os assuntos mais sérios. Espero que outras mudanças ocorram em breve, como a mudança ao sítio fixo, mais arrojado e modernamente projetado, mas do mesmo modo que avançamos até aqui, seguiremos avançando até que alguém peça que paremos, e aí sim é que valerá a pena continuar.

Abraxão a todos e todas,

Roy Frenkiel
O editor que nada edita.

admin@reacaocultural.com

Comentários da Quinzena

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No Editorial

De Fábio Heinen

Adorei o editorial, mas principalmente esta frase: "Nossa tendência, em um mundo de absurdos comuns, e uma maioria imbecíl, é complicar o que há de mais simples, e simplificar o que é complicado"
Parabéns pelo texto!
Abraço

De Jens

O mais triste e doloroso é ver uma juventude que não cultiva a utopia, que não tem sonhos de justiça social, que não luta para mudar o mundo. O que aconteceu? O que é que fez a minha geração (Eu fora. Minha Mari Timm conseguiu o impossível: aliar a futilidade das patricinhas baladeiras com a combatividade das militantes engajadas na boa luta).

Resposta do C.O.R: Caro Heinen, Royzito, o chefito, agradece. Só não curti essa sua idéia idiota de pegar o meu emprego. Quem é que vai bancar o leite dos meus filhinhos? Ah, vá fazer concurso público!

Caro Jens, amigo do peito, você já oficializou meu nome, e por causa tua agora o Roy me chama de Cor. O de Cor, cadê as respostas! O de Cor, por tua causa a edição vai atrasar! Se liga aê, de Cor! Obrigado por essa. Quanto aos jovens, só posso dizer o que disse certa vez a filhota do Freud: Todo adolescente normal é patológico. Todo jovem é, um pouco mais, um pouco menos, adolescente.

Patologicamente, do Jiló

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Na coluna de Silvio Vasconcelos

De Halem Souza (Quelemém)

Devo dizer que essa tem sido a seção que mais tenho apreciado por aqui. Parabéns.

Resposta do C.O.R: Tô falando pra vocês que nesse Reação nasceram uns casais, olhem só essa declaração explícita de amor, hem Halem? Opa, rimou. Se rimou é porque é verdade.

Fazendo as rimas, do Jiló
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Na coluna d'A Sacerdotisa

De Jens

Minha cara Sacerdotisa: o mundo proíbe os anacoretas.
(Mas cá entre nós, tem momentos em que o açúcar e o afeto se fazem necessários). Um abraço.


Da Sacerdotisa

Meu caro!

Perdoe-me a minha ignorância, mas, e que sentido se aplica o "anacoreta".?
beijocas


De Jen

Cara Priscila:
usei a palavra, um tanto fora de moda, reconheço (eu sou um cara antigo), no sentido de pessoa solitária - sentimentalmente solitária. Espero que me tenha feito entender.
Um abraço e um beijo.

Resposta do C.O.R: Olha essa, chamando um pelo nome do outro, explicando palavras… É o amor, perto do dia das mulheres, que é só esse dia e não encham o saco! Grande Jens, grande Sacerdotisa, presença!

Admirado das paixões virtuais, do Jiló

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No Canto de Nana

De Halem Souza (Quelemém)

Por isso é que o Millôr Fernandes costuma dizer que "quase sempre a gente evita o perigo errado". Brincadeiras à parte, seu texto que chama atenção. Inté.

De Nana
Se correr, o bicho pega. Se ficar... Rssss. Se chamou sua atenção, Halem, já me deixou um bocado contente! Abração!

Resposta do C.O.R: O maior dos perigos é se viciar nos textos da Nana, Halem. Cuidado pra não fazer ciúmes ao Silvio, hem?

Intrigando, do Jiló
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Na coluna de fotos de Ana Schifflers

De Jean Scharlau

Viu só! As crianças não querem sair da água e ficam assim, todas enrugadinhas...


De Camila

procurei e não achei nada que confirmasse a suposta bebedeira do cara da primeira imagem.

só vejo um homem dormindo, cercado de mochila, pasta e papéis.

achei o título (leia-se julgamento) precipitado!

Resposta do C.O.R: Jean, o senhor é fofo demais, dá um beijo? Camila, é isso aí, o fato é que nosso editor, o cara que escreveu essas baboseiras, é um tosco preconceituoso mesmo. Vive dizendo que eu, olha só, EU, venho trabalhar bêbado, por isso demoro quinze dias pra terminar as respostas dos comenários. Outro motivo, é porque os comentários rolam ao longo da quinzena, e ninguém prevê o futuro. Mas convenhamos que a frase foi também uma certa ironia da vida, não é mesmo, Cami? Afinal, eu tomaria cachaça se tivesse de esperar Godot eternamente...

Do desesperado, Jiló




Estatísticas Reativas

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2 em cada 4 notícias da Mídia são mentiras. As outras 2 servem para encobrir mentiras.

Mais de 3 mil homens foram mobilizados para a chegada de Bush ao Brasil. Outros 3 milhões foram imobilizados (Nana de Freitas).

3 em cada 4 índios da tribo Seminole tornaram-se mais ricos do que o quarto.

50% dos pacotes políticos não saem do papel. Os outros 50% nunca são nele colocados.

5 em cada 10 iraquianos planejam assassinar os outros 5, e os outros 5, vice-versa.

Se todos os seres humanos morressem, viveriam em paz.

Na Indonésia, cada vez que uma criança espirra, aparecem três furacões, um terremoto, dois maremotos, alguns tornados e pelo menos uma queda de avião.

Venus Contra-Ataca

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AINDA SOBRE MULHERES...

Por Camila Canali Doval

Ser mulher é bom todos os dias, exceto nos de menstruação. Contando com o prazo da tpm, então, ser mulher é bom praticamente 15 dias por mês. Ei, não desanime assim, logo de cara! Afinal, uma parcela de 50% não é tão pouco quanto parece. É metade e, conforme a sua fome, a sua sede, a sua necessidade, metade já está mais do que bom.Quer dizer, estaria mais do que bom SE nós não fôssemos mulheres. E mulheres, como todos sabem, sempre querem mais. Mal feminino?

Não. Mal do ser humano, levemente potencializado na mulher, é claro. Mas não sejamos tão hipócritas: é realmente difícil conformar-se com metade quando, em teoria, poderíamos ter tudo. Poderíamos saciar toda a fome. Poderíamos matar toda a sede. Poderíamos suprir todas as necessidades - até as desnecessárias. Desta forma, como contentar-se com metade, se a utópica ilusão de um dia ter 100% de satisfação garantida - all the time - não nos abandona?(E não é preciso nem vir com o papo de que mulher tem a dádiva de poder dar à luz.

Isso fica no meio, delimitando a parte boa da parte ruim. Ser mãe pode ser maravilhoso e pode ser uma desgraça. Sem ilusões, por favor. Todos sabem que existem diversas maneiras de fazer um filho).Ser mulher é bom e é ruim. Quer ver?Ser mulher é ruim quando o pneu fura e todos passam buzinando e dizendo gracinhas, mas ninguém pára para ajudar. Ser mulher é ruim quando a prova para líder do Big Brother é de resistência e seus concorrentes são caubóis e administradores sarados.

Ser mulher é ruim quando você tem tudo para ser a diretora da repartição, mas o dono da empresa é um machista filho da mãe (culpa da própria?). Ser mulher é ruim quando você pede para a sua filha lavar a louça para você enquanto o filhão está jogando video-game (como se fosse trabalho de menina - e não de menino, como se a louça fosse sua - e não da família inteira). Ser mulher é ruim quando você se flagra repetindo pequenas atitudes machistas que sua mãe copiou da sua vó, as quais fizeram com que você achasse que não tem direito a certas coisas. Ser mulher é ruim quando você estuda, trabalha, preocupa-se com corpo e mente, com saúde e espírito e tudo o que você vê na televisão e nas capas de revistas são bundas e bundas e bundas.

Ser mulher é ruim quando você não tem outra coisa para exibir senão uma bunda. Ser mulher é ruim quando você é confundida com as bundas que existem por aí e parece que você também não quer outra coisa para a sua vida. Ser mulher é ruim quando você percebe que outras mulheres é que rebaixam o gênero. Ser mulher é ruim quando um homem passa dos limites, abusa, usa a força, e você só tem força para chorar. Ser mulher é ruim quando um homem humilha você sexualmente, moralmente, humanamente. Ser mulher é ruim quando você se vê mãe e sozinha, sem um pai-marido-amigo para compartilhar. Ser mulher é ruim quando a sua condição de mulher é usada contra você.Na outra metade, ser mulher é bom porque há na mulher algo a mais. Há na mulher um ventre, útero, ovários, trompas, há na mulher um ciclo. Há na mulher algo que precisamos carregar, defender, proteger. Há na mulher algo a ser cuidado que nos torna as mais masculinas dos homens. Não há mistérios, não há segredos na mulher.

Não somos cavernas escuras e profundas a serem desvendadas. O que carregamos é simplesmente o sentido de tudo. E ele é tão óbvio. Ser mulher é bom quando um homem entende isso. Ele não precisa entender porque choramos, porque gritamos, porque somos insatisfeitas, porque somos culpadas, loucas, tristes, felizes, incompreensíveis. Ele só precisa entender o que somos. Ele só precisa abraçar o que somos. Ele só precisa querer o que somos do jeito que somos.

Mulheres. Porém, acima de tudo, ser mulher é bom quando nós mulheres conseguimos gostar do que somos. Não é fácil ser mulher. Nem sempre é bom ser mulher. Mas só uma mulher pode entender realmente o que isto significa. Só uma mulher pode descobrir do que uma mulher é capaz, o que ela pode aceitar, em qual guerra ela deve lutar, qual o momento de se render. Se uma mulher não escuta, sente, aceita a si mesma... Quem mais poderia fazê-lo?Ser mulher é bom, sim, e, se pensarmos com calma - e fora da tpm - talvez não seja em apenas 50% do tempo.

Talvez seja 75%. 92%. Talvez seja no tempo exato em que permitimos que o amor-próprio apareça e prevaleça.

Retalhos

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Freud Explica:
O mundo vive Hoje levando as idéias de Ontem para o Amanhã (LM Frenkiel).

O Melhor do Brasil é...
O melhor do Brasil é o futebol. O melhor do futebol são os futebolistas brasileiros jogando na Europa.

Cyber Pum
O aquecimento global vem sendo discutido em pleno aquecimento blogal.


Aos Ateus..
Filhos de Deus são filhos de mãe desconhecida (LM Frenkiel).


Não confunda
Não confunda a torre de Babel com o porre do filme de Babel.

Não confunda o PAC ao patrimônio público, com os pacmans do patrimônio público.


USA
Bush, dizem os especialistas, quer tomar banho de cana quando a maré encher.


Ditados de Sabedoria
Já diria meu avô: A vida é como fralda de bebê, curta e cagada.


Paz
O Rei da Jordânia pede a paz entre Israel e os estados Palestinos. Israel e os estados Palestinos querem apenas que os deixem em paz.


Por B.V.

Desenhos do Menino - Ao Pirata

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By Yaniv Frenkiel - O Mano



Reação Pirata

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Maconha:
entre tapas, tapinhas e beijos

Baseado, fininho, jererê, marijuana, manga rosa, cocada preta, orégano, capim, saci, bigu, Bob, varinha de condão.
São muitas as gírias para definir a coisa, mas, por mais criativas, divertidas ou disfarçáveis, nenhuma mostrou-se capaz de minimizar os piores efeitos que a maconha causa: preconceito, intolerância, pânico familiar e tudo mais que a ignorância, a pior das drogas, desencadeia, e dá-lhe o gládio entre os que acham que o consumo só se dá é por falta de couro - ou mesmo de carinho familiar - e os que acreditam que se faz muito barulho por uma coisica de nada – e os fatos comprovam que, em maior ou menor grau, ambos estão mal informados.


Sementes da discórdia

2.001. A jornalista paulistana Soninha Francine, depois de ser covardemente colocada em destaque na capa duma publicação de circulação nacional, acima da frase, em letras garrafais, "EU FUMO MACONHA”, só faltou levar uma coça nas ruas, pois, durante um certo tempo, nada e nem ninguém era mais assustador e ameaçador ao futuro de nossa juventude do que o fato de Soninha, muito de quando em vez, dar uns tapinhas num baseado, e - “onde já se viu uma coisa dessas? ” - ainda admitir isso em público!

O bafafá se deu, porém, por dois fatores: 'esperteza' da revista, que apelou para uma capa que, certamente, aumentou as vendas, mas, ainda mais certamente, desqualificou a excelente matéria que fez sobre a questão da descriminalização da maconha - sim, era este o foco, não os hábitos de quem se pronunciou a respeito -, somada à ignorância de quem nem sequer se deu ao trabalho de ler a matéria, e explicado fica o porquê de, súbita e estupidamente, para a (tédio...) 'família brasileira', algumas das virtudes pessoais e profissionais de Soninha (cultura, sensatez, franqueza) terem virado, hãnnn..., fumaça.

O simples fato de uma declaração (distorcida) favorável à descriminalização do consumo - que nada tem a ver com liberação - ter provocado não um debate lúcido, mas um bocado de chiliques e faniquitos país afora, seguido da sempre execrável, irracional e covarde censura -Soninha foi tirada do ar pela tve, onde apresentava um programa para jovens -, comprova o quanto de hipocrisia e, insisto, ignorância permeiam um assunto que, portanto,mais e mais precisa ser discutido, estudado e, muito importante, propagado em todas camadas sociais.

* Abro parênteses: tempos depois, a descriminalização tornou-se fato - restrita, diga-se, ao usuário, mas já foi, digamos, um bom começo. Fecho parênteses.

Recentemente, no Roda Viva, Sérgio Cabral, governador fluminense, se disse favorável à - agora, sim - liberação da venda e do consumo de maconha, e o fez de forma bem lúcida e cuidadosa, para não chocar essa que chamamos "sociedade", destacando a óbvia urgência de se começar a conter o poder do tráfico (diminuindo-lhe o ganho), bem como a violência decorrente deste, que têm gerado vítimas em todos os lados; afinal, se sofrem os que vivem no asfalto, imaginemos os que, nos morros, são vizinhos dos traficantes... De nada adiantou.

Gentes da dita sociedade civil, sociólogos, religiosos, adversários políticos e outros parasitas chegadíssimos a um holofote espernearam e sapatearam qual espanholas possessas.

Quando da polêmica com Soninha, eu e os camaradas que criamos a versão impressa da Pirata Zine (ao lado,capa duma edição) produzimos um suplemento especial sobre maconha, com artigos e opiniões diversas sobre o tema, inclusive com participação do Fernando Gabeira e - minha inesgotável gratidão - da própria Soninha. Seis anos depois, sentindo que pouco ou nada mudou nas cabecinhas de tantas e muitos pelaí, achei por bem reproduzir aqui a matéria que fiz para o tal suplemento, como uma minha modesta - mas, pode crer, científica e factualmente embasada - contribuição ao plá.

Na versão impressa, a matéria não ficou grande, mas, considerando-se a diferença que há entre ler no papel e no monitor, acredito que umas e outros se incomodarão com o tamanho. Não quis dividir a publicação, para não
interromper o plá, muito menos a reflexão, então sugiro a impressão, pra cada um (a) ler quando e onde puder.

Negócio da China

Embora originária da Índia, a cannabis sativa teve na China, mais de 5.000 anos a.C, seus primeiros e entusiasmados consumidores, que a usavam (e a recomendavam) como remédio contra náuseas, dores e falta de apetite. Não se sabe ao certo quando, mas, rapidamente, os chineses, passado o 'barato' da ganja, atribuíram-lhe outras propriedades nada terapêuticas, tais como permitir aos usuários a visão de espíritos. A partir daí, uns passaram a consumi-la para fins religiosos, como uma ponte de ligação com o além, e outros, mais hedonistas e em maior número, como mais uma forma de se gozar a vida. Comum a ambos a necessidade de rebatizar a herba com um nome que correspondesse à sensação que a mesma lhes causava, e, com isso, os primeiros passaram a chamá-la “libertadora dos pecados” e os segundos, de “fornecedora de encantos”.

Falando em hedonismo, os gregos, criadores desse modus vivendi, bem como da palavra para defini-lo, durante seus banquetes, consumiam a erva prazerosamente - e, claro, não a usavam como tempero para as carnes... Não podemos creditar ao hábito de fumar maconha o fato de terem legado a várias civilizações seguintes à sua muitos dos mais caros princípios éticos, políticos, sociais, artísticos e filosóficos da história da humanidade, mas, igualmente, não devemos ignorar o fato de que, apesar desse hábito, não deixaram de criar doutrinas - democracia, por um exemplo - admiradas, cultivadas ou mesmo apenas ansiadas por quase
todos viventes, inclusive por aqueles que, "esquecendo-se" de que democracia compreende liberdades individuais, teimam em querer padronizar os valores que lhes parecem ideais para a construção de um mundo no qual aqueles que ousarem não se guiar unicamente por tais valores também terão lugar garantido, só que no xilindró.

Seguidas civilizações posteriores à chinesa fizeram uso da maconha para fins meramente ritualísticos, com sacerdotes queimando grandes quantidades da erva para que os discípulos, fiéis e afins tivessem transes místicos, mas não é de hoje que as gentes fumam unzinho por uma única razão: prazer, e tentar dissociar esse fator de qualquer vício, seja bebida, comida, cigarro etc, é ser tão estúpido quanto a pessoa que se deixa consumir pelos seus vícios.
Essa busca do prazer tem sido responsável pela prosperidade de um tipo de comércio que não conhece a palavra crise: o tráfico, que, passados 7 milênios, deu outra conotação para a expressão “negócio da China”.

Até a década de 40, o consumo de maconha não era ilegal, mas o governo estadunidense proibiu seu cultivo, pressionado pelos interesses das indústrias farmacêutica (que desenvolvia drogas com efeitos similares aos da erva), têxtil (prejudicada pela extração de cânhamo, uma fibra da maconha) e, mais que todas, a do petróleo, que não gostou nada de saber que henry ford desenvolvera um automóvel feito com fibra de cânhamo e movido pelo óleo da semente.
Imperialistas desde sempre, os EUA, certos da abjeta subserviência dos governos de diversos países/parceiros, sugeriram a estes que também proibissem.
O brilhante dramaturgo irlandês Bernard Shaw, certa vez, disse: “O americano 100% é
99% bobo”. Difícil não concordar com ele, pois como os EUA puderam imaginar que proibindo o cultivo acabariam com o consumo, sendo que, pouco tempo antes, ao criarem a "Lei Seca", descobriram ter criado, também, o "crime organizado", que gerou fortunas para uns sujeitos dados a (não necessariamente nesta ordem) comer nhoque, metralhar os comerciantes que não comprassem as suas bebidas, fazer molho à bolonhesa com os corpos dos concorrentes e burlar o fisco?; logo, fica a pergunta: de que adiantou proibir?
Cientes de que a variedade de ofertas alavanca as vendas, os traficantes nunca pouparam esforços para o desenvolvimento de drogas outras, ou para aprimoramento das já existentes. Para ficarmos apenas no produto desta matéria, os derivados da maconha mais comumente produzidos são o haxixe (um extrato) e o skunk (uma variação sintética da maconha). Ambos são fortíssimos, com efeitos potencialmente elevados. Antes, entretanto, que algum eventual interessado pense “oba! ”, é bom salientar que diretamente proporcional ao efeito, o estrago.

Perdas e danos

Foi o israelense Raphael Mechoulan quem, em 1.964, identificou a principal substância ativa da cannabis, o THC (tetrahidrocanabinol), entre as + de 60 substâncias psicotrópicas solúveis na corrente sangüínea. Além dessas, na planta há outras 400 substâncias químicas de efeitos ainda desconhecidos - e ao dizer que o vermelho de seus olhos vinha do verde da natureza, o grande Bob Marley deu à maconha um caráter inofensivo - posto que natural - absolutamente equivocado.

O vício da maconha, embora usualmente seja de fundo psicológico, transforma ao menos 10% de seus usuários em dependentes químicos, os quais, se não tratados adequadamente, estarão sujeitos a uma série de problemas graves de saúde, tais como câncer de pulmão (o nível de nicotina da maconha é bastante alto) e esquizofrenia, que ainda não se pode afirmar se é provocada pelo consumo da maconha, ou se este apenas acelera o processo naqueles com propensão à doença; seja como for, é comum a associação entre a droga e a doença.

Menos devastadoras, mas não menos indesejáveis, outras ações prejudiciais à saúde de quem consome maconha regularmente são: esterilidade, falta de memória, tremor corporal, vertigens, taquicardia, alterações sensoriais e, se consumida em grandes quantidades, pode causar depressão.

Em algumas cidades (e Brasília, claro, é uma destas...), a saúde dos usuários está sujeita a riscos ainda piores, posto que os traficantes produzem a maconha em pedras, adulterando sua consistência natural - e sua composição química -, para o que se valem do uso de merla - um subproduto da cocaína - dissolvida em acetona, querosene, amônia e ácido de bateria automotiva (não, você não leu errado, é isso mesmo), e depois misturada à cannabis, assim formando uma 'paçoca' que pode levar o usuário a sofrer de um simples desmaio, passando por uma parada cardíaca, chegando, em casos mais extremos, a aneurisma cerebral - mas, aos alarmistas e fatalistas de plantão, um toque: a menos que, do 20º andar de um edifício,se atire um pacote de 50 Kgs do bagulho na cabeça da pessoa, ninguém morre de overdose de maconha.
Riscos, pois, os há, mas a estes também estão sujeitos aqueles (as) que se orgulham de seus salubérrimos hábitos. Vai vendo.

Baratos afins

Quem se lançar a pesquisar os processos químicos e de manipulação genética a que são
submetidos muitos dos alimentos que ingerimos, ao final da 'aventura' chegará à conclusão de que o melhor mesmo a fazer é viver se alimentando exclusivamente de soro, algas e, já que ninguém é de ferro, banana - e plantada em casa!
Nas galinhas, por exemplo, 'estrelas' dos que não consomem a "mortal" carne vermelha, injetam tantos hormônios, e com finalidades tão diversas, que não deveremos nos assustar no dia em que um nosso colega, depois de traçar um simples galeto, começar a assoviar o hino nacional pelos ouvidos, soltar fumaça pelas ventas e, após trocar todos pêlos do corpo por penas multicoloridas, explodir em fogos de artifício, formando no céu a sigla “ALCA”...
Exageros à parte, é fato que temos ingerido, a cada refeição, uma quantidade suicida de
hormônios, agrotóxicos, enxertos, toxinas e outras venenos com os quais, que "engraçado" ninguém se espanta ou indigna.
Para os mais céticos, uma dica: é, mais que recomendável, obrigatória a leitura do livro
"Relatório Orion - Denúncia Médica Sobre os Perigos dos Alimentos Industrializados e dos Agrotóxicos", Márcio Bontempo, Ed. L&PM, 1.985.

Falar que a maconha não é de todo prejudicial à espécie humana parece apologia, causa coceiras, mas, pode crer, a maconha e os seus derivados possuem benefícios que, se bem aproveitados, poderiam ser bastante úteis no tratamento de doenças e no desenvolvimento sustentável de nossa economia. Se liga no plá.
Há vários casos em que a maconha é usada, como o era na China, para fins terapêuticos.
Exemplos: contra enjôos decorrentes de quimioterapia, no tratamento de glaucoma, contra a asma, além de recomendada para os portadores de AIDS, para lhes abrir o apetite, assim impedindo-lhes a morte por inanição.
Governos de muitos países (EUA também) cederam à pressão de grupos representantes de pacientes e criaram centros de pesquisa vinculados aos orgãos nacionais de
saúde, nos quais já é permitida a fabricação de cigarros de maconha. Com qual finalidade? Estudar os benefícios de seu consumo em pacientes com AIDS e câncer. No que se refere ao desenvolvimento econômico sustentável, o panorama torna-se ainda mais vasto e promissor.
Da cannabis pode-se extrair cerca de 25 mil produtos de uso essencial para a sociedade, dentre os quais calçados, roupas, produtos de beleza, óleo de cozinha, chocolate, sabão em pó, papel, tintas, isolantes, combustível (o qual, ao contrário do petróleo, é renovável e não poluente), material de construção, carrocerias de automóveis etc, etc, etc ao cubo.
Se o Brasil desse à maconha a mesma importância que dá a outras drogas (celebridades, por um só exemplo) poderia produzir, em 3 anos, feitas as adequadas pesquisas genéticas, a semente da cannabis sem o THC (o princípio psicoativo), para fins industriais.
O cultivo da cannabis não carece de agrotóxicos, tem alta performance produtiva (cresce em, no máximo, 110 dias) e pode ser associado a outras culturas.
Grifes internacionais, como Adidas, Guess, Calvin Klein, entre outras, há muito investem no uso industrial da cannabis e, quer saber?, não têm do que se queixar.

Fazendo a cabeça

A maturidade de um país é medida pelo nível de relacionamento de seus cidadãos com
o Estado, e nenhuma das partes pode sobrepor-se à outra valendo-se de leis que atendam
unicamente aos direitos de uns, tampouco que correspondam aos intere$$es de outros. É
necessário, como em tudo mais, equilíbrio e argumentação.
O Estado tem deveres para com os cidadãos, e mesmo quando não os cumpre - o que é
regra -, cabe aos cidadãos, através de argumentos, e não de violência de qualquer ordem,
cobrar as responsabilidades do governo. Por seu turno, a população tem uma infinidade deobrigações para com o Estado, e ai dela se não cumpri-las direitinho...
Deixando direitos e deveres cívicos de lado, e seus respectivos exercício e cumprimento, sobram apenas as liberdades individuais. A partir do instante em que o Estado ou qualquer outra otoridade se arvora o direito de interferir nas preferências e hábitos - sejam lá quais forem - dos cidadãos, e ainda puni-los severamente (não raro com violência) por prejuízos que estes cidadãos estão causando não ao Estado nem à sociedade, mas exclusivamente a si próprios, a autoridade desse Estado - ou de quem quer que seja - torna-se nula.
No caso das drogas, que elas são prejudiciais aos seus usuários não resta dúvida. Quem as consome, exageradamente ou não, está careca de saber disso, e, se não sabe, a parte que cabe ao Estado é a de instruir, e não punir, coisa que caberia ser feita aos traficantes, muitos destes facilmente encontrados, como já exaustivamente denunciado pela imprensa, em sessões do congresso e do senado...

Essa política de proibição só traz benefícios para 1 vértice do triângulo, o traficante, que fatura cada vez mais às custas dos usuários, e ainda ri da cara de um governo impotente diante da infração e da sonegação de impostos por ele cometidas impunemente. Fora isso, proibir o consumo é atacar o efeito, não a causa.
Cabe a todos nós argumentar, participar e opinar e, se preciso, lembrar ao Estado que pune o cidadão, o que é muito fácil, e livra a cara de bandido, o que é inaceitável, o óbvio: se eles têm autoridade, que a exerçam contra os que a desafiam - e, até, ridicularizam -,jamais contra os que, pelo voto, a legitimam.

O Pirata
(Lei a Zine do Pirata, e o seu blogue, clicando na lista de colaboradores na barra ao lado!)

Entrevista com SON SALVADOR - Por Liliane Corrêa

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* Ilustram esta entrevista, além de uma charge by Son Salvador, dois olhares sobre o chargista, pelos colegas Melado e Quinho, “fãs incondicionais”

GERSON SALVADOR, O DONO DA PADARIA
Por Liliane Corrêa


Son Salvador é uma metralhadora. O ilustrador publica, em Belo Horizonte, charges nos jornais Estado de Minas, Diário da Tarde e Aqui - Grande BH, além de colaborar eventualmente com o Correio Braziliense e o Aqui – DF, na capital federal, e abastecer o site Charge Online (www.chargeonline.com.br). Além disso, acaba de lançar o próprio sítio (www.sonsalvador.com.br), onde pretende abrir um canal entre seu trabalho e o público infantil. Trabalha ainda na concepção de personagens novos para quadrinhos que pretende lançar em breve.
O cronista esportivo Son Salvador publica diariamente a coluna “Boladas e Botinadas”, no Diário da Tarde, e comanda o DT Esportes, que vai ao ar na TV Horizonte, de segunda a sexta-feira, às 19h – com reapresentação à 1h15.
Como que para humilhar os “pobres mortais”, ainda lhe sobra tempo para ser pai coruja de um casal de “marmanjos espetaculares”, marido atencioso à companheira de quase 40 anos e, de quebra, cultivar hobbies como colecionar LPs, CDs e DVDs - com especial entusiasmo para antigos seriados de TV.
Em entrevista ao Reação Cultural, Son Salvador faz um vôo panorâmico sobre a própria carreira, observando os detalhes, como bom mineiro, e conclui que “o importante é não ficar parado”. E ele leva isso muito a sério.

By Quinho

Onde começou o Son Salvador chargista?
Comecei no Sindicato dos Bancários… Peraí, tô confundindo (risos). Tinha um jornal, em Belo Horizonte, que se chamava Oi, Bicho, que era uma espécie de Pasquim daqui. Aí, me pediram pra ilustrar umas poesias. É. Foi isso (risos). Então, eu mandei as ilustrações e mandei umas charges junto, né? Daí, eles publicaram as charges e nem ligaram para as ilustrações. Me deram as páginas centrais do jornal! Foi uma surpresa!

E quem fazia o Oi, Bicho?
Ah, uma moçada bacana. Tem um que hoje é delegado, o Danilo Pereira dos Santos, um amigão meu… (olha pra cima, suspira e sorri) Ele tá meio brigado comigo, mas é um amigão meu (risos). Ele é poeta, compositor, um artista! Estudamos juntos, no ginásio Cristiano Otoni.

O que fazia nessa época?
Eu estava estudando contabilidade, fazendo curso de desenho artístico… Tudo que aparecia, eu fazia. Tinha uns 19, 20 anos. Eu trabalhava como porteiro num prédio comercial e estudava de manhã. Então, era legal pra mim. Aí, chegou um cara lá, um dia, procurando uma seguradora, que tinha havido um incêndio não sei onde (risos)… Eu fui procurar pra ele o número da sala e ele olhou por cima do balcão, viu o desenho e perguntou se era meu. Eu disse que era e ele falou: “Então vai lá no Sindicato dos Bancários. Eles estão precisando de um desenhista”. Aí, fui lá no sindicato e arrumei o emprego. Fiquei desenhando lá, negócio de greve, aquelas coisas todas (risos)…


Por Melado

Então, tudo começou na portaria do prédio…
Tudo, na portaria do prédio. E tem mais. Eu não sabia que o irmão do Ziraldo tinha um escritório no nono andar desse mesmo prédio. Eu via aquele cara passando lá… Era o Ziralzi. Ele era representante comercial de cartões de humor e tal... ficamos amigos.

E abandonou o emprego de porteiro?
Não, durante algum tempo eu continuei nos dois, por segurança, né? Depois eu me encontrei, lá no sindicato, com o Vicente Sanches (repórter do jornal Diário da Tarde). Agora você vê… Vicente, com aquele jeito aluado dele (risos), chegou pra mim e falou assim: “Você desenha muito bem. Eu vou te mandar lá para o Fábio Doyle (editor geral do mesmo jornal)”. O Vicente pegou um envelope que estava no chão, de correspondência que o pessoal abriu e jogou fora, todo sujo, escreveu um bilhete de recomendação pro Fábio e me entregou. Eu pensei: “Puta merda, esse troço não vai dar certo…” Mas eu queria tanto fazer isso que fui lá, procurei o Fábio e levei três charges pra ele ver. Então, ele me falou: “Olha, meu filho, pra você trabalhar aqui, tem de me mostrar pelo menos umas 15 charges…” Eu fui pra casa e passei a noite fazendo charge. No outro dia, de manhã, eu estava na porta do jornal. Quando o Fábio Doyle subiu, eu gritei o nome dele e ele falou: “Uai, o que foi?” (risos). Eu disse: “É que eu trouxe as charges…” Ele ficou olhando para a minha cara, assustado (risos). Deixei com ele e fui embora, trabalhar no sindicato. No Dia das Crianças, nem sei em que ano foi isso, eu saí do sindicato, passei na banca e vi uma charge minha na capa do Diário da Tarde. Aí eu pensei: “Olha só… saiu!”. Aí eu fui ao jornal, o Fábio me encaminhou do Departamento de Pessoal e me contratou.

E você já era o Son Salvador?
Não, foi aí. Nessa época, eu já tinha feito amizade com o Ziralzi, e eu assinava Gerson Salvador. Aí, ele falou comigo assim: “Muda esse negócio. Esse nome tá muito ruim!”. Ele tinha levado meus desenhos pra mostrar para o Ziraldo e falou: “O Ziraldo disse que Gerson Salvador é nome de dono de padaria”(risos). Aí, eu perguntei: “Pô, mas que nome eu vou colocar, então?” O Ziralzi, entrando no elevador, virou pra mim e falou assim: “Ah, põe Son Salvador!”… Aí, ficou.

Quando foi isso? Você tem de se lembrar do seu ano de admissão…
É mesmo. Foi em 76… Tem de calcular… eu tinha uns 26 anos, por aí… Eu já tinha ralado muito em sindicato , de bancário, de metalúrgico, já tinha feito greve, andei em trio elétrico com panfleto… (muitos risos)

E sua família? Já tinha uma veia artística?
Meu pai sempre teve esse negócio de arte, sempre gostou muito de música, chegou a mexer com esse negócio de teatro amador… mas desenho, assim, não tinha ninguém não. Eu tinha tio que tocava em banda, tio que tocava violão… Minha família é enorme… tenho 116 primos de primeiro grau, só por parte de mãe (risos)… Para a última festa que a gente fez, tivemos que alugar a Apae (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais) de Sabará (na Grande Belo Horizonte).

Eles te apoiavam?
Não… quer dizer… deu problema, uma época lá (risos)… Mas eu não toco nesse problema porque eu sei que, quando eu falo sobre isso, meu pai fica chateado. Ele fala que eu sou o único filho a quem ele tem de pedir desculpas. Porque teve uma época em que eu desenhava e ele achava que aquilo era negócio de quem não queria trabalhar (risos).
Mas eu não gosto de tocar nesse assunto porque meu pai tá com oitenta e tantos anos… Eu vivo tão bem com ele! Eu não quero magoá-lo, de jeito nenhum. E acho que era da época também… Lembro que, quando comecei a desenhar (pausa)… Minha mãe morreu nova, com 56 anos… ela ficava preocupada, porque veio a Revolução de 64 e minha mãe via aquilo e falava: “Olha o que que você está fazendo.. ” (muitos risos). Mas tem umas coisas que vão caminhando… não tem como…

Quantos irmãos vocês são?
Sete. Gerson, Gerci, Gertrudes, Giane, Gilson, Getúlio e Gecilda - essa foi a sacanagem do meu pai, que botou esse nome nela (risos). Mas ela se chama Gecilda Andréa, então todo mundo a chama de Andréa.

E por que todo mundo com G?
Ah, isso aí… vai entender! É igual ao segundo nome… Salvador é porque meu pai olhava na Folhinha de Mariana. Ele ia lá e olhava o santo que tinha no dia… No dia em que eu nasci, devia ter lá um São Salvador, uma coisa assim… Aí tem Gerci Maria, porque nasceu em maio; Giane da Paz, porque nasceu no Dia Nacional da Paz; Gilson Cirilo, porque era dia de São Cirilo. Mas é aquela história… ele tinha uma lógica. O santo é que pagava o pato (risos).

Você, como chargista, já passou por oito presidentes da República… Qual deles foi mais “inspirador”?

Ah, da ditadura, era o Figueiredo. Agora, o Lula é imbatível, com o ponto G dele (risos)…

O Figueiredo era rico porque - é claro que eu sempre fui contra a ditadura… Mas o Figueiredo não era o Médici, o Geisel. Com o Médici, a gente sabia o seguinte: “estão massacrando todo mundo, estão matando”… Com o Figueiredo, a gente sabia que tinha uma possibilidade de evolução do processo, de abertura… Isso tudo, a gente percebia… Agora, a minha geração é uma geração interessante… Eu vivi uma época parecida com a que viveu o pessoal da música de protesto. Se você desenhasse um quepe e publicasse, era genial. O pessoal pensava pô, esse cara tem coragem, desenhou um quepe... Só que, quando veio a abertura, você tinha que mostrar que tinha humor e conscientização política. Nessa, muita gente ficou perdida no tempo… Porque a nossa função é fazer uma crítica, mas essa crítica tem de usar sempre, como janela, a ironia e o humor…

O Luís G, que era chargista da Folha de S.Paulo durante a repressão, ficou de saco cheio porque tinha censura lá e começou a desenhar uma árvore e um lobo… Aí, o censor foi lá e falou pra ele que não podia. Isso eu acompanhei mesmo… Então, ele continuou desenhando só a árvore, mas foi fazendo a árvore retorcida, a mesma árvore, cada vez mais retorcida… Chegou a um ponto em que eles proibiram. Eles não sabiam o que aquilo significava e o Luís fazia aquilo só pra protestar, mas a censura brecou aquilo também.
Para você ver, essa árvore retorcida era um símbolo importante naquela época. Hoje, se eu fizer uma árvore retorcida, eles me internam… “Esse cara tá ficando doido”(risos). E é até antiecológico!

E como foi sua participação no Pasquim?
Na primeira fase, eu publiquei pouquíssimo. Teve até uma lá que saiu com meu nome que não fui eu quem fez (risos)… Mas, naquela época, era o seguinte: Você tinha de fazer a charge, colocar no envelope, ir até o Correio e mandar pelo Sedex, pagar uma nota de selo e mandar para o Rio, pro Pasquim, pra ver se saía. Acho que isso dificultava muito. Eu não tinha saco nem dinheiro pra passar a semana na porta do Sedex…Na segunda fase, eu publiquei páginas e mais páginas lá. O Quinho também publicou… era só mandar por e-mail e acabou… Então, essa segunda fase, pra mim, foi muito mais bacana… por causa da facilidade mesmo.

Você acha que vive hoje sua fase mais produtiva?
Ah, acho que é, até pela maturidade. Hoje, eu tenho consciência de que eu sou um profissional e tenho que desempenhar uma função diária, industrial. A gente, quando começa, fica naquele drama… “isso não tá legal, não tá legal…” E, muitas vezes, o que não tá legal para você está ótimo para o leitor. Então, esse drama é uma bobagem… Tem dia que eu não estou legal, mas ninguém vai fazer a charge por mim. Acho que o grande problema que eu via, antes, em ser chargista era este: “Pô, vou fazer charge todo dia? Mas eu vou ficar chateado, às vezes… vou brigar com a minha mulher”…

E como é que faz quando briga com a mulher?
Não existe ligação entre uma coisa e outra… não existe a menor possibilidade de uma coisa interferir na outra. Até porque, com 30 anos de casado, eu não tenho muito tempo pra ficar brigando com a minha mulher não (risos).

Ela era sua namorada quando começou a desenhar?
Era. Namorei com ela durante oito anos, antes de me casar. A gente morava no mesmo bairro, estudou na mesma escola. Quando eu comecei a desenhar, ela até me apoiava… Sempre me apoiou. Se bem que mulher, quando gosta do cara… se o cara falar: “Hoje vou largar tudo e trabalhar de pedreiro”… Ela fala: “Que maravilha! Uma profissão tão bonita, né?” (risos). Com o tempo, você vai sabendo também separar o profissional do pessoal. É como o cronista esportivo… as pessoas acham que você tem que discutir a situação do Atlético em todo lugar, misturam muito. Eu sou chargista e o pessoal vive pedindo para a gente contar piada… uma coisa não tem nada a ver com a outra, pô!

E sua ligação com o esporte? Como foi isso?
Eu tinha muita amizade com o Jacaré, do Movimento Machão Mineiro, da Banda Mole e tal, e a gente se encontrava lá, tinha uma roda de samba que era famosa… toda sexta-feira a gente caía na noite… as mulheres ficavam invocadas em casa (risos). Então, chegou um determinado momento em que a gente tava fazendo muita piada, com o Movimento Machão Mineiro, essas coisas, e o Jacaré falou assim: Vamos montar um programa de rádio?” Eu falei: “Vamos”. Fomos lá na Rádio Capital e perguntamos: “Quanto é que custa o horário aqui, no domingo?” “É tanto.” Aí, a gente comprou o horário (risos).

A gente ia para lá às 13h e fazia o programa até as 15h… se chamava Zona Franca. E a gente falava de tudo, entrevistamos o Zeca Pagodinho, o Marquinhos Satã… A gente falava de política… Eu criei um quadro chamado “Deu no Jornal”. A vinheta era um grito meu, com bastante eco: “Deuuuu noooo joooornaaaaal”… (risos). E a gente pegava as notícias e começava a rir das notícias, porque tem muita coisa no jornal que é engraçada mesmo…

Aí, acabaram com a equipe de esportes da rádio Capital e o cara perguntou pra gente: “Por que vocês não montam uma Jornada Esportiva? Olha só como uma coisa vai puxando a outra… Aí, pronto, assumimos o negócio lá. Assumimos o esporte, contratamos uma equipe boa… eu lancei três mulheres fazendo reportagem de futebol naquela época… porque era proibido. Isso foi uns 18 anos atrás. Então, era proibido e eu botei…

Fico puto porque eu era do Movimento Machão Mineiro, mas aquilo, pra mim, era uma piada… Então, quando alguém vem com essa história de discutir machismo, eu fico puto. Lá na televisão, hoje, por exemplo, tem duas mulheres no programa… Eu sempre fiz isso.

E o Zona Franca?
Então, a gente só produzia. Mas, um dia, faltou um comentarista e me puseram lá, para fazer o comentário na rádio. No outro dia, o povo disse: “Você tem de continuar”… É sempre assim. Depois, foi no jornal. Faltou uma coluna lá e o Afonso Barroso falou: “Ô, Son, escreve uma coluna pra nós aí… pro Diário da Tarde.”Aí eu escrevi. Botei “Boladas e Botinadas” no nome da coluna e escrevi um tanto de bobagem lá (risos)… E a coluna tá lá até hoje.
Comigo, as coisas sempre foram assim. Eu sempre aproveitei as oportunidades. Outra coisa, eu sempre colaborei, sem pensar em recompensa, sempre que alguém precisava… Eu digo que todo profissional tem de estar sempre buscando alguma coisa, até inconscientemente. Sobre a minha mesa sempre tem três, quatro jornais… Eu sempre busquei muita informação. Muitas vezes, pensando “tô lendo isso nem sei pra quê”, mas eu lia (risos). E no fim, eu precisava daquilo…

Você é atleticano?
Sou, sou…atleticano. Hoje, o pessoal até confunde… “Por que você fala tão mal do Atlético?” Mas é por isso mesmo… porque eu tô puto com esse time… (risos).

Você é muito admirado por seus colegas chargistas que trabalham em BH. Você tem consciência disso?
Eu nunca percebi isso. Acho que há, também, uma troca. Sabe o que é? Eu sempre me espelhei muito no meu começo, que foi muito complicado. Eu levava meus desenhos num lugar, no outro, tentando conseguir um emprego… não tinha, não dava. Foi uma parada! Então, eu sempre tive muita admiração pelo pessoal que começava, independentemente de começar perto de mim ou não. A Chantal, por exemplo, quando chegou aqui no jornal tinha 13 anos. Ela hoje é formada em design. Quantas vezes eu sentei junto dela e falei: “Seu desenho tá uma merda! O texto que você escreveu tá ruim…” E ela voltava e refazia. Hoje, ela pode me dar aula!
Agora, esses meninos novos já passaram por mim… Eu já fiquei pra trás. A vida é assim. Hoje, o Quinho e o Duke, por exemplo, estão num estágio muito superior ao meu. Talvez eu tenha um nome, uma marca, uma experiência… mas eles já estão acima, e com um campo muito mais amplo que o meu. Eu tenho consciência disso, tranquilamente. O Quinho é um gênio, uai! (risos) O Melado tá fazendo uns quadrinhos… um troço fantástico… Então, aí é que eu acho que a gente tem que entender isso, até pra não ficar perdido no tempo.

Você acha que os chargistas mais novos ganham por já terem começado depois da ditadura?
Ah, sim! Eles são muito mais ousados. Às vezes eu me surpreendo comigo mesmo… Outro dia, usei uma palavra numa charge… o Lula falando assim: “Eu vou invadir, vou dar porrada!”. Levei lá para o João Bosco (Martins Salles, editor geral do Estado de Minas) me dizer o que ele achava e o João disse que a charge podia ser publicada… E eu: “Mas a palavra porrada…” Aí, ele riu… Tá vendo? O que a ditadura fez com a gente não muda. Esses meninos são muito mais atrevidos (risos).

Atrevidos?
Ah, é. Hoje, tem coisas que eu evito. Eu tenho um certo pudor com algumas coisas mesmo. Chega um tempo em que a gente começa a pensar mais… Hoje, por outro lado, eu sou um cara mais reflexivo… talvez a melhor função pra mim, hoje, não fosse essa, de continuar desenhando feito um maluco, sei lá. Aqui, já teve desenhista que me trazia um editorial e pedia pra eu dar uma olhada… Hoje, eu leio cinco linhas de um editorial e já sei o que eu vou desenhar. E tenho uma teoria: Se você não entendeu o editorial, faça uma ilustração que ninguém vai entender também. Aí, o cara pega e fala: “Genial!!!! Ele pegou o espírito da coisa!” (risos)
Então, a minha função talvez fosse mais a daquele cara que diz assim: “Vai por esse caminho aqui que é melhor. Eu já passei por isso” (risos). Mas é tudo assim. Gosto de ajudar quem está começando.

Então, sua carreira simplesmente “aconteceu”…
Sempre foi assim comigo. Depois da Rádio Capital, fui ser comentarista da Rádio Globo. Era um negócio assim: um Fiat 147 pra cobrir o jogo Flamengo e Atlético no Maracanã (risos). Uma dificuldade! Eu ia comentar um jogo à noite em Varginha, no Sul de Minas, e tinha de trabalhar no jornal no dia seguinte, às 8h. Numa ocasião dessas, eu tava na rádio, chefiando a cobertura, e chamava, no Estádio Independência, os repórteres, ao vivo. “Repórter fulano, no banco do time tal”… e o cara entrava. Então, tinha um repórter lá que eu chamava e nada… Depois, chamava de novo… e nada… Até que chamei “Repórter Cardoso Neto, no vestiário do América”… E entrou uma voz dizendo: “Informo que o repórter Cardoso Neto é um irresponsável e não apareceu para trabalhar até agora. Aqui é o Machadinho, da técnica” (risos). Na hora, eu pensei: “Puta merda, vou ter de mandar o cara embora, poxa!” Quando eu cheguei no campo, me deu uma crise de riso… mas uma crise de riso…

E o site? Acaba de ser lançado, né?
É. Aquilo ali já faz parte dessa minha visão de que eu tenho de procurar outras coisas pra fazer também. Eu tô buscando, ali, um contato com o público infantil. Meu principal objetivo é esse. Eu preciso de um lugar pra colocar minhas histórias. Eu já tive uma peça infantil encenada no Palácio das Artes…

Você nunca pára (risos)?
Ah, paro. Eu chego lá em casa, pego meus LPs e vou ouvir… Eu tenho um espaço lá em casa pros meus LPs, CDs, DVDs… Tem de tudo. Só que agora eu estou resgatando os shows dos anos 70, de rock, de tudo. Devo ter mais de 1.500 LPs. Muita coisa ficou perdida no tempo, né? Tem muita coisa na casa do meu pai…Mas os principais eu tenho lá: Elvis Presley, Beatles, Beach Boys… tenho tudo lá.
CD eu tenho um armário grande cheio… mais os que eu vou comprar amanhã ou hoje… (muitos risos)
Agora, DVD é que é um barato! Eu tenho desde o “Ed Sullivan Show” até os seriados “Magnum”, “Kojak” (risos)… Tenho “O Fantasma”, de 1948, “Flash Gordon”… tudo que o DVD está trazendo de volta… E eu adoro achar fundo musical pras coisas que eu faço!
Mas, sabe o que é isso? Eu acho que sou um cara que gosto mesmo das coisas que eu vou fazendo… Então, não acho que sou um cara que trabalha demais...

E o Brasil, Son?
Qual? O do Lula, o nosso ou o do Dunga? (risos). Acho que o Brasil continua naquela fase de maturação e, por mais que a gente culpe o eleitor, há o aprendizado e há o crescimento.. Mas ainda vamos gastar uns três presidentes para isso aqui tomar jeito.

Mas o país de hoje é melhor que o de quatro anos atrás?
Ah, eu acho. Não que seja exclusivamente pelo governo Lula, mas é que o país está mesmo numa evolução. Isso é inegável. Desde o Plano Real… Antes do Plano Real, puxa vida, a gente recebia 1 milhão por mês e o dinheiro não dava pra nada (risos). Mas há uma evolução, sim. Com toda essa falta de moral dos políticos, eu acredito que está havendo uma melhorada. A gente critica o Lula como criticaria qualquer outro presidente. Mas que há uma evolução, há. Isso que muita gente tá falando, por exemplo, criticando Lula por se unir ao Bush… Eu acho que ele tá certo! Vai comprar briga com americano? Ué, então nós vamos nos unir ao Chávez?
Então, eu acho que o Brasil tem um futuro, até próximo, melhor também pela formação da juventude. Eu faço muitas palestras em faculdades e a gente está vendo surgir uma juventude com uma formação ética muito boa. Se essa geração superar esse problema de droga - que está parando muita gente boa -, acho que teremos uma boa surpresa…

E as desigualdades?
Aí é aquela história… ela sempre existiu. Eu vejo que há uma certa conscientização no sentido de reduzir isso. Mas a própria formação mais ética dessa moçada já faz com que eles também vejam essas desigualdades de forma diferente. Porque eu não acredito nessa história de que é a desigualdade que faz essa violência de narcotraficante, não. Isso, pra mim, é outra história… é ambição, é mau-caratismo… Não é porque o cara é pobre não… O pobre, aí, é usado como massa de manobra… Ainda mais no Brasil, esse país enorme. A verdade é que, quando a pessoa busca uma solução boa, encontra, desde que tenha opção. Porque esse negócio de narcotráfico vem de cima, o interesse não é do pobre. Alguém fala pra ele, o convence de que a única opção dele é aquela. Mas é mentira…

E agora? Qual é seu próximo projeto?
Quadrinhos. Tô bolando uns quadrinhos aí (risos)… A inspiração veio de um troço que meu pai fez lá na roça. Quando a caixa d’água tá vazia, acende uma luz vermelha em baixo. Quando tá cheia, acende a luz verde, em cima. “Para que isso, pai”, eu perguntei. “De longe, eu sei se a caixa está vazia ou cheia” (risos). Meu pai é um Professor Pardal… Então, tô fazendo um personagem inspirado nessa coisa de transformar objetos… mas isso é para os quadrinhos…

E como pretende publicá-los?
Ah, sei lá (gargalhadas)! Primeiro eu faço, depois descubro o que eu vou fazer com isso, uai!

Charge de Son Salvador

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Filosofia do Direito

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Sobre a visita do Bush ao Brasil

Por Vinícius Magalhães - Foto temática de Ana Luiza Schifflers

A visita do presidente dos Estados Unidos da América, George W. Bush, além da demonstração de arrogância e histeria por seguranças estadunidenses, foi a prova cabal de que o mundo pobre é visto enquanto colônia dos países economicamente desenvolvidos.

A possibilidade de incrementação da economia de biocombustivel não significa, necessariamente, benefícios para o bem-estar humano nacional. Pelo contrário. Este modelo econômico pode significar o agravamento de uma série de dificuldades sociais brasileiras, como a fome, a violência no campo, a concentração fundiária, o inchaço urbano, etc.

Se voltarmos os olhos para nossa história, verificamos a triste repetição do modelo agro-exportador, baseado na grande propriedade de monocultura. O Brasil Colonial, se nos permitem a metáfora, fora um grande canavial. Ilhas de ricos senhores de engenho eram cercadas pela miséria do escravo ou por alguns trabalhadores libertos empobrecidos. O cultivo da cana aliada ao tráfico negreiro significou o enriquecimento de estreitos grupos sociais, assim como da Coroa lusitana. A partir da expulsão holandesa, a economia canavieira sofreu algum recesso, sem que significasse sua extinção, haja vista que ainda hoje se verifica a presença de grandes lavouras.

Numa breve explanação, também constatamos que o cultivo do café seguiu um modelo econômico próximo ao canavieiro: monocultura, exploração da mão de obra - num primeiro momento, escrava, e mais tarde, imigrante; latifúndio; abastecimento do mercado externo - com um artigo que nunca compôs fonte alimentícia de primeira necessidade e que, em maior ou menor grau, fora considerado artigo de luxo. Referidos modelos excluem a integração cidadã, pois inviabilizam a autonomia produtiva dos trabalhadores e sua emancipação.

Na Era Vargas, numa explanação ainda mais veloz, houve um arremedo de autonomia da economia nacional, ainda que assentada na consolidação da classe burguesa. A industrialização, com breve atividade durante a 1ª Guerra Mundial, e melhor instalação da segunda metade da década de 30 em diante, também não implicou na emancipação da classe trabalhadora. Todavia, ela poderia ser uma importante etapa para as transformações sócio-econômicas, se não fosse a ação dos militares pós-64 que desfizeram o pouco que se iniciara.

Com a possibilidade de exportação de energia, por meio do chamado biocombustível, a economia brasileira regressaria a uma etapa, numa expressão livre, “pré-industrial”. Seguramente, o que há de industrialização no Brasil não se renderia - como nunca se rendeu - ao agronegócio, da mesma forma que o agronegócio nunca se desfez a partir da industrialização. Todavia, a incrementação da “agricultura energética” assumiria prioridades de produção.

E os prejuízos aos trabalhadores e povo em geral aumentariam ainda mais. A começar pelo acréscimo das dificuldades de abastecimento alimentar, tendo em vista que as terras mais férteis seriam disponibilizadas ao plantio da soja e cana (matéria-prima do biocombustível). Já sofremos com as vastas propriedades ora de monoculturas para exportação ora escancaradamente improdutivas. O biocombustível surgirá enquanto mecanismo de desagregação do cidadão.

A luta no campo tenderá a se acirrar, pois dificilmente os grupos sociais mobilizados para a justa divisão de terras se renderão sem resistência. E, nas cidades, a tendência ao inchaço e subemprego aumentarão

A economia de um país soberano deve visar o bem-estar de seu povo. A reforma agrária em parceria com um modo de produção agrícola voltado para o abastecimento interno de gêneros alimentícios e outros de igual importância seria uma alternativa emancipatória. Uma solução para o Brasil pode estar na ocupação do campo com agricultura familiar. Mas triste país este no qual se prioriza a riqueza individual (com propostas de biocombustível) em detrimento da qualidade de vida de seu povo.

Charge de Venâncio

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"O Senhor me ensinarr a chuparr cana, e eu ensinarr o senhorr a serr amado pelo povo."
"Como afim, bicho, que povo? Que povo!"

Coluna do Jens

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A noite em que fui Marconi Leal

O vibrante editor desta publicação quinzenal, RF, sugeriu, meio que intimando: escreve alguma coisa sobre a visita do Bush. Imediatamente a parte politizada dos meus neurônios assanhou-se com a possibilidade de baixar o big stick no celerado que governa os EUA e, por extensão, o mundo.
No entanto, a idéia não foi bem aceita por aquela parcela dos neurônios adepta da gandaia – bem mais numerosa que a outra, esclareço. “Porra, política de novo? Bush? Bullshit! (atenção revisão: confere se está ok). Deixa disso, vamos falar de esbórnia. Vamos sacanear alguém. O Marconi, conta aquela do Marconi!”

Ao lembrar o nome de Marconi, os garotos da fuzarca venceram a parada. Sim, a idéia era por demais atraente para ser desprezada: fuzilar Marconi Leal, o escriba genial. Além de escrever estupidamente bem, o nefasto ainda tem 30 dias de férias. Um escândalo. Sim, sim, estava diante de mim a oportunidade de vingar todas as ocasiões em que senti-me humilhado pela escrita hilariante e cristalina de ML. Sim, sim, sou um invejoso e a inveja é uma merda. E daí? A vingança é doce.
***
Sem saber dos meus intentos malignos, RF, o valente editor, concordou em mudar a pauta: sai George Bush, entra Marconi Leal. Vamos lá (ao fundo, risadas sinistras).
***
A história a seguir é rigorosamente verdadeira. Aconteceu na primeira sexta-feira do mês de março.

Depois de um dia árduo, dirigi-me ao Bar do Nereu, onde está localizado meu escritório (segunda mesa à direita de quem entra), a fim de reunir-me com meu associado Moah. Ao chegar, deparei-me com uma agradável surpresa. Sentada à mesa com meu sócio estava uma beldade escandinava que, seguramente havia burlado a vigilância dos deuses e escapara do Valhalla (confere aí revisão). Controlando a saliva que teimava em escorrer pelos cantos da boca e, ao mesmo tempo, fazendo um enorme esforço para desviar os olhos dos peitos monumentais apontados belicosamente na minha direção, dando a impressão de que a qualquer momento romperiam o tecido da blusa, tive o imenso prazer de conhecer Valquíria (Val, só podia ser), o contato de uma agência publicitária interessada em comprar espaço nas várias publicações editadas por nossa pujante empresa.

Concluídas as negociações, Moah retirou-se a contragosto para fazer o que sabe melhor: cavar mais dinheiro para nossa organização.
A Deusa igualmente cumprira uma longa jornada de trabalho que a deixara fatigada. Assim, iniciamos os procedimentos de relaxamento. Na terceira cerveja e na segunda dose de tequila, ela confessou que era fissurada na Internet. A fim de me exibir, disse que tinha um blog muito freqüentado. Com os olhinhos azuis brilhando, confessou que a d o r a v a visitar blogs. Gostava particularmente de um camarada que escrevia muito bem e era muito engraçado. Um tal de Marconi Leal.

Ao ouvir o nome de meu arquiinimigo, o demônio que vive nas garrafas de tequila me soprou uma idéia maléfica: “Vai, aproveita. É agora, seu tonto.”
Fui em frente, resoluto.
- Puxa, é a primeira vez que sou elogiado ao vivo.
- Como assim? Não vai dizer que você é ....
- O próprio. Marconi Leal em carne e osso ao seu dispor.
- Porra, é inacreditável, disse ela candidamente.
- Uma agradável coincidência, respondi, pressentindo que a sorte estava ao meu lado.

Ela me analisava.
- Pensei que você fosse mais moço....e mais gordo, bem mais gordo....
- A web engana muito. Na verdade sou muito jovem de cabeça e fiz um regime rigoroso.

- Mas você não era pernambucano e morava em São Paulo?
Sorri, cativante.
- Sou um camaleão. Hoje gaúcho morando em Porto Alegre, amanhã carioca morando em Minas Gerais. No universo virtual tudo é possível.
Levemente embriagada ela não só concordou, como achou graça, sei lá porque razão.

***
Bem, encurtando a história: graças a identidade de Marconi Leal, seu ídolo, Val, a Deusa, concordou em partilhar alguns momentos íntimos na minha companhia. Isto depois de derrubarmos mais algumas cervejas temperadas com tequila e acompanhadas dos acepipes magistrais do Nereu. Na saída, sub-repticiamente dei uma piscadela lasciva para meus despeitados companheiros de bar: “É hoje!”
Godofredo, meu companheiro inseparável nestes momento lúbricos, concordou, dando os primeiros sinais de vida: “Nos demos bem amigão.”

***.

- Porra, isso nunca aconteceu antes.
Estávamos numa grande cama de motel (suíte super-luxo). Godofredo, o traidor, jazia murcho, sem vida.
- Tudo bem, benzinho, isso acontece.
- Não, comigo nunca. Nem comigo nem com o Ziraldo.
- Como?, ela não entendeu.

Expliquei que eu e o famoso cartunista éramos os únicos brasileiros que podiam gabar-se de nunca haver negado fogo em situações daquela natureza. E nunca precisamos de aditivos artificiais como viagras e quejandos. Só catuaba.
- Bem, pra tudo tem uma primeira vez, disse a Deusa.
- Meu, Deus, o que vai ser da minha vida, choraminguei. Não devia ter comido aquele bolinho de bacalhau. Foi isso! Maldito Nereu!
- Calma Coninho, calma.

Epa! Ela disse a palavra mágica. Coninho, Marconinho... Sim, não fui eu quem falhou. Foi ele, o agourento Marconi Leal. Ao assumir sua identidade incorporei também os seus problemas, como a virilidade claudicante. Assim, o autor do vexame não era eu e sim ele, ELE: Marconi Leal.

- Não te preocupa, não vou contar pra ninguém, ela garantiu carinhosa.
Reagi indignado.
- Não! Quero que conte para todos teus amigos, especialmente amigas. Pode escrever na sua comunidade no orkut. Quero que as pessoas saibam que apesar de ser um escrita genial e ter uma inteligência acima da média, Marconi Leal é gente como a gente, uma pessoa sujeita a falhar como um homem comum. Pode contar, Aliás, faço questão que você espalhe a notícia. Mande email, torpedos...Tenho certeza que minha legião de fãs vai entender e se identificar comigo.

- Puxa Coninho, como você é sensível e preocupado com os outros, a ponto de desmistificar o mito da sua virilidade infalível.
- Isso sou eu, um benfeitor da humanidade.

***
E assim foi feito. No dia seguinte a notícia do fiasco de Marconi Leal percorreu a web como um rastilho pólvora.

Criaram-se comunidades no orkut. Algumas solidárias: “Os amigos de ML que também não dão no couro”; outras francamente hostis: “ML, vergonha da raça” e outras de inspiração gay: “Sai do armário ML”.

Fabricantes de Viagra e Ciallis correram atrás do impagável cronista, com vistas a contratá-lo como garoto propaganda. O nefando, porém, não foi encontrado. Estava de “férias” em lugar incerto e não sabido – possivelmente atônito e envergonhado, sem saber a origem da notícia infamante (hehehe...mais risadas sinistras).

***
Porém, como tudo na web, o assunto foi comentado com intensidade mas por pouco tempo. Os internautas logo acharam um escândalo mais fresquinho para divertirem-se.

Mas a web também tem o seu lado implacável. Seus arquivos vão registrar para sempre a verdade indelével:
Um dia, Marconi Leal broxou.
A vida é dura. A vingança é doce.

***
AHAHAHAH (gargalhadas sinistras)

***

(Quem ainda não conhece e tiver interesse em conhecer Marconi Leal, o gênio da raça, é só clicar no seu nome linkado aí ai lado entre os colaboradores da Reação Cultural).

Jean Scharlau

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Aos índiozinhos do planeta Roxo


Era uma vez um jovenzinho que morava numa aldeia que por sua vez morava bem fundo na floresta, centenas de quilômetros rio acima, que por seu turno fluia no continente Amazônia, que era o lugar mais verde do planetinha azul que se chamava Terra. Já faz isso um horror de anos e hoje naquele planeta já não existem mais jovenzinhos, nem aldeias, nem continente amazônico, nem verde, nem azul, pois azul era a cor do gás oxigênio, que muito havia na sua atmosfera e hoje também não há.

Mas a nossa história não é a de hoje mas a de há muito, muito tempo atrás, quando aquele planeta era lindo e habitado e suas águas, seu ar, seu solo, tudo era cheio, transbordante, efervescente de vida, compartilhada por zilhões de seres, uma infinidade, que jamais seria possível contar, pois era mais que as estrelas, mais que as palavras que podem ser ditas, inventadas e imaginadas, mais de trilhões, quatrilhões, quintilhões de vezes o que temos aqui neste nossoplanetinha Roxo.

Pois bem, aquele jovenzinho, da idade de vocês, que morava no meio da floresta daquele planeta exuberante e vivo (nós já sabemos que floresta era uma inimaginável multidão de árvores, tantas que podiam cobrir, e cobriam, um continente inteiro, e já sabemos também que as árvores eram verdes, como aquela lá no museu natural), pois um dia o jovenzinho foi visitar outro jovem, morador de uma enorme cidade, para retribuir a visita que dele recebera em sua aldeia. Quando eu falo em cidade, não imaginem algo como o que temos hoje, imaginem algo muito,muito maior, 200, 300, 1.000 vezes maior, para cima e para os lados.

O jovem da cidade fora à aldeia uma vez ensinar aos aldeões a higiene, a leitura e que mesmo morando em lugares e tendo hábitos que as colocavam muito distantes umas das outras, as pessoas eram parecidas e poderiam viver próximas. Logo que chegou perto da cidade o jovem aldeão notou que aumentava o número de veículos parecidos com aquele em que ele estava e viu que muitos deles, principalmente os maiores, soltavam fumaça por trás. Mais perto da cidade viu coisas muito estranhas, maiores que tudo que já tinha visto, retorcidas e feias, soltando muita fumaça por cima.

E era muito ruim o cheiro perto da cidade. Primeiro o jovem achou que alguém tinha comido algo estragado e passava mal, ou era mal educado e fizera sujeira ali dentro, então abriu a janela e percebeu que o mau cheiro estava no ar da rua. Suas decepções não pararam por ali, pois ao começar a entrar na cidade começou a ver casas muito feias, muito sujas, muito amontoadas, de uma feiúra que além do mais não deixava espaços, não deixava árvores, não deixava nem ruas, era uma feiúra toda e só. Quanto carro, quanto barulho, quanta correria! E as pessoas não estavam com caras boas.

Parecia que todos estavam muito zangados e tristes. Imaginou que chegara logo depois de ter acontecido uma grande tragédia, ou talvez aquela cidade estivesse sendo ameaçada por uma cidade vizinha. Foi com a face e o corpo tenso, o espírito apreensivo e em grande suspense que seu amigo o encontrou no terminal rodoviário (as vias de transporte chamavam-se rodovias, como vocês estão lembrados – vias para rodas).

(Segue na próxima quinzena)

Jean Scharlau
www.olobo.net

Jean Scharlau publica em:
www.jeanscharlau.blogspot.com
www.olobo.net

Conheça a TV Scharlau:
http://www.youtube.com/profile?user=jeanscharlau

Eles Dizem, Nós Dizemos

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Renan Calheiros (Presidente do Senado)
Artigo exclusivo ao Blog dos Blogs, 5 de Março de 2007




Ele disse:
“Moralizar o sistema político-eleitoral e fortalecer o Legislativo; enfrentar de vez a questão da segurança pública; rediscutir o pacto federativo; tirar as reformas trabalhista, sindical e tributária do papel e criar condições para a retomada do desenvolvimento da economia.”

Nós dizemos:
O povo está cansado de ter de optar por votar entre incompetentes e ladrões. Para tanto, deve legislar que ladrões e pessoas incompetentes sejam terminantemente proibídas de se candidatar. Precisamos enfrentar de vez a questão da desigualdade e injustiça sociais. Precisamos rediscutir a destribuição das incompetências e ficar atentos às desigualdades descomunais entre os poderes estaduais. Redundâncias. A economia que importa é o bem estar da população, e não das corporações.


Ele disse:
“O crescimento econômico com que todos sonhamos – governo e oposição, trabalhadores e empresários – não será resolvido com a aprovação de um ou outro plano, simplesmente.”

Nós dizemos:
Nem todos sonham com um crescimento econômico que inclua empresários, e sabemos que o governo é oposição, geralmente, ao povo. Quanto ao ‘não será resolvido com a aprovação de um outro plano,’ acredito que todos sabemos disso.



Ele disse:
“Mais: crescimento econômico tem que ser sustentável, tem que vir acompanhado de maior distribuição de renda, redução das desigualdades sociais e regionais.”

Nós dizemos:
Mais? Em primeiro lugar! Acompanhado? O crescimento econômico não existe a quem importa, se não for especificamente almejado o abatimento das desigualdades.

Ele disse:
“Cabe ao Congresso aperfeiçoar os mecanismos de controle financeiro, de elaboração e tramitação do Orçamento.”


Nós dizemos:
Estamos pasmos com tamanha afirmação revolucionária…


Ele disse:
“Ninguém discorda, afinal, que a implantação de um sistema de tributação mais justo é condição básica para a retomada do crescimento.”

Nós perguntamos:
Se ninguém discorda, e até eu concordo, porque já não foi feito? Porque os senadores recebem o salário que recebem, e isto, com que todos concordam, não foi ainda realizado? Qual é a possível desculpa?


Ele disse:
“Antes de votar o PAC, o Congresso terá o cuidado de ouvir governadores, representantes dos trabalhadores, do mercado financeiro e empresários de todos os setores.”

Nós dizemos:
Esperamos que exista esse cuidado. Assim, quem sabe, teremos esperança de que, algum dia, terão cuidado em ouvir o povo, nossos representantes congressistas.


Ele disse:
“Acabar com as distorções tributárias que alimentam a guerra fiscal e repensar um pacto federativo mais equilibrado são tarefas inadiáveis.”

Nós perguntamos, de novo:
Se são inadiáveis, porque as estão adiando?


Ele disse:
“Nessa legislatura, precisamos dar um basta à enxurrada de medidas provisórias que ferem a soberania do Congresso e tumultuam o processo legislativo.”

Nós dizemos:
Não é só isso que tumultua o processo legislativo. Entenda bem, Calheiros, qualquer pessoa que ganhe o que o senhor ganha para fazer o que o senhor faz, acrescido de benesses é um luxo que “supercompensa” a miséria de grande porcentagem da população, tumultua muito o processo legislativo. Da Bíblia: “E o suborno cegará os espertos, e ofuscará os olhos dos sábios”.

Ele disse:
“O Senado já aprovou mudanças importantes que vão colocar um freio à edição de MPs sem qualquer urgência ou relevância. Falta a votação na Câmara.”

Nós dizemos:
Sempre falta alguma coisa…

Ele disse:
“O único caminho para aprovar toda essa agenda – que não é do governo nem da oposição, é do Brasil – é o diálogo. Diálogo institucional, diálogo político. Governo e oposição, pequenos e grandes partidos, deputados e senadores têm, mais do que nunca, a responsabilidade de colocar o interesse público acima das divergências partidárias, se quiserem aprovar reformas de base e criar um cenário favorável ao desenvolvimento.
Mãos à obra.”


Nós dizemos:
Caro senhor Presidente do Senado… O diálogo deve existir, sim, mas é o diálogo do povo, entre o povo. Se o povo se unisse, ao invés de desmoronar na miséria que o assola; se soubesse pelo que lutar e se juntasse cabeças, unisse pensamentos e novas idéias, se soubesse ler e escrever, se coubesse ao povo análises intelectuais; se fosse bem representado, ao menos, se nossos estudantes fossem militantes e militassem por eles, se nossas organizações fossem levadas a sério, se não lhes fosse negado o trabalho, ou um salário digno e condizente aos gastos reais de uma família; se soubessem que é ele, o povo, o verdadeiro governo desta nação, se houvesse uma verdadeira integração comunitária, se as pessoas verdadeiramente se importassem com as diferenças, com a desigualdade… Então sim, meu caro senhor Presidente do Senado, não importariam os diálogos entre governo e oposição, não seriam adiadas as reformas que já urgem há tantos e tantos anos, não haveria necessidade da invenção de medidas provisórias, não viveríamos tão inseguros publicamente, não teríamos dificuldade em eleger ou em mandar para casa candidatos incompetentes e o legislativo não seria uma fórmula mágica para se criar maiores problemas… Resumindo, é disso que falava na edição passada: Simplificam o complicado… Complicam o mais simples… E nós, no planeta Terra, continuamos ouvindo o que eles têm a dizer, e retrucando com nossas próprias palavras.



RF

PS: Gostei muito do artigo, pela qualidade e pela seriedade, e pelo fato de que tocou em assuntos, e em uma ordem, que auxiliam o processo de raciocínio e análise sobre a situação nem tão atual do sistema político brasileiro. Sei, contudo, que a idéia que nos vendem é velha, e talvez esteja na hora de, devidamente, aderir a outras idéias velhas, menos populares, talvez, mas mais interessantes.

Poesia di Bernardi

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Verso desenganado de amor
nomeio-te lã.
Labareda.

Verso de mil faces,
apenas uma fulgura sobressaindo do
Inominável que te fulmina.

E é apenas nervo e carne.
E é apenas terra.
Teu reino.

Inóspito como um pomar de amarantos,
esse eu-reino sem riso possui apenas boca.
Labareda.

Frio a que te acostumas.
E exiges conduta
e me queres cordato.
Cordeiro.

Tosco.
Tosa.
Amavios.

Verso desenganado de amor
nomeio-te:
labirinto.


André di Bernardi

A Sacerdotisa e o Sexo Delicado

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O desejo

Há muitos anos venho tentando desenvolver algumas idéias sobre o desejo, sobre a vontade que impera sobre os sentidos, nos fazendo sentir sensações prazerosas ou desastrosas.

Lembro-me do meu primeiro desejo, da vontade do primeiro beijo, da ânsia voraz por aquele garoto do colégio e em minhas sensações juvenis tudo ganhava um superlativo maior do que o esperado. E havia a vontade, o desejo de ser amada, como se toda uma vida se resumisse em amar e ser correspondida.
Com o passar dos anos fui ganhando corpo, maturidade e o desejo até então pueril, ganhou formas mais sexuais, mais carnais e voluptuosas, maturava assim em meu corpo secreções, fluidos e mais desejo.

Houve tempos ainda que os desejos tinham conotações de ídolo, amava-se intensamente o mocinho da novela tanto quanto o cantor da bandinha pop. E no que tange a minha particularidade desejava mulheres, não por ser homossexual, visto que em mim nada denota essa tendência, mas por ser secreto, proibido e dizem os entendidos que o fruto do pecado é mais saboroso.

E ao saborear o tão almejado fruto, fartei-me pela delicadeza do ato, pela singeleza dos toques, dos beijos e afagos. Senti-me adentrando território sublime e sagrado, sacerdotisa do prazer consagrando o corpo aos deleites da sexualidade vivida e experimentada.

Com os anos o que era um fetiche passou a ser uma nova opção, uma vertente da sexualidade, levando-me a descobrir novas sensações, novos amores e paixões ardentes. Conseqüentemente, descobri que meus desejos suscitavam preconceito, olhares de recriminação e desdém, aprendi que a hipocrisia da sociedade faz com as pessoas se enquadrem em estereotipos pré-determinados, fazendo de nós seres diversos, uma aberração da natureza. Hoje, quase uma balzaca, analiso com carinho minha trilha do desejo, desde o primeiro olhar malicioso, até o primeiro frenesi, o primeiro gozo, a primeira satisfação sexual, vivenciei tudo o que o meu corpo pediu, não tive medo, preconceito ou fui hipócrita, subverti a ordem do que era certo e reinventei um caos todo meu.
Sucumbi ao sublime e indelével desejo dos anjos da luxúria, conjugando o verbo ser na amplitude total da existência humana.

E o que posso dizer para os que desejam e não realizam, saibam que os desejos são como sementes pequenas que brotam no coração e germinam na alma, e se acaso sua semente estiver sufocada pelo medo de se permitir, saiba que uma alma sem sonho e desejo é um ente morto pairando sobre o mundo feito zumbi, sem vida, sem vontade , sem felicidade.
Permita-se.
Viva.

CLAQUE-TE

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Mudando de foco: atores que dirigem

(por Roberto Queiroz)


Durante muitas décadas o cinema foi movido pelo modelo do star system (ou seja, um filme era medido pelos astros que dele participavam e não propriamente pelo roteiro que possuía). Portanto, não é difícil imaginar a responsabilidade de estrelas como Elizabeth Taylor, Marilyn Monroe, Ava Gardner, Clark Gable, Montgomery Clift, Cary Grant, Bette Davis, Paul Newman, Rita Hayworth e tantos outros que viam nos seus nomes na parte mais alta dos letreiros um termômetro para atrair platéias de todo o mundo para as salas de cinema. Pois bem: o cinema – e aqui cabe um destaque muito maior para Hollywood, que sempre tem a maior fatia do mercado – não obedece mais essa exigência de forma tão precisa hoje em dia. O modelo de indústria onde as cifras arrecadadas é reflexo do desempenho de seus protagonistas famosos já caiu por terra há bastante tempo (vide o fascínio que a sociedade contemporânea tem demonstrado pelos documentários).

O que faz a diferença hoje em dia em se tratando de mercado cinematográfico é uma boa história e uma pessoa de talento e competência na direção do projeto. O próprio conceito de ator está mudando cada dia com mais velocidade. Eles querem mais envolvimento com seus projetos. Querem produzir, escrever roteiros e, principalmente, dirigir suas próprias idéias. O século XXI tam nos dado uma nova safra desses atores multifacetados que atiram para todas as direções (apostam em todos os cavalos, desde que aquele animal tenha chances de vitória). Foi assim com Dennis Hopper e seu Sem Destino, filme que marcou a contracultura norte-americana e até hoje é cultuado por legiões de fãs (sem contar o fato de ter transformado a moto Harley-Davidson numa febre universal). Entre os mais antigos na passagem de atores a diretores, não há como deixar de fora o eterno caubói Clint Eastwood, que este ano nos presenteou com duas belíssimas produções de guerra (A Conquista da Honra e Cartas de Iwo Jima) e seus não menos importantes Os Imperdoáveis, Menina de Ouro (ambos vencedores do Oscar), Sobre Meninos e Lobos e Bird (que mostra a outra paixão de Eastwood: o jazz) e o galã Robert Redford com seus filmes-denúncia como Quiz Show: A Verdade dos Bastidores e dramas mais intensos como Gente como a Gente – que lhe deu o Oscar de melhor direção – e O Encantador de Cavalos.

Outros dois dinossauros da indústria cinematográfica que cedo se envolveram com esse lado da carreira foram o brutamontes Sylvester Stallone a saga do garanhão italiano na franquia Rocky e o pegador (satirizado por Tom Hanks no Globo de Ouro desse ano) Warren Beaty e seu belíssimo filme Reds, onde conta a história do jornalista John Reed. Outros que mostraram talento atrás das câmeras foram Kevin Costner com seu épico falado em sioux Dança com Lobos (vencedor de sete Oscars) além da aventura futurista O Mensageiro e o western Pacto de Justiça e o Mad Max Mel Gibson com suas produções que respingam sangue a cada fotograma gravado: Coração Valente (que lhe rendeu cinco estatuetas), A Paixão de Cristo – seu filme mais polêmico – e Apocalypto, dessa vez visitando a civilização maia. Da geração mais recente, podemos destacar primeiramente George Clooney (aquele mesmo da série televisiva Plantão Médico) e seus filmes Confissões de ma Mente Perigosa e o seis vezes indicado ao Oscar Boa Noite e Boa Sorte, one faz uma crítica ao macarthismo da década de 60 nos EUA. Tommy Lee Jones também se aventurou na direção (após guardar seu paletó de K da franquia Homens de Preto) e nos apresentou o belíssimo Os Três Enterros de Melquiades Estrada, onde mistura um clima bem faroeste com um drama humano contundente. O táxi driver Robert de Niro esse ano vem com sua versão sobre a história da CIA em O Bom Pastor e Emilio Estevez – o irmão mais comportado de Martin Sheen – conta num estilo bem Robert Altman as conseqüências por trás do assassinato do senador Robert Kennedy numa ousada produção. Isso sem contar as futuras direções de Laurence Fishburne em O Alquimista e Jack Nicholson em Onze Minutos, ambas adaptações de romances do escritor brasileiro Paulo Coelho em fase de pré-produção.

Isso, meus caros leitores, só para dar uma mostra do que esses geniais atores são capazes de fazer quando não estão atuando. Para quem pensava que cinema era só estética e que bastavam um belo corpo e um belo sorriso para venderem milhões de ingressos, eis uma ducha fria: fazer sucesso na sétima arte hoje é muito mais difícil do que isso. Envolve desprendimento, garra e principalmente conhecer o produto. E isso não se nasce sabendo.

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