Saturday, October 28, 2006

Index

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1 – Se você se preocupa com o Reação, leia o Editorial do editor que não edita clicando aqui

2 – Filósofo Viníciu comenta o Segundo Turno. Clique aqui para saber mais

3 – Mais uma hilaria crônica de Marconi Leal. Confira, clicando aqui


4 – O autor da Trincheira do Jens (linkada entre os Colaboradores) comenta A Voz do Povo. Saiba mais, clicando aqui


5 – A arquiteta Cristina Bondezan segue reagindo conosco em sua coluna sobre Arquitetura Social. Aprenda muito a respeito deste tema essencial, clicando aqui







6 – Uns toques sobre o toque musical, no ritmo juvenil e experimentado de Rodrigo Gerdulli, e sua Musa Musical. Clique aqui e dance com suas palavras





7 – O poeta André di Bernardi segue nos prestigiando com sua presença nesta Quarta Quinzena do Reação, em seu canto, Poesia di Bernardi







Editorial - Quarta Quinzena

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Olá amigos e amigas do Reação! Continuamos uma jornada interessante entre as demais páginas da blogoesfera. Ao longo deste percurso, que chega agora ao ínicio de sua segunda quinzena em seu segundo mês (nossa, como o tempo passa rápido...), aprendi a dificuldade que tem um copilador em administrar o tempo e prover algo agradável aos olhos de leitores, como vocês. As visitas não cresceram nem diminuiram desde o primeiro mês. Neste, passamos agora dos dois mil visitantes, e poderiamos chegar aos seis mil em dois meses, mas a divulgação também começou a se complicar no processo. O envio de emails em massa me é impossível por questões técnicas, e já levo algum tempo procurando solução. Logo, envio de pouco em pouco, diariamente, mas não estamos recebendo retornos expressivos diretos à administração. Quando recebemos alguma resposta, geralmente é para pedir que retiremos seu contato de nossa lista. Puxa! Como a coisa é complicada!

Um pouco da vida pessoal do editor, nesta quinzena que talvez nos serve para abrir os poros da razão do Reação. Estudo jornalismo, trabalho em uma companhia de aviação (pasmem), escrevo para um dos jornais de maior reputação entre imigrantes brasileiros no sul da Florida, Estados Unidos, chamado Achei USA; mantenho um blogue ativo na casa de meu amigo Fernando Vasconcelos em seu sítio pioneiro de filmagens veiculadas na Internet, o BRTV Online; e para finalizar, ainda preciso cuidar de minha própria arte, que já com o tempo que me restava, se comprometia em prol de outras prioridades.

Sou um cara intenso, como entitulei meu blogue (Os Intensos), mas não sei se no melhor sentido da palavra. Quando sugeri um ‘blogue-pasquim’ em minha casa internáutica, logo vieram sugestões de amigos e conhecidos. O próprio Fernando vinha me recomendando que começasse algo próprio, quebrando a cara e aprendendo no processo, talvez o único modo de verdadeiramente aprender qualquer profissão ou empreitada. Não resisti e comecei o fusuê, e conversando com pessoas queridas, juntei alguns textos e idéias e comecei a trabalhar. Rápido demais, pela intensidade, e rápido até um pouco exageradamente demais. O sítio está em construção, mas por ótima vontade de meu irmão-amigo Felipe Plattek, que também tem suas nobres ocupações e um casamento (esperamos todos) prestes a ser marcado (né não, Platão?). Verbas? Nenhuma, não. Aos caça níqueis...

Outro problema que o Reação encontra é a ausência de artistas cartunistas e afim. A princípio, tínhamos um excelente que publicou um livro, e nestas épocas de sua publicação acabou não podendo, de fato, se comprometer conosco. Pena para nós, mas ótimo para ele, e que siga trilhando com sucesso seus caminhos, porque nossa sociedade (qualquer, aqui nos Estados Unidos, em Portugal ou no Brasil) precisa de pessoas que transmitam suas idéias com talento e originalidade. O Reação que queria ser dono do mundo, percebe com seu idealizador que o ideal é lindo na idéia, mas como já me disse o amigo Jean Scharlau, na prática, a teoria é outra. Sem cartunistas, o trabalho fica por conta dos textos que ainda não encontraram um padrão fixo, e isto tem tudo a ver com a administração minha, sem desculpa alguma além da priorização de meus eventos atuais, que cada vez se acumulam em obrigações diversas, e para cuidar de um melhor futuro não se pode ignorar o presente.

Por enquanto, tentarei postar textos duas vezes por mês, e não uma vez a cada quatro dias. Os textos que chegarem depois da publicação, dependendo da disponibilidade temporal, serão adaptados, ou simplesmente incluídos nas próximas. Quem tiver interesse verdadeiro que o Reação Cultural cresça e se tome forma própria, enviem sugestões, textos, poemas, críticas, desenhos ou cartúns, porque nós precisamos de tudo, e precisamos de tudo sempre. Este espaço foi criado muito mais para vocês do que para mim.

Portanto, aqui segue a quarta edição do Reação camaleônico que ainda pensa se verá o amanhecer... Mas pensa paca!

Abrax a todos

Do editor que não edita
Roy Frenkiel
admin@reacaocultural.com

Filosos Vinicius Comenta

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A questão do segundo turno

Agradecendo a feliz oportunidade de participar desta inovadora iniciativa, venho expressar algumas linhas sobre o nosso segundo turno.

Como sempre, infelizmente, vivemos épocas de instabilidade e incertezas. O governo Lula surgiu enquanto promessa de rompimento com uma ordem sócio-econômica permeada de injustiças. Mas a história prefere ironias: um governo que se dizia de uma esquerda progressista assumiu ares conservadores, adotando práticas econômicas similares aos famigerados anos-FHC.

Essencialmente, permanecem os velhos desafios: a necessidade de ultrapassagem do neoliberalismo e consolidação permanente das organizações populares.

Vencer o neoliberalismo implica numa reorganização sócio-econômica em que se substitua um modelo de trabalho social e capital privado por um novo modelo de socialização do capital. Certo é que estas breves palavras abreviam uma série de relevantes questões. Todavia, o texto pretende apenas apontar possíveis (e antigas) causas de nossos modernos problemas.

Neste segundo turno, qual o candidato que representa a melhor opção? De imediato, a resposta mais sensata: nenhum. O candidato do PSDB implica no retorno do neoliberalismo em sua expressão mais comum. Serão menos investimentos sociais, privatizações de setores estratégicos, concentração de renda crescente, inviabilização da reforma agrária (apesar de que o governo Lula ficou devendo muito neste aspecto).

O canditado-presidente, por sua vez, criou frustrações ao manter algumas políticas neoliberais e por força das graves acusações de corrupção. Todavia, que não se espere milagre algum. Se as conquistas democráticas e garantias constitucionais asseguradas foram decorrentes de amplas mobilizações populares, seria pueril depositar integralmente as responsabilidades cidadãs num governo. O povo que se mobilize mais no sentido de criar a fazer valer direitos.

E como ficaria a gestão Lula? Ainda que se careça de um programa progressista por inteiro, é relevante ter em mente as condições em que um líder popular ascendeu ao poder: foram respeitadas as regras da democracia burguesa brasileira. Assim, o elitismo político-jurídico nacional teve que se contentar com um governo que se diz popular, apesar das pertinentes ressalvas. Votar no Lula exige maturidade no sentido de não se iludir quanto a sua política econômica num segundo mandato. Entretanto, um eventual segundo governo Lula significa a manutenção de uma onda anti-neoliberal que, para nossa graça, se espalha pela América Latina.

Marconi Leal

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NEGÓCIO ENTRE IRMÃOS
Por Marconi Leal


— Ô, cumpade, eu chamei ocê aqui pro mode lhe propor um negoço de irmão pra irmão. Como num gosto muito de conversa, vou direto ao ponto. É o seguinte: ocê sabe que eu tenho uma famía grande, espaiada por toda a região, num é verdade? São milhares de pessoa.

— Sei.

— Apois antão, como sou um sujeito muito apegado à famía, arresolvi trazer todo o mundo pro mode morar com eu aqui na fazenda.

— Ara, e vai caber todo o mundo na sua fazenda, cumpade?

— Num vai não, cumpade. Antão aí é que entra o nosso negoço.

— Como ansim?

— Ansim, ó: eu proponho tomar a maior parte da sua fazenda pro mode alojar os meu parente.

— Cuma? Ocê deve de tá brincando, cumpade!

— Tô não, cumpade. Veje: inda vai sobrar dois pedaço de terra procê e sua famía: um a leste e outro a oeste, onde ocês pode muito bem viver. Mai num pode atravessar minha propriedade, craro, que eu pretendo inté construir um muro.

— Ara, mai se eu num posso de atravessar a sua propriedade, como é que eu vou do leste pro oeste, cumpade?

— Mai ocê põe memo defeito em tudo, sô! Nós tenta arresolver as coisa de maneira justa e ocê vem com mesquinharia, diacho!

— Essa é boa, cumpade! Ocê quer dividir minha fazenda no meio, deixar dois naquinho de terra pro mode minha gente morar no maior apertado e inda não permite que eu atravesse um território que é meu!

— Seu, não. O cumpade vá me adesculpando, mai a partir de agora, o território passa a ser meu.

— Aié? E quanto ocê pretende pagar por isso?

— Um valor mai do que justo: nada.

— Ansim ocê me mata de rir, cumpade. Ocê acha que eu vou ser idiota a ponto de aceitar um acordo desse?

— Óia, num sei se o sinhô sabe, mai tem um monte de gente rica da cidade que tá me apoiando, viu? Nhô Buxe, nhô Blé, nhô Chirraque e mai um monte de gente importante.

— Oi, e o que é que essa gente que nem mora aqui, que mora lá nas distância, tem que ver com o caso?

— Sei não. Só sei que eles disse que se o sinhô num aceita a proposta, eles vem aqui com umas máquina muderna lá da cidade e destrói tudo.

— Pois eu arresisto, tá ouvindo! Reúno minha gente e arresisto!

— Mai eles tem exprosivo e outras arma que o sinhô num tem nem nunca se viu por essas redondeza. Coisa de inspantar, cumpade. Pense direitinho. O sinhô vai ter o seu lugarzinho. É meio apertado, às vez falta água e luz, mai pelo menos é seu lugar.

— Meu lugar é aqui, é na fazenda, cumpade! Nossa gente tá nessas terra há num sei quantas mil geração!

— Tô avisando ao sinhô. Vai ter guerra, cumpade.

— Apois que tenha! Eu vou arresistir como posso. E, se num tenho as arma do povo da cidade, vou me vingar de outro jeito, tá entendendo? Vou fazer qualquer coisa pro mode num perder meu canto!

— Tudo bem. O sinhô viu que eu tentei. Passar bem, antão. E me aguarde. A mais tarde eu vorto com meus amigo. Boas tarde. (para si) Eita, povo insensíver! Bem que eles me avisou que não dá pra conversar com esses tar de terrorista...

A voz do Povo

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Por Jose Edi Nunes da Silva, o Jens

Uma notícia tá chegando lá do interior
não deu no rádio, no jornal ou na televisão
ficar de frente para o mar de costas para o Brasil
não vai fazer deste lugar um bom pais (*)

Um fantasma ronda o Brasil.
Calma. Não se trata do ectoplasma vermelho do comunismo, como poderiam pensar os mais apressadinhos. A entidade em questão é multirracial, alcunhada pejorativamente pelo segmento letrado da sociedade como povão, populacho, choldra, escumalha, ralé. Foram eles os grandes responsáveis pelos 46.661.741 votos obtidos pelo presidente Lula no 1º turno das eleições presidenciais. E são eles que podem assegurar a reeleição de Lula na votação do 2º turno, dia 29 de outubro. E é essa possibilidade que assombra as elites políticas e intelectuais do Brasil.
Até então essa turma não tinha voz e vez na política nacional. Concentrados no Nordeste, eram manipulados pela oligarquia local - velhos coronéis como Antonio Carlos Magalhães, na Bahia e Tasso Jereissati, no Ceará. Para onde iam os caciques a choldra seguia atrás, movida por promessas nunca cumpridas e eternamente renovadas ou mimos concretos como dentaduras novas ou um par de chinelos. Agora, algo mudou, os oligarcas foram para a direita e o povão dobrou à esquerda. O que aconteceu?

A novidade é que o Brasil não é só litoral
é muito mais é muito mais do que qualquer zona sul
tem gente boa espalhada por esse Brasil
que vai fazer desse lugar um bom pais

Menos desigualdade - Uma resposta simples: “É a economia, estúpido!”, como disse Bill Clinton ao explicar sua vitória sobre George Bush pai, em 1992, que vinha de uma retumbante vitória militar no Iraque enquanto em casa a economia chafurdava na recessão.
No Brasil, nos últimos quatro anos, o índice de desigualdade social passou de 0,573 (governos FHC) para 0,559 (governo Lula); a participação dos mais pobres na renda nacional subiu de 14,4% para 15,2%; o desemprego caiu de 12,2% para 9,6%; foram criados no governo Lula por volta de 6 milhões de empregos, dos quais quase 4 milhões com carteira assinada, contra 700 mil no governo FHC; o valor do salário mínimo subiu de 55 dólares para 152 dólares; seu poder de compra passou de 1,3 para 2,2 cestas básicas e a inflação caiu de 12,53% no final do governo FHC para 2,8% atuais; o programa Bolsa Família, criado no governo FHC, hoje atinge cerca de 11 milhões de famílias. Os dados, ainda que não exaustivos, apontam para políticas mais estruturais. Esses números, transpostos para o dia-a-dia, significam uma efetiva mudança na vida das classes menos favorecidas. Não tão intensa como seria desejável, mas, sem dúvida, as coisas estão mudando para melhor. Para os mais pobres.
Considerando que agir de acordo com seus interesses não é exclusividade das elites, o povo fez a sua avaliação das políticas de governo e assumiu o seu lugar de sujeito político, recusando o cabresto e escolhendo de acordo com as suas conveniências.

Aqui vive um povo que merece mais respeito, sabe?,
e belo é o povo como é belo todo o amor
aqui vive um povo que é mar e que é rio
E seu destino é um dia se juntar

Pobres, negros e ignorantes - A autonomia popular gerou estupefação e revolta na “elite branca” (na expressão de Cláudio Lembo, governador de São Paulo) e manifestou-se de forma irada no seu braço midiático. Pesquisa realizada pelo Datafolha, identificou que dos 34 milhões de eleitores nordestinos, 24 milhões estudaram até o nível médio e possuem renda familiar que não supera os 700 reais. Como Lula conquistou cerca de 65% dos votos do Nordeste, os analistas do status quo concluíram que o tucano é o candidato dos ricos, brancos e escolarizados do Sul maravilha, e Lula é o candidato dos pobres, negros e ignorantes Nordeste atrasado. Ainda segunda esta interpretação, os últimos dariam pouco valor às questões ética e morais, uma vez que não se deixaram emprenhar pela catilinária exaustivamente repetida por todos os grandes órgãos da mídia no último ano, tentando vincular pessoalmente o presidente Lula a atos de corrupção, condenáveis, por certo, mas que não são privilégio do PT. Esta avaliação resgata uma idéia cara aos valores da “elite branca”, que reza que pobre, negro e com pouco estudo não tem condições de escolher governantes. Só poderiam fazê-lo aqueles com estudo "superior" a que os pobres nunca tiveram acesso neste país, como se fosse preciso estudar para saber se a própria vida está melhorando ou piorando.
Claro que naqueles momentos em que os pobres, negros e ignorantes acompanharam as preferências eleitorais da elite ninguém buscou expor com tanto alarde seu nível de renda, cor da pele e grau de instrução. Isso acontecia, por exemplo, quando essa parte dos brasileiros votava no PSDB.
Trata-se, portanto, de mais um exercício de hipocrisia. Um empresário deixaria de votar num candidato que realmente estivesse decidido a baixar impostos, mesmo que sobre ele pairassem suspeitas de corrupção? Claro que não. Votaria com o bolso. Todo mundo age assim, colocando em primeiro lugar os seus interesses materiais. Porque o povo pobre deveria fazer diferente e deixar de votar em quem o beneficia?
Impossibilitada de pautar o debate político no desempenho da economia, em razão dos avanços realizados na área pelo governo Lula, a mídia conservadora tentou marcar o confronto pela discussão da moralidade e da ética. Os deserdados da terra, percebendo o telhado de vidro dos acusadores, optaram pela economia e escolheram respondendo a duas perguntas: a vida ficou melhor ou pior? Pode melhorar mais?
O resultado foi o que se viu no 1º turno e as pesquisas indicam para o 2º: Lula lá.
***
Exemplo da lógica popular é o depoimento Eriberto, porteiro de um prédio no Leblon, na zona sul do Rio de Janeiro. Indagado sobre porque votou e vai votar novamente em Lula, explicou:
"Meu avô mora na Paraíba. O maior problema lá é seca e emprego. O governo do Lula construiu uma cisterna na roça dele, pra recolher a água da chuva pro resto do ano. E emprestou um dinheirinho, que deu pra ele comprar umas cabras. Com um tempão pra pagar e juros bem baixinhos. Produz leite e queijo. E não carece mais de viajar léguas pra pegar água. Os outros governos mandavam construir açude nas terras dos donos mais ricos. Ia me esquecendo: também mandou colocar luz elétrica".

Pois é, simples assim. Quem pode dizer que ele está errado?
***

(*) Notícias do Brasil, de Milton Nascimento e Fernando Brandt

Arquitetura Social

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Plano Diretor de Desenvolvimento Integrado ( PDI )

Por Cristina Bondezan

Ou simplesmente Plano Diretor , como é ( pouco ) conhecido pela população, é o maior instrumento de gestão e planejamento contínuo dos municípios - obrigatório para aqueles com mais de 20.000 habitantes, cuja função precípua é a de estabelecer diretrizes para ações públicas e privadas , objetivando assegurar um desenvolvimento local socialmente justo, economicamente viável, de respeito ao meio ambiente , determinando e estimulando vetores de crescimento sustentável , com a participação também da comunidade. Sua elaboração visa cumprir exigência do Estatuto da Cidade, lei esta que tramitou 11 anos entre Câmara e Senado para ser finalmente sancionada pelo Congresso Nacional em julho de 2001 , considerada das mais progressistas e com autêntico caráter social , buscando beneficiar os moradores das favelas , cortiços e invasões, legalizando o seu direito de moradia - talvez por isso o então Ministro das Cidades Sr. Olívio Dutra em 2003 , na Conferência das Cidades em SP , depois de um discurso inflado, digo, inflamado de 50 minutos ( cuja média era de 10 minutos por componente da mesa ) , tenha atribuído a aprovação do Estatuto ao governo Lula , fato esse logo após sutilmente corrigido pelo próximo orador , o então governador do Estado Geraldo Alckmin . Nesse dia eu estava na platéia entre arquitetos e planejadores que perceberam o lapso “surrupiante ” do Ministro Dutra.

Quanto ao Plano Diretor , deve ser elaborado para uma perspectiva de médio prazo - geralmente 10 a 20 anos - estando sujeito a reavaliações periódicas e sem prazos definidos, mas sempre que fatos significativos do fenômeno urbano o requeiram, sendo sua diretrizes e prioridades nele contidas integradas e incorporadas a Lei de Diretrizes Orçamentárias , ao Orçamento Anual e ao Plano Plurianual dos municípios. Neste processo, é fundamental a participação de diversos setores da sociedade civil e do governo: técnicos da administração municipal, órgãos públicos estaduais, federais, cientistas das Universidades, movimentos populares, representantes de associações de bairros e de entidades da sociedade civil, além de empresários de vários setores da produção.

O último prazo para aprovação dos Planos Diretores foi 10 de outubro próximo passado , mas , fato a confirmar, parece que apenas 20% dos municípios brasileiros conseguiram aprová-lo até a data limite. Resta-nos , na qualidade de técnicos , urbanistas, estudantes, comunidade informada , cobrar as autoridades municipais o cumprimento da Lei, já que o “ o grande povo “ pouco ou nada poderá fazer nesse sentido , aliás como em vários outros , como sempre. É uma oportunidade ( ainda que com uma certa dose de romantismo ) de pintarmos nosso quintal e colorirmos um pouco mais o mundo.


Cristina Bondezan é arquiteta e urbanista. Nasceu e cresceu em São Paulo entre os italianos dos bairros do Cambucí e da Mooca. Exerceu cargos públicos na área de Planejamento Urbano, é docente do curso de "Design de Interiores "nas disciplinas : Projetos, Revestimentos , Gestão e Empreendedorismo. Seu escritório profissional situa-se na cidade de Marília, interior de SP . Um sonho : Ver o Brasil livre do parasitismo político . Um prazer : viver em amplitude e com olhos atentos...

Toque de Toque - Gerdulli e a Musa Musical

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Faça você mesmo
Por Rodrigo Gerdulli

Rãsh! É com prazer que vejo que o Reação Cultural está conquistando, mesmo tão logo, seu espaço. Após meu texto de estréia, algumas pessoas procuraram-me para comentar as idéias que apresentei. Confesso que não esperava e fiquei muito contente.
Esse contato com o público é fundamental, pois mostra que o projeto está sendo válido. Portanto, antes de apresentar-lhes novos artistas, que é um dos meus objetivos, gostaria de aproveitar de outra maneira esta oportunidade que me foi dada.
Conhecem o lema punk "do it yourself"? Não há nada mais louvável no meio artístico, sobretudo no musical, que o "faça você mesmo". Vou dar um exemplo, e acredito que os leitores que não moram nos grandes centros se identificarão. Sobretudo nas pequenas cidades, há uma grande massa que gosta de um mesmo estilo musical, normalmente o que está na moda. Da mesma forma, existem os excluídos, que ouvem outros sons e sempre reclamam da falta de um espaço alternativo, tampouco eventos que os agradem.
Aqui em Marília a situação é razoavelmente boa, mas já foi igual à que citei. Poucos anos atrás, não havia sequer um bar que satisfizesse as necessidades dos amantes de rock and roll, e as bandas ou tocavam em outras localidades ou bastavam-se aos ensaios e festas esporádicas. Em meio a esse cenário, um amigo, o Bart, teve a ótima idéia de fazer em sua casa um churrasco, convidar os mais chegados e botar duas bandas para tocar. Como era seu aniversário, batizou a festa de Bartstock, uma alusão ao Woodstock. Tempos depois, decidiu repetir a dose, mas com mais amigos e mais bandas. Criou-se, então, o Lollabartooza (já ouviram falar do Lollapalooza, né?), que se realizou em uma chácara e nasceu com pinta de festival. O Lolla, como também é chamado, atualmente ocorre todo semestre e a cada edição há mais pessoas interessadas em participar dele, seja prestigiando, seja tocando. São 24 horas ininterruptas de música e divertimento.
Após algumas edições e o reconhecimento do público, tornou-se louvável o fato de que começaram a ser formadas bandas com o objetivo principal de tocar no Lolla. A interação entre músicos — algo importantíssimo — e o espaço aberto para iniciantes e àqueles que não tem oportunidade de mostrar seu trabalho em locais convencionais também são pontos positivos desse tipo atitude.
Minha intenção ao contar sobre tal festival é mostrar que de nada adianta reclamar sobre algo estando acomodado. Se você sente falta de qualquer coisa, como saraus de poesia e clubes de cinema, por exemplo, drible as dificuldades e organize um. Se onde você mora aparentemente não existe ninguém que se interesse pelo assunto, não tem importância, organize sozinho, divulgue e surpreenda-se. Talvez o sucesso não seja imediato — o próprio Lolla levou algumas edições para chegar ao que é hoje —, mas não desista. Garanto que com o passar do tempo estarão satisfeitos com o resultado.
É algo digno, vamos lá! Do it yourself!




Rodrigo Gerdulli
(Escrito ao som de The Strokes)

Rodrigo Gerdulli é músico, tradutor e colunista esportivo. Também é uma daquelas pessoas que, antes de nascer, ainda no céu, Deus aponta e diz "deste aí eu vou rir".

Poesia di Bernardi

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Por Andre di Bernardi

Receita

Para recender,
dia e noite,
dentro do coração pelado:

um capote de almíscar,
um plural de pássaros.

Para asa feita de sempres:

um cocar de estrelas,
ressurgências, reaçudes, namorados,
papoulas, camélias, camílias,
narcisos, adegas e nardos.

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Adereços

Para aquele de pequeno talhe.
Para aquele lugar imenso,
parcial, ígneo, diferente.
Para o que for muro em seu
coração
essa pichação:
amor
em letra miuda, mas consistente.

Isso quando o sol,
soldado de Deus,
der de soldar ali a luz.
Isso quando a lua.

Para vicejar no que virar pedra:
uns verdes, uns musgos estranhos
e, claro, todo um mar adjacente.

Canto dos Versos

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Árvore

Hoje, Jesus já se preparava pra nascer
num cocho de manjedoura que serviu
de berço, e de amparo e merecer
ser a coisa primeira que Ele viu.
Imagino o orgulho que sentiu
a árvore que morreu pra lhe fazer.

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Soneto

Vento

Basta o vento bater em desalinho
pra que a vinda do vento em desalento
seja ao leme, o mais temido tormento,
das naus à deriva em seu caminho.

Se o vento inventa redemoinho
e iça velas que levam ao encantamento.
A calmaria desfaz em um momento
nos corações dos náufragos, o torvelinho.

Mas decide-se virar a estibordo,
salta o mastro, antagônico, a bombordo.
Parece à vida não ter mais cabimento.

Repare que o coração ainda bate,
em qualquer mar furioso, há resgate.
Basta um sopro de vida pra ser vento.



Por Moita

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