Thursday, March 01, 2007

Index Quinzena 12 - de 01 a 15 de Março

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Renovando o pedido:
Ajudem-nos a formar uma Mega- Super - Indispensável Rede Reativa!Contatem-nos por e-mail , carta, pombo-correio ou garrafa atirada ao mar!Vocês gostariam de ver algum tema abordado aquí?
Gritem!
Vocês tem algo a dizer?
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ADMIN@REACAOCULTURAL.COM


1 – Este editorial está de tocar o coração... Como esse, só no Reação!

2 – Nos habituais Comentários da Quinzena, apresentamos a Jiló, nosso Contestador Oficial, após exaustivas entrevistas, desistência, e contratação imediata do último candidato a Contestador Oficial do Reação

3 – Nossos Retalhos estão de rachar o bico, ou queimar o cérebro. Veja em qual das categorias você se adapta, clicando aqui!

4 – Ana Luiza Schifflers estréia sua coluna de Fotos, Gente Diferente. Clic aqui, e confira suas imagens!

5 – Nossas Estatisticas Reativas revelam os problemas escondidos dos olhos da população. Se duvidar, clique aqui para ter certeza de que está certo tua certidão!

6 – A Charge do Venâncio está imperdível. Não é que ele conseguiu um retrato falado de um protesto organizado por cidadãos de bem em nome de João Hélio? Cliquem aqui, pela curiosidade!

7 – Halem “Quelemén” de Souza segue sua coluna O Povo e o Livro. Desta vez, fala de um assunto essencial a todos nós, e ao nosso conceito sobre a literatura. Você só lucra clicando aqui!

8 – Vinícius Magalhães e sua Filosofia do Direito estão de volta, a falar sobre a violência. Prometemos poucos hematomas, e uma ótima leitura se clicar aqui!

9 – Nana de Freitas está de volta, e com a corda toda! Acompanhem-na comigo, em seu Canto de Nana, clicando aqui!

10 – A Sacerdotisa resolveu aderir a um só tema, e a cada quinzena que Oxum permitir, escreverá a coluna Sexo Delicado, que você pode ler e gozar clicando aqui, somente aqui, no ponto G do Reação!

11 – Silvio Vasconcelos nos tenta com um convite especial. Me Beija, diz ele, e digo eu, cliquem aqui que não te arrependerás!

12 – A primeira parte da contribuição de Edson Amaro, o fantástico texto Memórias. Clique aqui, para relembrar as suas!

E é isso aí que está ali, ou aqui, dependendo da referência! Voltem sempre, e até a próx!

Comentarios da Quinzena

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No Editorial

De Halem Souza (Quelemén)

É, meio inevitável falar desse assunto, não? Também sou pessimista; trabalho com educação pública há muitos anos. Não vejo seriedade alguma em muitos dos que ocupam cargos em prefeituras, governos estaduais, ministérios e presidência para realizarem as políticas públicas necessárias.

Por outro lado, cadê a contribuição da elite empresarial, que só sabe falar de reforma tributária e reforma trabalhista (pra esculhambar mais ainda os trabalhadores), e não se movimenta em nada pra diminuir o problema da desigualdade gritante e desumana do mível de renda. mexendo em suas margens de lucro?

E falando em políticas públicas, gostaria que o FUNDEB fosse tema em uma próxima edição do "Reação". Tenho algo a dizer sobre isso...Um abraço.

De Ophélia

Gênio, era isso que faltava alguém dizer, nesse luto coletivo e cotidiano. Valeu a resposta.

bjs

Ophélia


De Jens

Ácido, amargo, mas certeiro. Na veia. Certas chegas sociais nunca devem deixar de ser expostas. Lavou a alma.


De Jean Scharlau

Roy, há um quesito de sonoridade de que discordo. Acho que os assassinos não ouvem sinos, a trilha sonora é outra - os sinos remeteriam ao "não matarás". Acho que tem mais tambores e estampidos nas mentes dementes. De qualquer forma talvez haja um lado bom na evocação dos sinos - isso pode fazer lembrarem aquela regra, ao ouvirem os internos estrondos.

Resposta do Contestador Oficial do Reação

Halém, cadê mesmo essa contribuição? Hem, hem? Mas vamolá, me responde antes cadê Papai Noel, Coelhinho da Páscoa, Mula sem Cabeça? Só encontro o Lázaro Ramos, com direito a momentos sinistros de dejá vous. Lasca o FUNDEB pra próxima, amigo, nosso editor é frouxo mesmo. Jens, eu tenho um remédio pra esse tipo de asia. Chama-se alienação. Nem preciso te vender, você acha feito cocô de cachorro, pelas ruas da cidade, no asfalto mais perto de você! Ophélia, tá chamando o editor de gênio? Sabe a foto ridícula que ele tirou e colocou no último editorial? Tava se olhando no espelho (e não usava nada da cintura para baixo). Jean, ACUMA???

Tapinha não dói, do Jiló
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Na coluna de Silvio Vasconcelos

De Halem Souza (Quelemén)

Sílvio, por incrível que pareça, só agora vim conhecer seus textos. Ótimos, por sinal. Esse "Bom dia, meu velho" é ideal pra essa geração "kidults", que tem terror de envelhecer. Bacana.


De Jens

Beleza, beleza. Não conhecia o teu trabalho. Gostei. Uma agradável surpresa de uma tarde sábado de carnaval.

Resposta do Contestador Oficial do Reação

Vocês podem e devem acompanhar o trabalho de Silvio em seu blogue Contos e Encontros. ALIENADOS! Prffffffff

Prffffffff, do Jiló
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Na Ilustração de Espresso

De Meneau

Só uma pergunta: e agora, quem é que vai comer esse churrasco?

De Jens

PQP, legal pra c***
Jens, o bagual, grosso como ele só.
De Jean Scharlau

Opa! Vira esse espeto, Rodrigo.

Resposta do Contestador Oficial do Reação

Meneau, serão os alienígenas que ocuparão nosso lugar nesta Terra. Mais avançados do que nós, claro, como o Alien, Ralph o E.Teimoso e a Britney Spears (Ou a Kelly Key, sua sósia brasileira). Jens, vamos parar com grosserias, rapaz? Quem é essa P e quem foi Q ela P? Jean, queres que viremos para o Norte ou para o Sul, para o Este ou Oeste?

Desorientado, do Jiló

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Na coluna Poesia di Bernardi

De Jean Scharlau

Belo poema.
É agarrando as folhas (e até as flores) que se arrancam as raízes. E há quem o faça, para o bom e o mau sentido.

Resposta do Contestador Oficial do Reação

Nada a declarar, o Bernrdi é bom pra Bernardi, mesmo!

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Na coluna de Vinícius

De Meneau

Ilustre Filósofo Vinicius - e olha que eu votei no Lula em diversas oportunidades, e na última eleição, apenas no 2º turno - digo que deve haver alguma coisa de errada num governo, que elegeu-se com o compromisso moral de diminuir a desigualdade de renda, mas no qual bancos e outras instituições financeiras batem recordes de lucro!

Como o escriba, também me considero uma toupeira em análise econômica, mas acelerar o crescimento do bolso de quem? (aliás, fiquei feliz pela sua sagaz observação a respeito do bolso da iniciativa privada).

Falam do aumento de crédito disponível para a população de baixa renda no governo Lula. Pergunto: comprar DVD, celular e "otras cositas mas" em suaves prestações será sinônimo de crescimento econômico? Um abraço.

Resposta do Contestador Oficial do Reação

Meneau, tu curtes comentários cabeludos, né, fala sério! E outra, só votou no segundo turno? No Primeiro votou em Enéas, aposto! Ou será que foi o seu voto que re-elegeu o Busho nos Isteites, aquele que sobrou no estado da Florida? Só tolos respondem perguntas com perguntas...

Feit’um Tolo, do Jiló

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Na coluna O Povo e o Livro

De Caiê

Olá Halem.
Para mim, toda a literatura válida é aquela que nos faz acordar para uma realidade que sempre esteve diante dos nossos olhos ou dentro de nós mas que nunca notámos antes... É aquela que nos dá um estalo na cara (os brasileiros dizem um tapa, eh eh eh!) para a gente viver mais despertos, para a gente ficar mais vivos daí em diante. :) :)

Li o que me disseste sobre Descartes. Tens razão - mas eu é que nunca concordei com esse senhor. Como posso concordar com alguém que disse que um animal é igual a uma máquina? ;)
Abraço.


De Escafandrista

Concordo inteiramente com você, Halem. Certas obras não devem ser consideradas literatura, nem se deve aplicar a elas o arsenal analítico da crítica literária. O resultado é conhecido de antemão e acrescenta muito pouco ao leitor (da obra e da crítica).
Abraços.


Resposta do Contestador Oficial do Reação

Caiê, você fala engraçado paca, tá parecendo colonizadora! Descarte Descartes, em sua época queimavam bruxas que falavam como colanizadoras... Escafandrista, PUXA SACO!

Indignado com Colonizadores e Puxa-Sacos, do Jiló

Mais comentários com as colunas em seus respectivos arquivos. Deixem de ser preguiçosos e leiam o que vocês mesmos dizem sobre o Reação!

Beijos nos seus Corações Sangrentos, do Jiló

Editorial Quinzena 12 – 01 a 15 de Março

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Como Nossos Pais – Foto de Hilo Paulo Frenkiel, meu pai, meu deus, aos 17 anos de idade em Cornélio Procópio, Paraná




Gentes minhas, cara gente, tanta gente! O Reação, por incrível possa parecer, está crescendo de verdade verdadeira. Na última quinzena conseguimos, por primeira vez, trazer cartunistas a vocês conforme o prometido desde a primeira edição da revista blogal (perceberam o trocadilho?).Além de um novo administrador publicitário, Vinícius Magalhães, que tem sido uma imensa ajuda ao ponto de eu me questionar como pude sem ele até agora, também contamos com Adriana Rezende, copydeskeando (consertando o que eu não tenho competência ortográfica/gramatical de consertar). Agora, temos a Liliane Corrêa, que em breve estreiará sua coluna de entrevistas com personalidades bacanas! Meu maninho, Yaniv Frenkiel, também entra em nosso time e mostrará seus quadrinhos, de idéia conjunta, a cada quinzena que nosso tempo permitir.

No editorial passado, desabafei meus sentimentos a respeito do assassinato de um menino que, como muitos outros meninos e meninas, encontrou sua morte à véspera, de modo brutal e desumano. Disse o que sentia, porque sei que a população, quando sente como massa, acaba projetando seus sentimentos massivamente. Quando nos frustramos com aspectos de nossas vidas pessoais, raramente podemos descontar em quem merece. Eu, por exemplo, não posso mandar meu chefinho querido tomar banho na soda quente, pois sei que se fizer isso, quem banhar-se-á na cáustica serei eu. Assim, chego em casa, e desconto no maninho, na maninha, ou antes mesmo de chegar em casa já encaro o três por quatro no trânsito, e sáio correndo acelerado. Projetar sentimentos negativos nas pessoas que não os merecem, também faz parte de nosso ciclo ‘natural’ de engolir sapos cotidianos.

No entanto, há uma onda de racismo que se abriu, acolhendo consigo a homofobia ainda freqüente, logo um ar que ostenta o ódio pelos mais fracos, ao invés (uma lógica substituição) do arrependimento por contribuir diretamente ao que se vê por aí. Isso sim é temeroso, e me preocupa profundamente.

Rui Martins me enviou um e-mail com uma resposta sua a outro leitor aflito, dizendo que uma das mais importantes soluções ao problema é o aumento de empregos. Concordo... Li em outros veículos que o problema é o superávit primário, o déficit no orçamento, os juros, a inflação, as multi-nacionais, a privatização, e muitos outros nomes dos quais pouco ou nada entendo. Entendo que, no fim da semana passada, assisti ao filme “John Lennon versus E.U.A” e voltei à conclusão que já tive no passado, desculpando minha ignorância em outros setores: Tudo o que importa é lograr a paz. Não só a paz no contexto de guerras civis ou nacionais, urbanas ou externas, mas a paz na sociedade, na qual cada indivíduo conta, sabe que conta, e sente-se portanto motivado a contar. O resto, com todo o respeito, parece ser resto.

Disse-me um rapaz de Barbados, duas vezes o meu tamanho, com quem sempre discuto e me exalto por termos ambos o mesmo comprimento de pavio, que todos os problemas da humanidade advém de baixa auto-estima. De minha parte, não acredito que seja apenas a baixa auto-estima, mas concordo que todos os nossos problemas derivem da mente humana, e não de quesitos externos e conceitos inventados. A antropologia, sociologia, ecologia e outras ‘ias’, não conseguiram, ainda, explicar a essência do indivíduo. A psicologia se acerca, e a filosofia cria possibilidades, mas estas até hoje apenas nos remetem a procurar novos conceitos, novas invenções, para ilustrar o que circula dentro de nós. O importante é que sabemos que somos melhores do que o que estamos acostumados a ver por aí. Somos melhores do que o caos que se amontoa inconstante, do que a escuridão que impomos aos nossos filhos e aos nossos netos quando contribuímos intrepidamente à poluição ambiental.

Com meu camarada concordei que a essência do ser é seu maior problema, seu maior obstáculo. É ignorando esta essência, esse mecanismo, que criamos nossas projeções e descontamos nossas raivas nas pessoas erradas. Através desta essência, procuramos satisfazer nossos desejos primitivos, e conseguimos dormir às noites mesmo pisoteando – ou ignorando, o que não difere muito – outras pessoas ao longo de nossos caminhos. Nossa tendência, em um mundo de absurdos comuns, e uma maioria imbecíl, é complicar o que há de mais simples, e simplificar o que é complicado. Logo, nos atrapalhamos nas ciências incontáveis, e acabamos criando, para variar, uma realidade hipócrita, que teme sua própria existência, e mente-se só. Desmente-se só... Morre antes mesmo de nascer...

É viável o contrário do contrário, quando a mensagem é positiva e plena ao invés de assustadora e complexa, como é a mensagem do filme de Lennon assistido no fim da semana passada. Todavia, alguém andou convencendo nossos jovens que crescer é se esquecer das utopias e ‘cair na real.’ Esse alguém andou conversando com Lula, que já desistiu da 'esquerda' por passar dos cinqüenta anos de idade, como se isso fosse motivo para se desistir de uma ideologia, seja ela qual for. Pobre da pessoa que conseguiu se convencer de que são falsas as utopias, e verdadeira a estupidez imunda que a humanidade hoje em dia ousa chamar de realidade. Se amadurecer significa entender os próprios limites, que ao menos entendam, a maioria de nossos maduros disfuncionais, quais são os seus. Que não se escondam do dever de seu livre arbítrio, e assim exemplifiquem mais jornadas moribundas e desesperadas.

Pobres das pessoas que pensam que a inocência reside em se desejar e pregar, simplesmente, a paz e a vida como símbolos máximos, igualmente a todas as pessoas de todas as raças e todos os credos e todos os sexos e orientações sexuais. Igualmente, até, a todos os animais de todas as espécies. Paz... Amor... Palavras cheias e tão vazias, ignoradas por uma civilização que ainda procura na morte a solução absoluta para os dilemas da vida. E tenho dito...

Aos abrax, espero que curtam as novas colunas, e se curtirem damos continuidade,

Roy Frenkiel
O Editor que nada edita
admin@reacaocultural.com

Retalhos

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(Inspirado de leituras esporádicas do GIP! GIP! NHECO! NHECO! Por Ivan Lessa e Redi, agora compilado por Lessa e publicado pela editora Desiderata.)

Religião
Deus é brasileiro, negro, e se chama Pelé.

Meio Ambiente
A natureza morta é a única natureza que, ao vivo, poderão contemplar nossos netos.

Oriente Médio
No Oriente Medio, os palestinos são judiados.

Fronteiras & Muralhas
O unico problema das Muralhas, é que depois de construí-las, seus operários não têm como voltar para casa.

O melhor do Brasil é...
O melhor do Brasil são as Multinacionais.

Gente Diferente - Fotos de Ana Luiza Schifflers

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Gente Diferente



À espera de Godot; ou da próxima cachaça… (Ao som de Chico: “Amanhã vai ser outro dia!”)





Ela retém os menores detalhes, nos detalhes das palmas de suas mãos.






“Só o olho do peixe era desse tamanho, pai, tô falando.”
“Só acredito vendo… Isso aí tá mais parecendo o rombo que ocê tem no fundo do bolso da calça… E eu, nos meus dentes.”











Quem é você? Adivinhe, se gosta de mim






Estatísticas Reativas

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(Inspirado de leituras esporádicas do GIP! GIP! NHECO! NHECO! Por Ivan Lessa e Redi, agora compilado por Lessa e publicado pela editora Desiderata.)

Freud Explica...
3 em cada 4 psiquiatras precisam de terapia, e fazem com o quarto.

1 em cada 4 padres do Vaticano cometeu algum ato de abuso sexual a menores. Os outros 3 ficaram calados.

Miséria
3 em cada 4 mortos são pobres. O quarto morreu de causas naturais.

Fronteiras & Muralhas
3 em cada 4 estadunidenses pensam que Buenos Aires é a capital do Brasil. O outro pensa que o Brasil é a capital da Rússia.

Showbiz
3 em cada 4 atores brasileiros são Lázaro Ramos.

Charge de Venâncio

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Retrado falado do protesto de cidadãos preocupados com a Impunidade
Da esq. À dir.

Maluf, Aécio, Capaganga contratado do PCC, Sarney, & Collor

O Povo e o Livro

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Ser ou não ser Literatura: uma arbitrariedade?
Por Halem “Quelemén” de Souza

Em edição passada desta coluna, aqui no REAÇÃO CULTURAL, escrevi a respeito de Sidney Sheldon e afirmei não possuir ele nenhum mérito literário, embora não seja desagradável lê-lo. As observações feitas, na seção de comentários, naquela ocasião, e a consulta posterior a algumas de minhas anotações me estimularam a continuar a debater o que se define ou o que se entende por Literatura.

Para tanto, lançarei mão de um livro fundamental para todos os interessados no fenômeno literário: “As contraliteraturas”, do escritor argelino Bernard Mouralis (Coimbra, Alamedina, 1982). Mouralis adverte em seu livro que a Literatura é uma das “mitologias do nosso tempo” e, em sua análise, recorre a diversas perspectivas: sociológica, histórica, educacional, política, estética. E afirma:

“Se, como podemos esperar, o conhecimento das obras 'literárias' vai diminuindo à medida que nos afastamos das classes mais favorecidas, o reconhecimento da literatura como valor encontra-se, pelo contrário, no conjunto de respostas dados pelas diversas categorias interrogadas. Descobrimos assim a existência de um mito da literatura cuja origem não assenta necessariamente numa experiência e numa prática pessoais da leitura, mas que, de certa maneira, é proposta do exterior como modelo.”

Desse modo, a chamada “grande literatura” “tende a impor-se do centro para a periferia do corpo social”. Sendo, ao mesmo tempo , “uma instituição, um corpus e um sistema”, a Literatura é um conceito de difícil definição. “Mas a impossibilidade em que nos encontramos de dar à literatura uma definição teórica não impede de forma alguma que esta exista de modo muito concreto e que seja entendida como tal sem a menor ambigüidade”, lembra-nos Mouralis.

Com o tempo, certas obras são consideradas como exemplo de arte literária e constituem o cânone, que estabelece o que é “bom” e o que é “ruim”. Mas cabe a pergunta: por que se escolheram estas obras e não outras? Pode-se responder que nelas há uma qualidade estética ímpar. Mas quem define esta qualidade? Não se pode negar aqui a dimensão política da questão estética. Basta lembrar a máxima marxista, exposta em a “Ideologia Alemã” - e não sei por que insistem tanto em falar de superação do Marxismo! - de que “a ideologia da classe dominante acaba por se tornar a ideologia da sociedade como um todo”...

Os critérios estéticos, internos e circunscritos – em sua maioria, subjetivos – das obras não são, portanto suficientes para determinar a “literariedade” de uma obra. Ainda mais na contemporaneidade. Como afirma Mouralis, o estatuto (ser o não ser literário) de uma obra “constitui o produto de uma convenção e não assenta, por isso, em nenhuma característica própria da obra. É por isso que uma mesma obra ou um mesmo tipo de obras podem muito bem ver o seu estatuto modificar no tempo ou de um lugar para outro.”

Diante disso, vale afirmar que tal livro é Literatura e que aquele outro já não é? Penso que sim. Embora seja fluida sua definição teórica, e determinada, em última análise, por posições políticas e visões ideológicas, ao lado de concepções estéticas, a Literatura é um campo de escolhas. E a partir da escolha feita, saímos a campo, defendendo ou atacando, transformando-nos como leitores, ao mesmo tempo que desejamos transformar os outros. Em breve, realizarei uma análise mais aprofundada do livro “As contraliteraturas” em meu blog pessoal.

Vinícius Magalhães e a Filosofia do Direito

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A questão da violência




Muito assombra o alto grau de violência no Brasil. E muito se tem dito acerca das conjunturas histórico-sociais aptas ao entendimento da criminalidade brasileira. De uma forma genérica e sem se esquivar de eventuais erros e equívocos, podemos identificar dois discursos acerca do combate à violência: um que segue pela via penal e outro, pela via social. Entretanto, desperta mais atenção o conflito entre racionalidade e emotividade oferecido pela dualidade das referidas vias.

O desbravamento da questão, num prisma mais crítico, implica na superação do referido - e hipotético - dualismo. Mas em que consistiria cada um? A solução pela via penal é aquela segunda a qual à criminalidade se deve voltar o peso do Estado. É a repressão penal em sua causa imediata: a figura do criminoso. Assim, melhor policiamento, penas agravadas, processo judicial acelerado. De uma forma geral, criar um clima de eficiência do Estado na repressão ao crime. A outra, pela via social, propõe o controle do crime pela sua causa mediata: a exclusão social. Desta forma, prestação de maior escolaridade, garantia de acesso à moradia, empregabilidade ou seguridade social, etc. Genericamente, a garantia de cidadania e dignidade a todos.

As críticas dirigidas a ambas podem ser várias. A via penal corre o risco de enveredar pelo autoritarismo e preconceito. Corre-se o risco de atenuação dos direitos, assim como do devido processo legal. Enfim, toda sorte de abuso estatal pode ser cometida quando se engrossa o discurso repressivo. A via social, por sua vez, não é garantia segura de que a criminalidade será reduzida a níveis aceitáveis. Ainda mais por conta da complexidade social (caos urbano, novos papéis familiares, volatilidade de capitais) e das novas tecnologias, potenciais veiculadoras de novas modalidades criminosas. De uma certa forma, as duas propostas são reciprocamente complementares, ainda que a opção por uma síntese não signifique, necessariamente, a solução mais adequada.

Todavia, o que ocasiona reflexões mais profundas é o choque, numa expressão vulgar, entre razão e emoção quando das duas soluções citadas. A brutalidade de um crime - em especial quando se trata de crime sexual ou contra a vida, ou ainda quando a vítima é cara à sociedade, tais como crianças, idosos e indefesos em geral - provoca, na maioria das pessoas, repugnância. E, num primeiro, a reação mais espontânea é posicionar-se pela urgência de penas severas, investigação policial eficaz e processo penal célere (e, preferencialmente, prejudicial ao criminoso). Em poucos segundos, somos capazes de viver, com empatia, a dor das vítimas e seus próximos.

Passado algum tempo, ajustando contas com a razão, acabamos por reconsiderar os extremos até pouco admitidos. E facilmente enveredamos por considerações mais razoáveis acerca do déficit social brasileiro e sua pertinência face à violência. Ânimos acalmados, as considerações, ainda que distantes da realidade, inspiram-se de ares racionais e ponderáveis.

Aqui cabem alguns questionamentos. É crível estancarmos duas instâncias humanas: uma racional e outra emotiva? Se sim, qual a natureza de cada uma? Ou seria mais adequado pensarmos que nossa racionalidade é permeada pela nossa emotividade e vice-versa? É curioso notar que o controle da emoção pela razão acaba repercutindo numa falácia. É possível constatarmos que o gênero humano está sempre envolvido em suas confusões, atrapalhando-se facilmente.

Episódios de brutalidade criminosa causam aversão. E as soluções propostas variam da repressão penal pura e simples ao reformismo sócio-econômico. Ambas propostas podem ser a tradução de uma inquietude humana diante de seus embaraços em resolver um conflito maior e nem sempre tratado: a contraposição entre racionalidade e emotividade.

Canto de Nana

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MASS MEDIA
Por Nana de Freitas

BOM PARTIDO - Rapaz solteiro, 24 anos, fiel, trabalhador e sem vícios, procura moça alegre e de família para namoro e compromisso sério.



Ele pagava aluguel num barracão de três cômodos. Gastava mais de uma hora pra voltar do trabalho, mas tinha cama de casal, um bom chuveiro e fogareiro de duas bocas. Um orgulho danado do ofício de técnico em eletrônica, com certificado de conclusão de ensino médio e carteira assinada há mais de cinco anos pela mesma empresa. Resolveu morar sozinho quando os pais voltaram para o interior, dois anos atrás, mas nunca se acostumou ao barracão vazio e à mesa com uma cadeira só. Mulher de bem não se conhece em bar, pensava. Anunciou sua solidão no jornal e torceu para que desse certo.
Ela tinha casa própria, na Zona Sul, computador, DVD, microondas e TV de 29’’. Propriedade sem escritura, como é comum no morro, mas de direito adquirido. E sem taxa de condomínio. Vendia roupas em uma loja no Centro por salário mínimo mais comissões e pagava heroicamente em dia nada menos que cinco crediários simultâneos. A recompensa pelo esforço vinha no domingo, quando curtia a sinfonia inigualável dos eletrodomésticos a tornar-lhe mais fácil a vida.
Leu o anúncio a caminho do trabalho. Ligou, falou, ouviu, sorriu. Combinaram, se encontraram, se beijaram e se gostaram. Não eram de se entregar facilmente, mas, diabos, o domingo custava a chegar, a escala de ônibus era reduzida e o preço da condução estava pela hora da morte. Concluíram que havia amor e perceberam que, o resto, já tinham: tesão, casa própria, cama de casal, fogareiro, geladeira e mais uns luxos.
Viver na Zona Sul o pouparia do aluguel e de duas passagens diárias em coletivos lotados. Para sanar o orgulho ferido na mudança, prometeu bancar sozinho as contas de água e luz e rachar com ela algumas folhas dos carnês de crediários. Com o 13º salário, comprariam alianças e reuniriam as famílias numa cerimônia simples.
Por quarenta e sete dias viveram como sonharam, com a melhor vista da cidade. Trocaram apelidos piegas, juras de amor, gentilezas e carícias. Planejaram três filhos perfeitos e teceram, em fantasia, futuro digno para cada um deles. Por quarenta e sete dias tiveram família, casa própria, carteira assinada e até um bocado de fé. No país em que vivem, afinal, quantos não têm tanto por um dia sequer?


O corpo de Valdir Peres da Silva, de 24 anos, foi encontrado ontem, atingido por cinco tiros, logo depois de um tiroteio na favela do Arranca-Toco. Segundo a Polícia Militar, duas gangues rivais disputam pontos de venda de drogas na região há mais de um ano. De acordo com o capitão Oliveira, comandante da operação montada para controlar a situação no Arranca-Toco, Silva seria líder de um dos mais violentos grupos que atuam na favela. “Esse homicídio engrossa as estatísticas dramáticas do tráfico de drogas no país”, disse o militar.

A Sacerdotisa apresenta o Sexo Delicado

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As aventuras e as desventuras na vida de uma Bissexual



Eu não imaginava como seria ter uma predileção específica por uma única coisa, sempre gostei do duplo, das duas opções ou mais que me pudessem ser apresentadas, desde então mais precisamente na minha adolescência comecei a perceber que sentia um enorme desejo mesclado com curiosidade sobre como seria ter uma relação sexual com uma mulher, assistia filmes e isso me instigava, me suscitava desejos e lascívia.

Com o decorrer dos anos esse desejo foi crescendo ao ponto de sentir uma necessidade incontrolável de realizá-lo, foi quando tomei coragem e me cadastrei num site de relacionamentos, onde conheci uma garota lésbica, a mesma que me iniciaria no mundo de Sapho. E durantes alguns bons anos gozei de um prazer único, irrestrito, inigualável, mas com o decorrer dos anos, fui aprendendo e observando que minha natureza diferenciava e muito das mulheres com as quais me relacionava, elas buscavam amor, sentimento e em contrapartida eu simplesmente desejava: o prazer. Essa constatação abriu um enorme abismo entre eu e as outras mulheres, sempre que saia com uma já vinha a dor de cabeça de ter que corresponder afetivamente, como se o ato sexual fosse um compromisso velado de amor e juras eternas de fidelidade.

Sinto meu como um homem que descobriu as delícias do prazer, mas que não tem interesse em se envolver emocionalmente, o que me faz perante a ótica das mulheres ( bissexuais e lésbicas), um ser frio e emocionalmente falando vazio, mas por que há de ser assim? Por quê, não posso sentir prazer e comungar do verbo amar sem necessariamente me envolver ao ponto de me sentir castrada na minha liberdade de ser.

Não sofro por essa realidade, mas constato que a tal cabeça “moderna”, não é nada mais que uma balela mal cantada, onde quem realmente é libertário sofre com a arbitrariedade da sociedade em que vive.

Triste é constatar que continuo amando as mulheres, mas em matéria de resolução afetiva, prefiro os homens e seu mundinho pessoal.

Por Priscila Fátima, A Sacerdotisa

Me Beija - Silvio Vasconcelos

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Easy rider de uma vida que não é minha, quero o adeus falso aos amores vendidos! Vou abandonar de vez meus destinos estabelecidos para encontrar repouso de minha alma errante. Vou subir no mais alto dos prédios ou na ponte que mais longe do rio alcance! Nem com toda essa chuva que me arde os ossos quero desistir de fugir gelado, encharcado de meus sentimentos doloridos! Chega, chega! Chega de gritar sozinho por essa janela como um náufrago em surto de desespero numa ilha infestada de seres transparentes que inundam a madrugada! Vou sair daqui agora e não volto mais! Pode ser o trem que invade a noite, vazio e rápido! Pode ser a morte triste do viaduto contra o caminhão que se aproxima! Ou talvez mais fácil seja o torpor do veneno me amortecendo a queda ao chão depois de uma dose mal dosada de desespero! Não, não vou me submeter ao sol, não vou deixar que meus olhos brilhem uma vez mais ao raiar do dia! Terei nojo dos que me olharem lá embaixo e me pedirem que salte para eles, nesse deleite fugaz das massas! Vou me entorpecer numa rave em alta rotação ao gosto de ecstase com Smirnoff Ice! Juro, juro que faço isso tudo numa noite só e volto amanhã e depois de amanhã e depois de depois de depois de amanhã, só para ver seu coração encolher-se até secar por ter negado meu beijo!
- Que cantada triste...
- Quis ser diferente, não triste.
- Foi triste, mas foi diferente.
- Ah, bom! E aí, me beija?
- Não, vou esperar prá ver.
- Não acredita que eu possa fazer tudo isso?
- Cara, conheci você agora!
- E se eu dissesse que já lhe conhecia, só que nunca lhe encontrava?
- Como assim?
- Vaguei dos desertos de Atacama até as montanhas do Tibete descalço e despossuído de amor; virei páginas infindáveis de velhos livros esquecidos em porões de navios fantasmas; percorri margens de rios em curvas longínquas da Amazônia, desde o Peru até Marajó; desci corredeiras no Alasca e naufraguei na costa da Florida, em 1532, para depois percorrer nu as terras selvagens do golfo até o planalto sagrado do México pré-colombiano; congelei nas geleiras dos Urais para ser reencontrado por um velho pesquisador 30.000 anos depois; Derreti de dor ao ver meus filhos mortos aos pés do Vesúvio em Pompéia, dois dias depois de enfrentar os leões em arena sangrenta de Roma. Não vi limites terrenos atrás de alguém para amar por uma noite e encontrar sorrindo na manhã seguinte.
- Nossa, você insiste mesmo.
- Me beija...
- De que serviria um beijo numa busca agonizante como a sua?
- Encanto.
- Viveu também as histórias das fadas?
- Ainda não encontrei minha fada, que dirá minha princesa.
- Agora ficou piegas.
- Amor é piegas.
- Olha, você até que tem um charme de desespero, mas prefiro a mágica de um instante que me desperte... Acho que eu já estou falando demais...
- Não, me fala mais disso.
- Sei lá, eu espero alguém além do beijo fácil, da cantada contundente, do poema batido.
- Desenvolva.
- Você é esperto. Começou com uma conversa de homicida e já me faz falar de meus presságios de adolescente.
- Continua.
- Virei noites em livros e músicas que falavam de um amor irreal que me surgiria na esquina e me arrebataria de uma vez; ainda hoje quando saio a noite tenho a impressão que alguém me procura e olho atrás e não encontro quem me seduza os olhos ou que me conduza aos sonhos. Mesmo assim procuro estar pronta para um encontro indeterminado. Aí você chega...
- Sim, cheguei.
- Me beija...

MEMÓRIA 1

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“Canudos não se rendeu”.
(Euclides da Cunha, em Os Sertões.)

Sob o sol glauberoterrense, o jovem fotógrafo quedou-se perplexo. Quando soube que a tradicional seca, padroeira de tantas fortunas ilícitas e candidaturas demagógicas, tinha conseguido secar o açude de Cocorobó, não pensou duas vezes: pediu de imediato as férias remuneradas a que tinha direito (trabalhômaco assumido, renunciara a elas nos cinco anos anteriores), espantando a todos na redação de O Estado de São Paulo, e refugiou-se no sertão. Quem lhe garantia que aquela não seria uma oportunidade única, que haveria outra chance? Pois bem, o momento enfim era chegado. Perante ele, ali estavam as ruínas da maior cãibrenáusea de nossa história republicana: o Arraial de Canudos.
Com o esmero habitual, preparou a câmera para iniciar o trabalho, ajustou o foco, olhou ao redor de si, como se procurasse algum ponto de referência que sabia não haver, porque nunca ali estivera, caminhou entre aquelas paredes insubmissas que insistiam em ficar de pé, apesar de tudo que se fizera contra elas e do nada feito por elas. Ali estavam, duras e eretas, testemunhas mudas de um genocídio, murmurando um brado que todos fingiam não ouvir. O fotógrafo encarou-a como um mártir encara a cruz que o santificará; elas olharam-no como uma virgem olha um belo homem que _ ela o sabe _ a engravidará e lhe dará as costas para sempre. Somente o Sol, que tanto conspirara para aquele encontro (como um patriarca bíblico que entrega a filha a um jovem sócio) testemunhou aquele monólogo a dois.

Sozinho entre aquelas pedras, lembrou-se de sua longínqua adolescência rebelde, quando usara drogas, pichara muros, sodomizara um primo e, expulso da escola, fora parar numa clínica psiquiátrica. Era onde as melhores famílias despejavam seus cristais trincados. Lá tomou choques, confessou que vivera e teve alta _ mas não antes de usar sua máscula e subversiva beleza (que redundante este adjetivo! não sabemos nós, indignados prisioneiros da sufocante mediocridade onipresente e niilipotente, que toda beleza tem de ser subversiva? Se quiser, então, caríssimo(a) leitor(a) risque-o) para seduzir uma enfermeira, saiu do esgoto doce esgoto da barbárie e emergiu para o trevoso jardim da sociedade de consumo, maculadamente reabilitado, porém mais maduro, apto para todas as cretinices que fariam dele o cidadão respeitado que afinal se tornara, o que, no fim, dava na mesma podridão. Só quem passou por essa antidantesca peregrinação forçada, do paraíso sem lei nem Beatrice ao inferno das doces aparências sem Virgílio e com os sombrios anjos tortos, poderia entender o que se passava ali. Só alguém como ele poderia olhar tranqüilo aquela agressiva inércia e compreender o trabalho a ser feito. Ele havia penetrado no inconsciente de uma nação, estava a relembrar traumas que o superego oficial condenara ao esquecimento. O que ele tinha a fazer era recolher matéria-prima para a confecção de um pesadelo que perturbasse o sono de um povo.

A cidadela pareceu entender o mudo discurso do fotógrafo e, quando o vento empurrou a nuvem que encobria o Sol, o ofuscante brilho das brancas pedras fez com que ele adivinhasse o sorriso daquelas ruínas, estampado em suas muitas cabeças imortais.

A fera foi ferida, S. João, mas não morta, sussurrou, quebrando o secular silêncio que gritava entre aquelas rancorosas ruínas. Canudos oferecia-se para ele, pronta para ser despida. Já não estavam ali a paciente e seu analista: eram agora a enfermeira e seu amante.

É preciso viver cem anos de solidão para perceber o quanto de carícia pôde haver nas pisadas do fotógrafo. A poeira desprendia-se do árido solo para beijar suas botas, as primeiras a marcá-lo após tanto tempo _ para aquelas ruas serem novamente pisadas era como se alguém pudesse descobrir-se adolescente aos cem anos ou, viúva, sentir-se redeflorável (Isso só pode dar-se porque o passado é tudo aquilo que permanece).

Aquele solitário homem que tocava seu violentado corpo a faz recordar todos aqueles que a habitaram, há tanto tempo, indo e vindo por suas artérias, ouvindo suas tácitas queixas contra os maus-tratos do Sol, confidenciando-lhe justas reclamações contra a estranha fera República (que eles nunca haviam visto, mas já sabiam ser sua inimiga). e era um não acabar de cantos, rezas e procissões, pedindo aos Céus chuva e a vinda de um rei que jamais conhecera, mas sobre quem o vento já havia lhe falado, quando o Beato Sebastião passara pela Pedra bonita. Antes que a chuva viesse, vieram tropas e ela pensou que eram os exércitos do Esperado, prontos para destruir a República e fazê-la capital de seu reinado. Ela então sorriu por todos os grãos: suas fronteiras se expandiriam e logo se estenderia por todo sertão. Estava na hora de recolher ao seu seio todos aqueles esquálidos titãs que se arrastavam, heróicos, pelas terras circunvizinhas.

Enganara-se. Os soldados que chegaram não vinham dos areais da áfrica nem das cortes de Lisboa. Vinham das terras do Sul, a serviço da tal República, prontos para destruí-la e ali implantarem a ordem e o ossergorp. Em sua defesa, ergueram-se os filhos que a adotaram como mãe e deram-lhe de beber o sangue dos invasores que matavam seus protegidos. O líder deles estava num cavalo branco, o que permitiu que o Conselheiro o reconhecesse como o Anticristo. Quando os justiçaram, ela não quis receber seus corpos, por isso sua gente não os enterrou.

Por Edson Amaro

1- Este texto foi originalmente publicado pela Prefeitura de Porto Alegre, RS, no livro “Histórias de Trabalho 2002”, que contém os trabalhos premiados no concurso homônimo.

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