Friday, September 29, 2006

Index 2 na hora H

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1 – Saiba por quê, de acordo com Jean Scharlau, o PT tem um governo especial. Ou Engraçado, assim digamos... Confira, clicando aqui

Tem mais texto depois desse, confira na sequencia do Index!

Jean Scharlau

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Engraçado, o PT Engraçado, quando o PT governa não há déficit fiscal, não surgem "rombos" no orçamento, as estatais passam a fazer lucros recordes, são criadas milhares de novas vagas para pobres nas escolas e universidades, os salários aumentam acima da inflação, o salário mínimo aumenta MAIS QUE TODOS, a inflação diminui, os juros diminuem (ainda que em ritmo lento, mas diminuem em vez de aumentar), o dólar baixa e fica estável, possibilitando aos pobres comprarem coisas que de outra forma não poderiam, como computadores e outros eletro-eletrônicos, por exemplo, a gasolina não sobe de preço, embora o petróleo tenha subido muito no mercado internacional, energia elétrica é instalada de graça para os pobres moradores dos grotões, alimentação é garantida para as famílias abaixo da linha da pobreza.

Quando o PT governa NÃO SE VENDE, NÃO SE DÁ PARA UNS POUCOS O QUE É DE TODOS. As empresas públicas, em vez de distribuídas aos comparsas são tornadas produtivas e lucrativas e fazem aumentar a riqueza de todos, do povo, que é o legítimo e inalienável dono dessas empresas, como Petrobras, Correios, CEF e BB. O PT quando é governo aumenta as áreas de preservação ambiental (aumentou 50% no governo Lula). O PT quando é governo demite quem se envolve em ilícitos, torna a polícia eficiente e atuante, coisa que nenhum governador ou presidente de outros partidos fez nem faz. O PT quando é governo se interessa e faz coisas pelos menores, pelos mais fracos, pelos mais pobres, pelas minorias e pelas maiorias oprimidas, aqueles que mais sofrem diariamente e que menos têm condições de reagir e, caso ninguém os auxilie, descaso de outros governos, vão simplesmente morrendo em silêncio e discretamente, de tiro, fome, doença, desgosto.

O PT quando é governo é fiscalizado com binóculo, lupa e microscópio pela mídia, pois toda ela é da oposição oligarca e retrógrada, acostumada a vender mentiras e acobertar as falcatruas do quando o governo é das oligarquias e com elas bem se acerta, por isto o PT ser governo faz bem à democracia, à legalidade. Quando o PT é governo se discute muito mais sobre todas as suas ações, é chamada e comparece uma muito maior participação cidadã e o governo não pode errar, pois para qualquer erro há 200 poderes prontos para cair de porrete em cima. Quando o PT é governo são pagas as dívidas, são pagos aqueles empréstimos que a oposição fez e até hoje não se sabe em que foram usados. Para pagar esses empréstimos o Lula andou pelo mundo apresentando o Brasil e seus produtos e D O B R O U o tamanho dos negócios do Brasil, assim, no governo do PT, os empréstimos feitos pela turma do Alckmim, do Borguináusea, do Serra, do Rigotto, da Yeda, Lula tem pago com a venda dos produtos brasileiros para o mundo e não do PATRIMÔNIO nacional, como fez o nauseabundo FhD, sem que tenha ainda aparecido o dinheiro da privataria que promoveu, nem o dinheiro dos empréstimos que tomou e o dinheiro que deu para suspeitíssimos e falidos através do BNDES.

Quando o PT é governo não há mágicas, não há planos mirabolantes, não há confiscos, não há golpes para tomar o dinheiro de todos e distribuir a alguns como fez Rigotto (PMDB=PSDB) no Rio Grande do Sul, que aumentou em 20% o imposto sobre as contas de telefone, energia elétrica e sobre combustíveis, e concedeu isenções e subsídios para grandes empresas, portanto tirando de todos (os mais pobres) e dando para alguns (os mais ricos).

O engraçado, eu dizia, quando o PT é governo, é que toda a oposição escravocrata cai de porrete, toda a mídia casa grande cai de chibata em cima do PT senzala, mas também grande parte da esquerda, pois quem é de esquerda tem o saudável hábito de ser crítico,de discutir, de reivindicar, porém muitos não têm a sabedoria de se reagrupar quando necessário, de relevar diferenças menores quando uma causa maior de interesse comum está sendo questionada.

Os que apóiam a direita libertina não questionam nada, nunca, apenas apóiam e se contentam em repetir a meia dúzia de bordões dogmáticos e confortáveis que são a base do "pensamento" direitista libertino - assim toda a direita se move orientada por uns poucos líderes e a esquerda, por causa de sua base muito mais ampla e participativa é esta balbúrdia democrática, esta maravilhosa balbúrdia democrática, onde a voz de TODOS os presentes é importante e a de cada um conta. Quando os escravocratas estão no governo a casa grande da mídia vive em confortabilíssimo silêncio – ouve-se uns gritinhos de vez em quando, mas é de faz de conta, ou puro prazer mesmo.

Por isto vou votar no PT, de cabo a general da banda, porque é engraçado quando o PT está no governo, e quando não estava, era invariavelmente triste.


Jean Scharlau

http://jeanscharlau.blogspot.com

Index 2

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Segundo terço da quinzena se aproxima, e o editor que não edita libera mais estes textos para seu proveito!


2
– Descubra, com Helena Vasconcelos, um pouco mais sobre o desenrolar (ou enrolar) cultural de cabo a rabo brasileiros, clicando aqui






3 - Apresentando Chico e Brito, em seus papos amistosos (?) nos bancos da Praça da Árvore. Leia, clicando aqui





4 – O tão trabalhado e colaborado texto, que nos conta um pouco da eternidade de nossos índios, e suas eternas batalhas e conquistas. Clique aqui para saber mais, muito mais







5 – Rodrigo Gerdulli dá toques sobre o Toque, inspirado pela Musa Música, amiga nossa de cada dia. Vale a pena, digo por confiança, clicar aqui e conferir





6 – Pondere, reflita e se inspire com a poesia di Bernardi, clicando aqui


7 – Cinema e Política se encontram, às vésperas de eleições, naquele cinema em casa com a pipoca quente, saiba que filmes assistir com Roberto de Queiróz mandando: CLAQUE-TE, clicando aqui

Cidadania Cultural

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Por Helena Vasconcelos

Pernambuco dá um salto qualitativo na sua política cultural com a implantação dos Centros de Enriquecimento Cultural - CEC, em 14 cidades da Zona da Mata, cuja iniciativa resgata antiga dívida com os produtores de cultura do Interior do Estado que, distantes da informação e de melhores oportunidades, sobrevivem à luz de suas próprias sabedorias. Até então, as políticas públicas, no campo da cultura, dificilmente alcançavam regiões afastadas dos grandes núcleos urbanos - na velha pratica de consagrar o já consagrado. Os Centros priorizam o conhecimento da cultura local, criam bases em um projeto pedagógico e garantem gestão compartilhada com a comunidade. A experiência piloto, na cidade de Nazaré da Mata, estendendo-se aos municípios vizinhos de Vicência, Tracunhaém, Buenos Aires e Aliança, deve-se à rica malha cultural produzida naquela região. Localizado na periferia da cidade, o Centro foi acolhido em um antigo matadouro construído no início do século passado, antes em desuso e em ruínas, restaurado em 2004 pelo Governo do Estado e entregue a Prefeitura local.

Equipado com biblioteca virtual, espaço para cursos, palestras, exposições, apresentações artísticas e comercialização de produtos, o CEC busca elevar o capital humano e social da região, bem como diversificar a sua economia cultural, a qual não prospera desde o término do ciclo do açúcar. O foco principal: a formação do jovem estudante agregando ao currículo o conhecimento e a prática cultural - um equipamento desvinculado do espaço físico da escola, e inserido na paisagem do lugar. Além de reforçar metas na área educacional, atua no desenvolvimento regional ao lançar novas rotas para o turismo cultural em Pernambuco. O seu gerenciamento a cargo de uma Comissão Gestora, formada com representações locais indicadas por instituições educacionais, culturais, comunitárias e grupos artísticos organizados, o que garante, por princípio, a cidadania cultural. A comunidade delibera, junto com a Prefeitura, sobre os usos da cultura e, assim, rompe com padrões tradicionais da maioria das instituições oficiais, geralmente, redutos privilegiados e de monopólios políticos, empenhados numa visão reducionista da cultura (o show na praça) e no abortamento de bons projetos, muito comum neste setor. Já o CEC de Nazaré da Mata, também multiplicador dos bens ali produzidos, pode gerar bens de valor cultural e econômico - grandezas para uma cultura sustentável.

Similares aos Centros de Enriquecimento Cultural estão espalhados pelo mundo - os chamados centros culturais independentes, surgidos na década de 70. Distingue-se pela sociabilidade e espírito comunitário, seus recursos provêm das próprias atividades, e contam com a Trans Europe Halles, com sede na Bélgica, que funciona como uma espécie de parlamento cultural e mecanismo de cooperação. Para o cientista cultural, Teixeira Coelho, esses centros definem uma tendência em política cultural da pós-modernidade: "O Albany Arts Center, nos arredores de Londres, constituído pelo poder público, mas quem o administra diretamente são os próprios cidadãos, organizados na forma de associação cultural escolhida por meio de um sistema de concorrência pública: a melhor proposta cultural e econômica é selecionada e os responsáveis passam a gerir o centro; fazendo dessa atividade uma ocupação profissional remunerada". Embora no exemplar pernambucano, continue a existir o aporte governamental, os CEC caminham para autogestão. Criar estratégias de administrar a cultura de forma participativa e gerar políticas de sustentação, não deixa de ser mais um dos desafios desta tendência.Os pontos que mais identificam os Centros com uma nova atitude em política cultural são: primeiro, por entender a cultura como um bem do conhecimento humano transpondo novos territórios e, no que compete a sua administração, a descentralização da decisão - a comunidade também decide.



Helena Vasconcelos, professora de Teoria da Arte, membro do Conselho de Política Cultutal para os Países do Mercosul.

Chico e Brito Comentam

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Tirei daqui, ó aqui


A Política










Tarde vermelha na Praça da Árvore, e enquanto a meninada caminha acompanhada de colegas ou das babás, ou até mesmo das mães apressadas, de mãos dadas ou saltitando, os dois senhores, já sentados em seu ponto ritualístico de encontro, filosofam sobre a vida.

“Eita meninada bonita...”

“Eita, Chico, inspirado ou pirado?”

“Um pouco dos dois... Vem cá, diz uma coisa pra eu.”

“Pra mim...”

“Não, não... Pra eu mesmo, diz, velho Brito. Te lembras quem disse aquela frase clássica: ‘Você pode enganar algumas pessoas algumas vezes, mas não pode enganar todas as pessoas todas as vezes’?”

“Apelão...”

“Apelão por quê??”

“Memória, meu velho? Memória? Bom... Deixa ver... Lembro sim. Bob Marley.”

“Que Bob Marley, gagá, que isso!”

“Bob Marley sim senhor, ‘yú kén fú sãm pipú sãmitaimis’ e pá.”

“Nada a ver, Brito, faz favor. Se não me engano foi Abraham Lincon.”

“Pode até ser, mas eu tenho certeza que foi o Bob. O que te come, amigo?”

“Ninguém me come, velho, tá de brincadeira?”

“Falo sério, o que te come? Ou seja, pseudo jovem, Alzheimer enrustido, o que lhe incomoda?”

“Ah... Tava aqui pensando... Pensando nessas crianças, pensando na vida, em como as coisas vão e voltam, e no fim elas acabam nunca indo de vez, sabe?”

“Não sei...”

“Explico, vê só:

Essas crianças voltando da escola, algumas com celular na mão, outras com álbum de figurinha, umas jogando futebol, outras correndo pra casa pra assistir televisão, jogar video gueime... Quase nenhuma delas lê... Nem gibi, meu velho, nem gibi! E as mães apressadas. Que pressa, pra quê pressa? Pra meter a criança em frente à TV e se ocupar com coisas ‘mais importantes’. E tem coisa mais importante que educar criança?”

“Prefiro permanecer calado, tô com preguiça de responder.”

“Não responde, melhor, melhor. Mas veja só você, que encontrei neste pensar a resposta ao que tanto nos incomoda, à pergunta que não cala, tagarela, à charada que soluciona o conflito entre a política e o povo. Encontrei pensando...

Primeiro, pensei em Sócrates.e na fundação da palavra ‘política’. Política, meu ignóbil sabido, signifcava e supostamente significa povo.

Agora, Sócrates – daqueles mesmos tempos gregos em que nascia a política e seus representantes – em suas teorias, jamais questionou a base: Os direitos humanos. A necessidade básica de se pensar e aprender que tudo é feito da mesma essência. Claro, acreditava em deuses e em superioridades, mas em sua filosofia, amigo, ninguém era melhor ou pior, na prática, do que ninguém. Todos eram feitos, dizia, da mesma exata coisa imperfeita, e esta coisa era inferior à criação em si... Tá certo, abstratismo pra burro, mas não se duvidava, a partir deste pensamento, que o camarada negro ou o camarada índio, ou o asiático ou o homossexual ou o deficiente fossem piores do que os demais, todos humanos. Metiam pau em surdos, tá certo, ou cegos, sei lá eu, mas era coisa leve, nada pra se chamar a polícia...

Daí que Sócrates levou a pior, velhíssimo amigo... Levou a pior, porque ao ensinar sua filosofia, decidiram os políticos, corrompia a mente da juventude. Levou a pior e foi executado, mesmo depois daquele discurso apologético todo em que ele dizia saber mais do que todos por admitir que nada sabia.

Depois disso, do básico já ensinado e passado adiante, começou o nascimento das escolas que decidiam questões aparentemente mais importantes. Platão, a respeito das Formas, explicando em metáfora que todos vivemos em uma caverna escura, acorrentados, e apenas podemos ver sombras, cópias imperfeitas das Formas essenciais. Aristóteles, a respeito da união entre a Matéria e a Forma, das quatro regras elementares para se saber o que a Forma é (do que é feita, quem a fez, qual sua matéria e para que serve), níveis do espírito (vegetal, animal e intelectual) e outros diversos assuntos... São Agostinho, adaptando Platão, e São Tomás adaptando Aristóteles para, voila, explicar e difundir o pensamento cristão da época. Alguns outros tentaram, pensaram e arriscaram, mas em período de conquistas, guerras, reforma cultural greco-romana, invasões bárbaras e inquisições cristãs, a filosofia entrou em coma e, por um mlênio, se apagou. A longa Era da Escuridão tomou conta do planeta... Não havia livros... Muito poucos, pouca cultura, pouca arte, poucos novos pensamentos, muita assimilação e confusão tomando conta da geral.

Foi, meu barato, que quando fundaram a política já mataram quem ao político não se prostrasse... Foi, que quando conseguiram pensar pela primeira vez sobre as igualdades sociais, conseguiram também aniquilar a possibilidade de um verdadeiro livre pensar em torno delas. E logo, sem mais chance, se esqueceram delas durante séculos... Foi também, que o atraso milenar destas eras escuras prova que algo está errado com a teoria de Abe Lincon, ou melhor, Bob Marley, se cai em teu agrado...”

“Eta, e o que há de errado, Aristonto?”

“É possível enganar o povo.. É possível aniquilar as chances verdadeiras de se atingir a democracia que a política foi criada a gerar e viabilizar...”

“Tô vendo...”

“Ídolos estúpidos apoiados por políticos estúpidos, ou vice-versa... Estes ídolos vestem acessórios caros, e o público também, repentinamente, precisa deles... O vizinho comprou o último video-gueime, seu neto também quer... Papai tem celular e não sabe dizer não? Filhinho de de dez anos também tem... A música é a melhor pra garotada, porque os piores assim disseram, porque os piores assim tem grana pra bancar o marquetingue, e repetem um milhão de vezes a mesma merda para que o ouvido de suas crianças vire penico. O seu já virou, velho amigo, mas mesmo o de uma pessoa normal, também já está acostumado, porque esse capitalismo tem mais ou menos a sua idade, velho Brito.”

“Tem...”

“Pois é... A Jájá, filha da Xuxa, Rouge e Broz, Big Bunda Brasil, Ronaldinho Fofômeno, Picarelli, Momo Soares, Charlie Dáun... E Joãozito Ubaldo Ribeiro? Não é que a reporter em Miami perguntou: ‘E o senhor, quem é?’ Já pensou se em Portugal o pessoal faz isso com Saramago? Mandam ele re-colonizar o Brasil! A história dita, a politica morta, a igualdade social sempre esquecida, meu amigo, e se estamos cá às prévias dos tempos de uma nova escuridão, quero mais é morrer logo!”

“Amén, velho safado!”

...

“Peralá, morre não, morre não... Vaso ruim apodrece aos poucos. Vê lá a meninada, seu Chico... Vê lá se eles não querem mais do que isso...”


Roy Frenkiel

Nossos Indios sao Eternos

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Antes de mais nada, agradeço à ‘dona’ do blogue India Ursa Sentada, dona Angela Ursa, por sua ajuda em encontrar um número inigualável de pessoas dispostas a me ajudar com esta iniciativa.

Poucos índios vi e verdadeiramente conheci em minha vida. Conheci histórias, e a história que nos passaram. Nela, já sem hipocrisia, se falava do holocausto. Nas histórias, ouvia uma espécie de sabedoria esquecida, mas que algum dia se soube, e mal precisou-se a evolução.

Do holocausto, todos sabemos. O homem branco, hipócrita, malévolo e traquina, surrupiou a terra dos homens de pele vermelha. Claro que não foi o homem branco como, ou apenas homens, ou apenas brancos. Aprendemos desde muito cedo que a Igreja teve de re-pensar a HUMANIDADE do índio quando o avistou por primeira vez. Em sua ‘inocente’ posição, quando roubaram, tentaram escravizar, assassinaram e violentaram as vastas, inúmers populações indígenas em suas próprias terras, não consideravam que estes fossem humanos.

Da sabedoria, aprendi que a natureza a lhes pertence, os que respeitam a Terra e sua terra, e sua água, e suas árvores, e suas orquídeas, e seus diversos animais, Falam com os espiritos esquecidos pela intolerância do modernismo, ignorados pela rapidez da tecnologia. Em contato com a natureza gélida dos bites e bits, e ainda erguidos entre manipuladores das verdades universais semi-analfabetos de seu próprio idoma, falam os índios cada qual seu dialeto, e não só no Brasil, mas nos Estados Unidos também. A América algum dia foi mais bela...

Portanto, como judeu de familia sobrevivente a um holocausto de seis milhões, digamos que no mínimo me identifique com a causa dos bravos, fortes e doadores das miscigenações mais lindas existentes nesta Terra, que continuam a sobreviver entre o homem branco, a sofrer de sua crueldade, mas não todo homem branco, nem apenas brancos, nem apenas homens...
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Aqui apenas trago uma carta aberta, ipsis litteris, sem alterar uma letra sequer de professor Iran, fornecido por Edineia Isidoro, e um texto elaborado por Leidiane Felzke explicando um pouco a respeito da tribo em questão. A Agencia Carta Maior publicou um texto recente, explicando um pouco melhor sobre as atuais ocorrencias da regiao. Acesse e procure, pois jornalismo com responsabilidade se encontra por la, e com responsabilidade, jamais esquecem de tratar do que verdadeiramente importa.


Aldeia Ikólóéhj, 23 de Março de 2006


CARTA ABERTA – POVO GAVIÃO


Nós, Povos Indígenas Ikólóéhj (Gavião), habitantes da terra Indígena Igarapé – Lourdes do Estado de Rondônia, nos reunimos para refletir sobre os atos que o Governo vem praticando contra nós.

Viemos, através deste, manifestar-nos contra a construção da barragem que está prevista a ser construída em nossa terra. Não aceitamos a inundação da nossa área. Estamos totalmente contra as idéias do governo, porque não temos mais para onde ir. Nossa território já é pequeno e o governo ainda quer diminuí-lo de qualquer forma. Não temos mais onde caçar, pescar e buscar frutas.

Já perdemos milhões de hectares sem receber nenhum centavo. Perdemos nossos cemitérios, as terras que nossos ancestrais habitavam a milhões de ano. Será que isso é bom?! Vocês que vieram de outros lugares, que são imigrantes, acham ruim quando queremos nosso espaço de volta. Não estamos querendo o de vocês! Não estamos impedindo vocês de fazer barragem, explorar minérios e desmatar a floresta das terras de vocês. Esta terra é nossa! Porque surgimos, vivemos e morremos nela.

Ao invés de vocês agradecerem aos Povos Indígenas pela terra em que vivem, ficam de olho no que sobrou para os índios; tem inveja das riquezas das terras indígenas. Será que só nas terras indígenas existem riquezas? Claro há madeiras, animais, minérios, água e outras coisas em qualquer lugar!

A culpa é de quem por não existir a madeira, ou a água potável em qualquer lugar? A culpa é de vocês! Vocês são destruidores de florestas e da humanidade (Povos Indígenas).

O Brasil que era verde, vocês transformaram em deserto, agora querem transformar o Brasil em água. Querem inundar o Brasil! Não aceitamos isso! Já acabaram com nossa floresta com motosserras, as queimaram com fogo e agora querem destruí-las com água! Não queremos a água para destruição e sim para vida.

Vocês deveriam reconhecer-nos, os povos indígenas, como garantia de vida de vocês, porque preservamos a floresta que produz o ar que respiramos, preservamos a água que nos dá vida. Somos garantia da vida do mundo. Se não existissem Povos Indígenas, as florestas do Brasil não existiriam mais.

Por isso, não queremos que inundam a terra que sobrou para nós. Não queremos que inundem nossos cemitérios às margens dos rios. Não queremos que inundem nossas florestas. Não queremos que inundem nossos animais. Não queremos que poluam nossos rios. Enfim, não queremos brigas e sim a paz e a garantia da terra para as nossas futuras gerações.

Atenciosamente,
Professor Iran Kav Sona Gavião


Professor desde 1999, terminou o projeto de formação em Magistério Indígena no ano de 2004. É atual presidente da AAPIL- Associação Agrária dos Povos Indígenas da Terra Indígena Igarapé Lourdes.

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RONDÔNIA: COLONIZAÇÃO E CONFLITOS INTERÉTNICOS

É possível dizer que a ocupação mais intensa do território rondoniense começou em fins da década de 60 com ação particular da Colonizadora Calama, na Gleba Pirineus em Ji-Paraná, intensificada na década de 70 pela colonização oficial encetada pelo INCRA ao longo da BR 364 (Decreto Estadual 3782/88). No entanto, esta ocupação deu-se de maneira absolutamente desordenada e conflituosa, a abertura e a expansão da fronteira agrícola em direção ao noroeste brasileiro constituiu-se numa forma providencial, encontrada pelos governos totalitários, para aliviar as pressões sociais por reforma agrária e diminuição das desigualdades que estavam ocorrendo no Nordeste e Centro-Sul do país.

Assim que chegavam ao território de Rondônia, as famílias advindas das outras regiões brasileiras, atraídas pelo sonho da terra, ou ocuparam áreas não programadas ou invadiram terras indígenas (BASSEGIO e PERDIGÃO, 1992).

Este processo de colonização do estado de Rondônia provocou a concentração das 36 etnias indígenas que aqui habitam em 19 áreas denominadas Terras Indígenas e que perfazem um total de 20,15% da área do estado (4.807.290,42 ha) segundo dados do ano de 2002 da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Ambiental (SEDAM). Este processo de demarcação foi acompanhado por inúmeros conflitos e lutas tanto econômicas, quanto políticas e culturais, prerrogativa, aliás, das questões relacionadas ao movimento indígena em todo Brasil e não apenas em Rondônia. Entre as Terras Indígenas (T.I.) demarcadas ao longo das décadas de 70 e 80 encontra-se a T.I. Igarapé Lourdes, localizada no município de Ji-Paraná e demarcada pelo decreto nº 88.609 de 09/08/1983. Neste local residem duas etnias: Gavião e Arara, sendo que os primeiros foram expulsos de suas terras tradicionais por fazendeiros e empurrados para a região atual.

Em função da área demarcada ser insuficiente para subsistência das duas etnias que lá habitam e pelas conseqüências do próprio contato interétnico, os índios Gavião e Arara foram inseridos de maneira mais intensa no modo de produção capitalista. Essa inserção provocou, por um período, uma utilização predatória e ecologicamente insustentável da área de reserva. Por parte dos indígenas isto se deu através da venda ilegal de madeira, prática hoje coibida. Por parte dos órgãos oficiais, especialmente a FUNAI, isso se processou pela implantação de “grandes roças” como as de 1980 e 1981 que, segundo Leonel (1983, p.94) transformaram os Gavião “[...] num golpe, em peões de uma plantação típica de fazenda estatal absolutamente desproporcional às necessidades e a capacidade de produção e venda”.

A inclusão abrupta no modo de produção capitalista trouxe a necessidade de renda para a aquisição dos produtos que anteriormente eram desconhecidos, mas que passaram a ser essenciais.

O contato do Serviço de Proteção ao Índio (originalmente denominado Serviço de Proteção ao Índio e Localização de Trabalhadores Nacionais – SPILTN) com os indígenas até então relativamente isolados aconteceu devido à necessidade de assegurar territórios e evitar que estes grupos fossem extintos diante dos conflitos com os brancos. A partir da década de 60 o SPI foi instinto e substituído pela Fundação Nacional do Índio (FUNAI).

Os Gavião habitavam tradicionalmente as margens do Rio Branco, no atual estado do Mato Grosso. Conforme relatório de Leonel (1983, p.81) “vieram para a serra da Providência e o Igarapé Lourdes por volta dos anos 40, hostilizados por fazendeiros e pelos Cinta-Larga [...]”. Os habitantes tradicionais desta região, os Arara, já tinham um contato regular com seringueiros desde os anos 40. Foi através dos Arara que os Gavião se relacionaram regularmente com o mundo dos brancos entre os anos 40 e 50. O contato mais intenso que ocorreu em meados dos anos 50 trouxe conseqüências fatais para as etnias aqui citadas. Houve uma drástica redução populacional não fugindo à regra dos contatos interétnicos ocorridos no restante do país, chegando quase ao etnocídio.

Lediane Felzke


A luta contra a efetivaçaõ da construção das hidrélétricas no rio Machado e Madeira vem de lomga data. No caso dos Arara e Gavião, essa luta se repetiu no passado, agora mais uma vezes estão se sentindo ameaçados por esse projeto que está em vias de aprovação.

Na nossa equipe te uma pessoa que está acompanhando mais de perto as discussões em torno da hidrélétrica. Há um grupo que envolve várias entidades inclusive a universidade de Rondônia , lutando contra as hidrélétricas

O povo Gavião, é falante da língua do tronco Tupi , família Mondé, dividem a Terra Indígena Igarapé Lourdes com o povo Arara/Karo. É maioria na terra com uma população de mais de 400 pessoas. Nas suas terras há duas aldeias onde funcionam postos da FUNAI e mais 5 aldeias menores. O povo fala sua língua e ainda realiza algumas de suas festas, apesar das influências da sociedade não indígena, pois estão em contato direto com os vários segmentos da sociedade.

É um povo guerreiro, a nova geração se preocupa em preservar a memória histórica e cultural.

(Colaboração muito especial de Edineia Isodoro, formada em Letras e matemática com mestrado em sociolinguistica ( mestra fresquinha).
Profissional- Trabalha na Secretaria de Estado de Educação- REN - Ji-Paraná, mas diretamente com os povos Arara e Gavião, indiretamente desenvolve outros trabalhos com outros povos de Rondonia. Atuo ha 13 anos com a questão indígena, e educação, como formação do professor indígena, assessoria pedagogica nas escolas indígenas etc, sem quem não seria possivel fazer esta matéria, e a quem devemos milhares de obrigados!)

Toque de Toque - Gerdulli e a Musa Musical

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Garimpe

Rãsh! Este é o meu primeiro texto para o Reação Cultural e ainda estou um pouco perdido em relação ao que tratar inicialmente. Afinal, o primeiro passo é sempre o mais difícil.

Quando recebi o convite para me juntar à família e tratar do tema música, logo pensei “ual, como tenho coisas a dizer, vai ser moleza”. Nope. Portanto, apelarei para o mais simples, farei uma singela apresentação pessoal, porém tentando direcionar para meu maior objetivo neste espaço, a renovação.

Tenho 26 anos, dez dos quais no meio musical, seja nos palcos ou divulgando artistas. Quando garoto, meu sonho era tocar especificamente em um bar aqui da minha cidade, Marília. O Alquimia era o point, reduto dos roqueiros. E eu fazia o melhor estilo rock and roll: vestia roupas pretas, cabelo comprido, brincos nas orelhas, ideologias furadas e odiava tudo o que não tivesse uma guitarra anarquista.

Ensaiei bastante com a minha banda da época, a Siddartha, fizemos alguns shows interessantes e, enfim, em 1998 conseguimos uma data no Alquimia. Já me sentia realizado sem sequer ter posto meu lustroso coturno naquele palco. Porém, durante tal apresentação ocorreu algo que jamais me esquecerei. Notei que muitos dos presentes se vestiam identicamente a mim, e vice-versa, mas por quê? Identificação de estilo? Para quê? Queríamos nos diferenciar, mas éramos uns iguais aos outros. Lembrei-me de uma máxima: "toda unanimidade é burra".

Ocorreu outra reflexão: por que estou tocando as mesmas músicas que as outras bandas tocam? Reproduzíamos as mesmas músicas das mesmas bandas que vinham (e vêm) sendo exaustivamente tocadas há anos. Existe uma lei que exige isso? Ademais, ainda me senti envergonhado por não termos composições próprias.

Caro leitor, aquela tempestade dentro da minha cabeça refletiu na minha performance e foi um dos piores shows da minha vida, contudo o mais importante, visto que serviu como um divisor de águas. Daquele dia em diante passei a insistir com meus amigos de banda para que compuséssemos e, dentro das covers, que inovássemos. Deveríamos trazer novidades ao público, e não insistir na mesmice. Nossa função, além de divertir quem nos assistisse, era a de informar. Tínhamos o poder de fazer a diferença. A partir de então corri atrás de conhecer sempre mais, independentemente do estilo, e se,atualmente alguém disser que sou roqueiro eu nego — eu gosto é de música.

Com a divergência de idéias a Siddartha não durou muito, uma pena, mas iniciei novos projetos. Passei a tocar músicas próprias em festivais e nos mais variados palcos e, quando necessitávamos do prazer de tocar uma cover, que fosse algo inusitado e novo aos ouvidos alheios. Dessa forma, mesmo que a contragosto, o público local conheceu artistas que não têm seus trabalhos executados em rádios e raramente aparecem na TV, somente nos mais alternativos programas.

Conseqüentemente, o cachê diminuiu, mas era por uma causa nobre.

Como nem só de idéias vive o homem, a primeira recompensa ocorreu quando conheci uma galera que se vestia como eu tempos atrás. Disseram eu ter sido o “culpado” por abrir suas cabeça e fazê-los enxergar o que antes jamais sonharam ver. Descobriram que havia muita qualidade além do mainstream e, por isso, estavam estudando música para em breve montar uma banda tão diferente quanto a que eu fazia parte. O movimento contra a mesmice e a favor da mudança surtia efeito.

Compreenda que não se trata de uma questão de gosto pessoal; o que quero deixar claro é que para o nosso enriquecimento, seja cultural, intelectual, profissional, enfim, é necessário irmos além. Mesmo que no começo seja difícil, principalmente pela falta de companheiros que abracem a causa, não se acomode; pesquise e divulgue. Descubra o quão afortunados somos por termos artistas competentíssimos nos guetos, nos menores palcos, nas rádios e gravadoras independentes, nos festivais, no meio alternativo, etc.

Nosso bem mais precioso está escondido da grande mídia, esperando que você o descubra. Garimpe-o!

Rodrigo Gerdulli
(Escrito ao som de David Bowie e Camera Obscura)






Rodrigo Gerdulli é músico, tradutor e colunista esportivo. Também é uma daquelas pessoas que, antes de nascer, ainda no céu, Deus aponta e diz "deste aí eu vou rir".


Poesia di Bernardi

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I

Carnadura


Triste, alegre coração humano.
Danado de lastro e lava.
Sujo, todo de delicadezas prontas.
Feito de cardos. Carneiro. Cárneo.
Pronto para o abate.
Feio de dálias leves e lúcidas,
seria o máximo dizer-lhe: sangro.

Porque Deus teceu a este ponto,
um coração feito de carne.

Nesse mossoró interno
compaixão e ternura,
lastro e lástima.
O dito cujo carnoso.

Feio de tudo,
seria o máximo dizer-lhe.
Porque teço a este ponto.
Poesia.
Seria isto soprar-lhe na ferida viva?
A palavra, das mais delicadas, a delicada.

De Deus, minhas carniças
.


II

Asa pedra

Cheia de muito cuidado,
letra, palavra, asa pedra,
do jeito que a gente acha
e ela nunca é.
Como corações.
Vá se foder, vá conhecer
o vermelho por dentro.
Isso que pesa nasce pronto,
verdadeiramente neutro
e delicado.
Mas vai escrever,
e a grafia desce torta, ainda que azul.
A gente colhe o inusitado na vida,
o barulho da voz de cada pessoa única,
suas feições, ângulos e gestos, ou ainda,
mais além, nosso próprio timbre estranho,
peculiar, sentimental.
Cheia de muito cuidado,
pluma, trem, pala palavra,
a tinta decora seu papel
onde a tua, já não sei mais,
o que era alma flora.



André Di Bernardi


Nessa desordem, poeta, enólogo, mágico e jornalista, já publicou três livros, “A hora extrema”, “água cor” e “longes pertos e algumas árvores

andre.bernardi@ig.com.br

CLAQUE-TE

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Cinema e Política: Um relacionamento entre tapas e beijos
(Por Roberto Queiroz)



Quando pensamos na equação cinema X política sempre ficamos com um gosto amargo na boca que invariavelmente, salvo raras exceções, quer dizer conflitos entre autoridades e cineastas. E essa batalha não é recente, não. Vem desde os tempos dos criadores do cinema (figuras como Sergei Einsenstein, D.W. Griffith, Dziga Tvertov, entre outras feras) que já mostravam nos primórdios da sétima arte o quanto o nosso sistema era opaco e cheio de fragilidades.

O tempo passou, o cinema cresceu – tornou-se uma indústria das mais invejadas em todo o mundo -, alimentou tecnologias capazes de deixarem os espectadores com o cabelo em pé. E o tom de denúncia (principalmente contra nossos “amigos parlamentares”) nunca ficou esquecido no tempo. Para alguns mestres, mais do que forma de expressão, o cinema político tornou-se uma escola que precisa ser alimentada com novas informações dia-a-dia.

É o caso do sempre polêmico e denunciador cineasta Oliver Stone. Dele partiram pérolas como JFK - A pergunta que não quer calar, filme que levou as autoridades norte-americanas a reabrirem o caso de seu assassinato, e Nixon (polêmica cinebiografia sobre a trajetória do antigo Presidente Richard Nixon, extremamente criticada na época de seu lançamento).

O mesmo tema foi abordado, desta vez pelo ponto de vista da imprensa, no ótimo Todos os Homens do Presidente (All the President’s Men, de Alan J. Pakula), que nos traz o escândalo Watergate na versão dos jornalistas que deflagraram o escândalo, interpretados pela dupla Dustin Hoffman e Robert Redford. Há outros diretores que preferiram seguir a linha satírica. Casos em que se enquadram Politicamente Incorreto (Bulworth, de Warren Beatty) em que o protagonista brinca com a questão da mentira contada pelos candidatos em tempo de eleição, Team América – detonando o mundo (Team América, de Trey Parker), animação que escracha literalmente com a figura de George W. Bush e seus asseclas E Fahrenheit 11 de Setembro (Fahrenheit 9/11, de Michael Moore), que tenta vender a idéia do atentado às torres gêmeas do World Trade Center com muita ironia e sarcasmo.

Outro grupo famoso é aquele dos que denunciam a política através de escândalos mundiais. Nesse grupo, temos Fernando Meirelles com O Jardineiro Fiel (The Constant Gardener), Spike Lee com seu fabuloso Malcolm X, o queridinho desse grupo – atual adversário da política liberalista dos EUA – o diretor, ator e produtor George Clooney com seu Boa Noite e Boa Sorte (Good Night and Good Luck) e o sempre engajado politicamente Stephen Gaghan – roteirista do excelente Traffic, de Steven Soderbergh, e seu Syriana.

Aqui no Brasil, dois grandes exemplos dessa vertente são O Que é isso, Companheiro?, de Bruno Barreto (sobre o seqüestro do embaixador dos EUA em nossa terras durante o período militar) e Brasília 18%, de Nelson Pereira dos Santos, que foca através de um assassinato as corrupções e artimanhas que se passam 24 horas por dia na nossa capital federal.Poderia passar anos falando dessa relação de amor e ódio entre cinema e política, mas acredito que os exemplos acima já dão por si só uma amostra desse universo tão rico e denunciatório.

E podem aguardar, pois muito mais vem por aí. Principalmente se formos tomar por referência a situação no oriente médio. Aí, então... haja fotograma!



ROBERTO DE QUEIROZ

Carioca, 29 anos, morador da cidade maravilhosa,amante das mais inusitadas expressões artísticas (emparticular da sétima arte), do qual me considero umconfidente mordaz.

Tuesday, September 26, 2006

Especial Primeiro de Maio com Prof. Toni

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1º de Maio - quando o sonho desaparece
Por Prof. Toni


Sinto-me traído pelo movimento sindical que hoje adormece nos braços do governo. Não reconheço a
Central Única dos Trabalhadores que faz um 1º de Maio com Bruno e Marrone, embora também suba ao palco este ano Leci Brandão e Chico César, bem melhor que o KLB e outros dos anos anteriores. Que a Globo faça dessas figuras suas atrações principais. A CUT é que não pode reproduzi-las, faça-me o favor!
Seguindo esse caminho, logo a CUT irá sortear carros e apartamentos, como faz a
Força Sindical, central comandada pelos pelegos históricos que se apossaram do Sindicato dos Metalúrgicos tendo a frente os famosos Joaquinzão, já falecido, e o neo-Lulista, Luiz Antonio de Medeiros (clique aqui para saber um pouco mais sobre esse sujeito).
E pensar naqueles abnegados que sempre subiram aos palcos da Central em troca de poucos miúdos, mas que se identificavam com o povo trabalhador, que traziam mensagens que poucos tinham oportunidade de ouvir... Quanta saudade! Seria nostalgia da "quase terceira idade"?
Mas nem sempre foi assim. Vejam o artigo escrito em 2001, por um dirigente da CUT (clique
aqui para ver o artigo na íntegra):

“No Brasil, a CUT, neste ano de 2001, como sempre fez, chamou os trabalhadores para um 1º de Maio de luta. Ou seja, a continuar a tradição dos trabalhadores do mundo inteiro. Um 1º de Maio comemorado sem governo e sem patrões. Um dia de reafirmação das nossas reivindicações. De defesa do que já conquistamos. Dia de reforçar a união dos trabalhadores enquanto classe explorada que luta para acabar com toda forma de exploração e opressão. Dia de gritar bem alto que o socialismo é a única alternativa à barbárie própria do capitalismo. Esse é o sentido histórico do 1º de Maio.”

As críticas que ele faz às outras centrais podem ser repassadas à CUT, com exceção dos sorteios de carros e apartamentos (não sei por quanto tempo).
Hoje o movimento sindical, outrora chamado de combativo caminha lado a lado com o governo, tendo transformado um dos seus líderes, Luiz Marinho, em ministro de estado.
Parece que a história se repete e assim como foi no governo João Goulart, derrubado pelos golpistas de 64, os movimentos populares tornam-se parte do Estado, deixando-se enredar pela administração e abandonando as lutas à sua própria sorte.
Como se ser governo fosse a eternidade!
Resta-me chorar os mártires do 1º de Maio.

(escrito em 29/4/05 – adaptado anualmente.)
Para ver a fonte da imagem, clique aqui.

Editorial

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Quinzena às vésperas de eleição, e há muito a dizer e muito a pensar. No fim, ao final das contas, há muito a se fazer.

O que mais me preocupa no que diz respeito a meu interesse pela política, é que a teoria é quase sempre perfeita e a prática sempre improvável. Tentação quase me obriga a dizer impossivel... Porém, acredito em possibilidades. Até posso estar redondamente enganado, como geralmente nos lidam as crenças não baseadas em fatos e ocorrências concretas, mas mesmo assim prefiro acreditar que há possibilidades. Prefiro acreditar que este mundo que não pertence só ao Brasil ou só a Portugal (pasmem, ora poij) ainda tem alguma chance.

Voltando à política. Tenho medo dela. Tenho medo das pessoas quando se contagiam com ideais mais do que com a ação e pior! Tenho medo de mim, porque sou exatamente assim. Estudo, escrevo, brigo, ronco, xingo, critico, ofereço minhas limitadas soluções, admito que não sei nada, mas em verdade quero acreditar que sei e, no fim do dia, não fiz nada! Nao fundei uma ong. Não escrevi um livro. Não editei um documentário. Não alfabetizei ninguém. Não dei de comer a ninguém. Não ofereci a ninguém assistência médica, ou qualquer tipo de assistência social.

Foi então que decidi criar o Reação. Sabendo, mesmo em negação, que outros fazem melhor e mais bonito. Mesmo sabendo que outros fazem mais. Criei o Reação porque sei que quem ao Reação contribuir, reage. Fundei este espaço para que possamos instigar, bater cabeça, sortir idéias. DEBATER E SUGERIR.

Portanto, é meu compromisso com vocês que, além dos textos, dos poemas, das fotos e cartuns (que ainda chegam, calma lá), também teremos fóruns de diversas áreas, esperançosamente com a colaboração do público, de preferência brasileiros e portugueses trabalhando juntos em nome de idéias, e idéias a transpô-las do papel ao plano real.

A partir desta edição, atualizarei o blog provisório com novos textos a cada quatro dias até o período de renovação da quinzena, e assim também sera quando tivermos, UFA, o sítio oficial.

Começo esta edição com Joaquim dos Santos em um verso interessante feito a ninguém menos do que nosso presidente Lula da Silva. Ora poij, será que Lula tem andado atrás dos montes?

Logo, Prof Toni explica o medo do golpe baixo da oposição às vésperas da reeleição inevitável de Luis Inácio.

Sem nenhum medo, Silvio Vasconcelos ilustra um papo entre políticos com a crônica Palanques.

Cristina Bondezan reclama o descaso com as obras faraônicas pré-eleições, e seu abandono quase sempre efetivo à troca de cada gestão, em sua coluna Arquitetura Social..

Adriana Oliveira nos mostra um pouco do universo feminino visto aos seus sensíveis olhos poeticamente observadores em Venus Contra Ataca.

Luis Miguel Luz fala de modo irreverente sobre suas peripécias em Crónicas da Vida de Casado.

Introduzo também a caricatura de Sarney que vem dando o que falar, e um pouco sobre a dramática luta de Alcinea, e o caso dos blogues fechados pelo Coroné do Amapá.

Além disto, temos os DEBATES, perguntas feitas ao final de alguns tópicos às quais queremos responder. Enviem suas opiniões melhor formuladas a
ADMIN@REACAOCULTURAL.COM e estas serão postadas em campo especial. O importante é que VOCÊ participe!

Daqui a quatro dias, aguardem a fantástica jornada cultural ao conhecimento de uma parte da história e da luta da tribo Gavião, em Rondônia.

Espero que gostem deste espaço, continuo esperando manifestos dos leitores, e na espera, fiquem com meu abrax

Roy Frenkiel
Editor que não edita
25 de Setembro de 2006

XO SARNEY!

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Há pessoas como Alcinéa nesta vida.

Batalham, mesmo às custas da pressão política, mesmo às márgens de um sistema corrupto, pela liberdade de expressar o que melhor cabe, e com a expressão, procurar que o povo por si faça a justiça necessária.

Há meses vem sofrendo por seu trabalho valioso à sociedade. O candidato às eleições do Amapá, José Sarney, quando se viu criticado – o leitor bem decida se o ataque é justo – moveu inúmeras ações contra os blogues de Alcinéa e sua irmã, pedindo a retirada de postagens, comentários e, especialmente, do logotipo usado contra sua imagem, o XÔ SARNEY postado aqui com o emblema oficial de sua empreitada. Conseguiu o fechamento de seu espaço anterior, mas Alcinéa não desistiu, e migrou ao Blogspot. Sarney demandou exclusões e censuras, atraves do TSE, a troco de graves multas diárias. Até hoje o faz. Segue fazendo. Em entrevista recente à Folha, percebe-se seu medo através das negações. (Tudo isto e muito mais, em seu blogue, linkado AQUI... Ou em qualquer lugar onde diz o nome de Alcinea)

Pois é, até hoje Alcinéa lida com as ações que Sarney movimenta através do Tribunal Superior Eleitoral, clamando um jornalismo anti-profissional da parte desta verdadeira guerreira. O que ocorre, para seu maior pesar, é que sempre que o faz, sempre que pede silêncio, centenas de outros bloguistas do Brasil E DO MUNDO se manifestam contra ele. Por que será? Sarney é conhecido por ser o ‘dono’ do Amapá, sabido de suas corrupções, de seus favoritismos, de sua insensibilidade para com as necessidades do povo, e certamente, completamente alheio às necessidades culturais de nosso Brasil. Nada neste retrato ocorre à toa. Para um adversário político há interesse em causar difamações, como vemos o mais recente caso do dossiê Watergate made in Brasilia. Para Alcinea e seus leitores, colaboradores e interessados em melhorar a situação social do país, não existem motivos falsos para nadar contra a maré. Os motivos mais falsos são verdadeiros.

Não podemos deixar que os mesmos CRÁPULAS mal acostumados a DESgovernar o país continuem no poder. É nosso dever cívico apoiar quem mais se arrisca nesta história toda, e quem mais se arrisca, no final, somos todos nós, os que não sabem e não querem E NÃO DEVEM se calar.

O Reação tem as portas abertas para ela e seus amigos colaboradores, e assim sempre terá. PODEM NOS USAR!

Por Alcinéa e por seu movimento, recomendo que não só visitem seu blogue, mas ESPALHEM esta caricatura por aí, mesmo não sendo do Amapá. Provemos que pelo menos neste caso, a força dos internautas tem peso e pode mudar tudo.

Por Alcinéa, uma prece cultural em nome da justiça, igualdade e LIBERDADE DE EXPRESSÃO.

Tinta por Lula da FFFilva

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A tinta escura que a Lula larga na fuga para a frente

não chega para o difffimular de predadores,

nem fffequer a mudanfffa de cor numa camuffflagem ornamental e luminosa,

de acordo com o fundo do mar em lama

que alguns PTistas engendraram,

numa vergonhosa nova color-de-melorização

da mesma venalidade,

da mesma tentação tentacular,

da mesma mentira mentida,

auto-perpetuadora nas doçuras ilimitadas de estar e continuar no poder a qualquer prefffo,

já que poder é dinheiro

e o poder como o dinheiro

está à espera de quem o fffouber apanhar nem perca a oportunidade de o agarrar,

metido obscenamente ao bolso como se fffofffe a coisa mais natural do mundo.

O refffente escândalo político brasileiro

que envolveu membros do Partido dos Trabalhadores

na compra de um relatório fffupostamente

com inffformafões para prejudicar candidatos da oposifffão,

efffe como outros,

fffão fffempre coisas que se pafffam nas costas de Lula da FFFilva,

e que por ifffo mesmo o fffalvam nas fondagens que se divulguem.

Mas nunca como hoje o povo

está sem fffaco

para as traifffões à fffua confffianfffa.

Sem fffaco para as tuas inofffentes inofffênfffias,

Porque tu ou você, Lulão, não tem qualquer culpa

que a honestidade e a limpeza de profffefffos

não tenham fffeito escola na classe dirigente,

nem que ela, a clafffe dirigente, mesmo saída do povo,

de imediato o esqueça e queira fffer outra coisa que povo,

talvez os mesmos piranhas privilegiados que há duzentos anos

fffugam e fffugam o povo e a economia brasileiras

e mentirosamente responsabilizam o longínquo pafffado colonial

e ainda mais colonial na pós-colonialidade para justiffficar

o que ainda não foi feito e vai sendo tão mal feito.

Povo, ó meu bom povo brasílico,

continua assim já que o preferes, dormente na tua esperança já velha!

Não há punifffão para os

abutres e denigridores,

para os que recorrem a toda a estúpida baixeza

a fim de se garantir lá, onde o poder é poder.

Não há punifffão porque as fffondagens mostrarão que,

apesar do escândalo que atingiu o Partido dos Trabalhadores

e chegou até ao Palácio do Planalto,

Lula da FFFilva, fffofrerá somente oscilafffões negativas de apenas um ponto,

pafffando de 50 por fffento para 49 por fffento das intenções de voto

e afffim fffufffefffivamente.Não há puniffão. O povão é bom.


A tinta escura que a Lula larga na fuga para a frente

não chega ou chega para o difffimular de predadores,

nem fffequer a mudanfffa de cor numa camuffflagem ornamental e luminosa,

de acordo com o fundo do mar em lama

que alguns PTistas engendraram…

Não, a tinta fffunciona e a camuffflagem resulta:

não há punifffão.


Joaquim dos Santos

Nasci numa terra litorânea portuguesa em pleno noroeste ibérico e, antes de olhar para o mundo, já ganhava raízes e apegos apaixonados a essa pequena parcela de mundo, sonhando em voar só com a força da vontade e sem motores, enquanto olhava um céu sempre povoado de aviões comerciais, pardais e outros pássaros num voo baixo ruidosamente invitativo.


Prof Toni

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A despolitização da política

Cá estamos às portas de mais uma eleição presidencial, no próximo dia 01/10 Assim ficaremos mal acostumados, acho que nunca votamos tanto para presidente sem a interrupção de um golpe!
Eu empaquei! Não voto mais enquanto o voto for obrigatório!
Absurdo! Quem sabe quais são os outros países onde os legisladores dementes empurraram tal medida goela abaixo do eleitorado?

Também precisamos de uma reforma política urgente, com financiamento público de campanha, fidelidade partidária, voto distrital misto etc.
Embora as regras estejam já estabelecidas, existe um cheiro de golpe no ar, golpe contra a vontade popular.

Nestas eleições os golpistas não portam armas, nem andam a cavalo ou em tanques, eles usam laptops, Word, celular banda larga e alguns até mesmo terno e gravata. Estão amontoados nas redações dos jornais, rádios, TVs e portais da internet, sob as botas dos patrões é claro!
São ajudados por nobres jurisconsultos, magistrados e distintos integrantes da oposição que, sabedores da derrota nas urnas, tentam escavar alternativas para chegar ao poder.

Enquanto isso os partidos políticos, ou arremedos disso, disputam o eleitor por meio do horário eleitoral gratuito, um método que duvida da inteligência do cidadão, que não educa, prioriza o marquetingue político em detrimento das idéias.

O PT, que ajudou a eleger Lula em 2002, esfumaça-se em trapalhadas, escândalos e incompetências jurássicas; PSDB vestiu a carapuça da direita conservadora, OPUS DEI na veia, com o picolé de chuchu como legítimo representante da elite jeca que comanda esses terreiros, óbvio de braços dados com os grandes oligarcas do PFL; os outros partidos que apresentaram candidatos presidenciais são meros figurantes.

No tocante aos governadores das unidades da federação a toada é a mesma. Dentre os maiores estados só o bravo Rio Grande do Sul levará a eleição para governador ao 2º turno, nos outros, como São Paulo, José Serra (PSDB) ganha com tranqüilidade e em Minas Gerais a reeleição de Aécio Neves (PSDB) caminha para uma goleada histórica na oposição.

Do legislativo é bom nem falar. Uma empulhação!


Antonio Carlos da Silva

Licenciado em Geografia pela Universidade de São Paulo. Docente desde 1993, é professor do CPV Vestibulares desde 2004. É autor do Material Didático de Atualidades para as turmas de Pré-Vestibular do CPV. Foi consultor do Portal Klickeducação.Atuou junto ao Núcleo de Educação de Adultos da Faculdade de Educação da USP, elaborando material didático para os professores, lecionando para o Grupo de Alfabetização Solidária e prestando assessoria para Prefeituras e ONGs.

Para Debater, escreva a ADMIN@REACAOCULTURAL.COM respondendo as perguntas abaixo:

O que acha do governo do presidente atual?
Um segundo mandato faria bem ao país?
O que você espera para o Brasil, politicamente, para os próximos quatro anos?
O que o povo poderia fazer para melhorar?

Silvio Vasconcelos

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Palanques

O velho político estava sorridente na esquina mais movimentada da cidade. Entregava seus folhetos com um sorriso largo, passava a mão na cabeça das crianças, cumprimentava os mais idosos como se fossem conhecidos de longa data. Justamente quando pegava no colo uma menina de vestido rosa e cabelo encacheado, ouviu um grito vindo do anonimato que encoraja as verdades e debochava da mentira:

- Corrupto!

A mãe ainda conseguiu aparar a criança que do braço do velho senhor despencava. Como numa sinfonia de Beethoven, todos os ruídos pararam e ficaram de prontidão para o próximo compasso.

O velho levantou a bengala e desafiou:
- Quem disse isso?

As pessoas da primeira fila faziam que não com a cabeça, com o dedo indicador, até com o pé uma senhora negou. Um cachorro de rua que ali rondava chegou a dar um latido, mas foi logo inocentado pelo timbre de voz. Entreolhavam-se enquanto o burburinho aumentava. O velho voltou a perguntar:
- Quem foi que disse isso?

- Fui eu! – uma voz rouca veio do meio da multidão. Dava para escutar o barulho que faz
o sinal ao mudar de cor no instante seguinte à declaração daquele outro velho de estatura baixa, de bigode branco e fino, com sua bengala metálica.
A multidão, como que comandada por um diretor de cena, foi se abrindo até que os dois se encararam com seus panfletos nas mãos. O velho baixinho e desafiador, trazia no peito o símbolo de seu partido, logo abaixo de sua foto, de uns 30 anos atrás, quando ainda tinha algum cabelo no meio da cabeça, onde agora jaz uma pobre verruga, que, por ironia, ostenta um grosso chumaço de cabelo negro.
- Só podia ser Vossa Excelência Venceslau de Araújo, o comunista mais gatuno que já vi!
- Vou te perseguir até teu túmulo, velho corrupto, ladrão, fascista de uma figa!
- Olha quem fala, olha quem fala!... Ainda tenho aquelas fotos de Nova Iorque onde Vossa Excelência e eu fomos juntos e que o senhor só queria andar pela noite e dizia que estava estudando a segurança pública!
- Benevides Madureira, o santo homem que conseguiu verbas para erguer três ginásios de esporte para dez mil pessoas cada um, numa cidade que tinha apenas dois mil habitantes!As bengalas eram balançadas feito espadas. A saliva de um já se aproximava dos óculos do outro e os passos arrastados já tinham sido desperdiçados na mesma direção. Aos berros que estavam, seriam ouvidos a uma quadra de distância. As pessoas assistiam à cena, alguns aplaudindo, outros vaiando, outros pasmos em ver figuras tão conhecidas na cidade digladiando em insultos.
- Deputado Venceslau, ainda com aquele slogan de ajudar aos miseráveis? Vossa Excelência não se esqueceu de que a verba que serviria para erguer o hospital de pronto socorro foi parar em vossa fazenda em Goiás?
- E o senhor Madureira, que dizia que a educação era fundamental, o que fez com o dinheiro que recebeu das empreiteiras que forjou vencedoras das licitações para receber seus quinze por cento, seu ladrão sem vergonha? O combinado era dez e Vossa Excelência quis mais, seu mau caráter!
- É fácil dizer que eu sou mau caráter, quando o digníssimo colega usou de documentos falsos para vencer a licitação que asfaltou a estrada que vai até a sua fazenda!
- Pelo menos não vendi minha fazenda para a reforma agrária e depois expulsei os colonos com meus jagunços!
- Claro, o nobre deputado mandava matar e nunca foi pego, porque pagava muito
bem os juizes!
Enquanto tudo isso transcorria a população ria, aplaudia e gritava vivas ora para um ora para o outro.
- Não tenho mais idade para ser ultrajado desse jeito!
- Sua velha onça vermelha, porque não se aposenta, já que o ilustríssimo colega recebe aposentadoria desde os vinte e oito anos?
- E Vossa Excelência, que não se aposentou e ainda recebe salário de quatro repartições públicas?
O povo vibrava com o bate bocas instalado. Faziam comentários, gargalhavam, vaiavam.
Meia hora depois o episódio tinha acabado e o povo seguia seu curso, feito um
rio que se joga ao mar e não sabe mais de onde veio tanto destroço de enxurrada.Passado um mês, estavam os dois no mesmo palanque, rindo abraçados, apoiando o mesmo candidato à presidência, felizes por estarem re-eleitos.
Sílvio Vasconcellos, 44 anos, vive em Novo Hamburgo RS, Brasil e é administrador de empresas. Desde 2005 mantém dois blogs na Internet: Uni-verso In-verso e Contos & Encontros onde exprime sensações poéticas e textos que exploram os limites do ser humano, experimentando sentimentos em primeira pessoa ou descrevendo como um espião o desenrolar de seus personagens.

Arquitetura Social

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Planejamento Urbano - Necessidade e vaidade


Nos períodos de campanha eleitoral, vemos com tristeza nos municípios desse nosso Brasil , obras com início às pressas e que muitas vezes não são concluídas até o final da gestão.
Como não existe comunicação entre uma administração e outra – até porque os funcionários públicos de carreira ,que seriam os grandes responsáveis pelas informações , querem mais é ganhar “o seu” no final do mês e boa – as obras inacabadas nem sempre são prioridade para a equipe que entra , ou por falta de recursos, ou de interesse pelo projeto , que já vem marcado com a cara de quem saiu ou perdeu , ou por todas as razões juntas.

Cada novo administrador quer deixar vaidosamente sua marca individual - desejo que acaba se concretizando , geralmente por motivos pouco edificantes ( ai, foi sem querer ).

E como fica o cidadão comum nessa ? Fica como sempre ficou: sem segurança com a falta de manutenção , limpeza e com o descaso aviltante bem na sua cara , além do evidente desperdício de recursos públicos que esse processo todo acaba por gerar.

Planejamento Urbano é a pasta mais desconsiderada de uma administração pública, em todos os níveis – municipal, estadual ou federal. É aquela que dá inúmeros discursos : preservação ambiental, qualidade de vida, respeito ao meio urbano, blá blá blá , mas que na prática pouco ou nada acontece.

Se um Prefeito precisa decidir se constrói um Centro Esportivo ( nada contra , é só um exemplo ) ou se amplia a rede de água e captação de esgoto numa determinada zona da cidade para estimular ou direcionar o crescimento ou mesmo dar um mínimo de qualidade de vida aos moradores , por qual obra ele optará ? Claro que pelo Centro Esportivo – visível e passível de se “tocar a banda” , infra estrutura ninguém vê !!!

Planejamento Urbano deveria ser levado a sério, com projetos de curto, médio e longo prazos pensados por equipes de técnicos idôneos e competentes , estimulados pelo respeito que todo técnico deveria ter , ficar a margem da política partidária , e não se traduzir por uma caixa de pandora de onde se saca idéias pontuais , normalmente desagregadas do contexto global da região , desconsiderando as necessidades da população, e o pior : muitas vezes são projetos elaborados “no sentimento “, sem qualquer detecção de necessidades e prioridades da população local, sem cadastramento físico , sem levantamentos , sem pesquisa, sem banco de dados, sem comprometimento.

Legislação urbana é a que define , padroniza e organiza ações , disciplina espaços . Pena que é elaborada sempre no modo curativo , nunca preventivo , que garanta um mínimo de segurança, conforto e harmonia no meio ambiente construído , sem falar na competência técnica de quem a elabora. Mas ainda, e mesmo dessa forma capenga , é o que temos para assegurar o não caos total e a baderna institucionalizada principalmente quanto ao uso e ocupação do solo ( matéria para próximos textos ) , mas , algumas questões insistem em me rodear : Quem fiscaliza a prática da lei? Ela é válida para todos, indiscriminadamente?
Se a moda é falar em inclusão social, por que não criar e assegurar também a inclusão urbana?


Cristina Bondezan é arquiteta e urbanista. Nasceu e cresceu em São Paulo entre os italianos dos bairros do Cambucí e da Mooca. Exerceu cargos públicos na área de Planejamento Urbano, é docente do curso de "Design de Interiores "nas disciplinas : Projetos, Revestimentos , Gestão e Empreendedorismo. Seu escritório profissional situa-se na cidade de Marília, interior de SP . Um sonho : Ver o Brasil livre do parasitismo político . Um prazer : viver em amplitude e com olhos atentos...

Venus Contra-Ataca

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Dor e Sede

Por Adriana Oliveira

Há muito tempo eu pensei, ser mulher é dor e sede... Frase antiga, meio dramática, meio melancólica, e de vez em quando ainda é um pensamento legítimo, infelizmente. Estando debruçada na questão feminina por afinidade e súbita determinação, tentei chegar a um entendimento do que é essa mulher diante detantas mudanças, há quem chame conquistas, de forma hipócrita e vingativa.

Exercer papéis que se alternam ao longo do dia, que escravizam e subjugam ainda, talvez mais. Uma colunista gosta de se dizer Amélia num dia e sadomasoquista dois dias depois, convicta de estar superando suas ascendentes em todos os aspectos e se realizando plenamente. O que não menciona é seu prozac matutino eo ansiolítico da noite, suas crescentes despesas com botox, silicone e maquiagem. Anfetamina e lingerie, crises de choro, ao ver a filha escondendo comida, e padecendo frio e fome para ser um modelo de mulher que a mídia vende adolescentes carentes e deslocadas, nesse terceiro milênio em que não sabem ondese estabelecer.

As realidades femininas são muitas, na China continuam mutilando os pés das meninas para torná-las valiosas no matrimônio ou na prostituição, aleijadas, quando sobrevivem à gangrena e aos maus tratos familiares. Na África ainda mutilam as meninas retirando-lhes os clitóris, e criou-se agora um novo mito,que a cura para a AIDS é fazer sexo com uma menina virgem, daí...

No Brasil oíndice de prostituição infantil é escandaloso e a falta de informação torna agravidez na adolescência um fenômeno cada dia mais atual, que só não perde para a prostituição da classe média alta, cujo ícone de sucesso é uma certa Bruna Surfistinha. Não sei dizer das mazelas que sofrem as pobres mulheres mulçumanas,ocultas por panos e lenços ou nos cômodos incômodos da casa, perdendo seus filhos e irmãos, sua história e seu futuro.


Eu tentei dizer que nesse universo do caleidoscópio macabro, onde o feminino do terceiro milênio se situa, ainda há muito por fazer, e muitos mitos a vencer para atingir uma liberdade verdadeira, que não se limite às fotografias dos álbuns e revistas, fotologs etcétera. Mas uma atitude que permita a mulher umverdadeiro espaço, além das exigências estéticas, profissionais e familiares,que superam em muito a possibilidade de uma realização legítima.

Sem anestesia, com sua palavra, sem maquiagem nem idealização.


Para Debater, escreva a ADMIN@REACAOCULTURAL.COM respondendo as perguntas abaixo:

O avanço social tem incluído a mulher como desejado?
O que devemos fazer para integrarmos melhor os sexos?

Crónicas da Vida de Casado

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Por Luis Miguel Luz


O tema de hoje é o prolongamento de qualquer homem na “sua” casa, o imprescindível telecomando da televisão. Quantas vezes nós os homens, somos alvo de comentários menos dignos, por quem se comprometeu a nos respeitar perante uma suposta entidade superior, devido ao uso “excessivo” do telecomando. Esses tipos de comentários pouco respeitadores para a figura masculina, devem-se a um profundo desconhecimento, por parte da mulher, do importantíssimo papel que o telecomando tem para o homem moderno. Eis pois, o objectivo da crónica desta quinzena, elucidar todas as mulheres que incomodam, aborrecem, chateiam, embirram, e porque não dizer: maltratam os homens, quando estes estão sossegados, pacificamente acomodados no seu pequeno canto, sem chatear ninguém, com o seu amado telecomando na mão (posso-vos garantir que esta crónica será escrita com um pequeno e teimoso nó na garganta, por este ser um tema ao qual sou bastante sensível). Vamos então a isso:

Nos relacionamentos modernos, como escrevi na crónica anterior, houve uma reviravolta no conceito de chefe de família. O chefe de família deixou de ser o tradicional (o homem) e passou a ser aquele que mais dinheiro traz para casa (excepto se essa pessoa for o elemento masculino do casal, nesse caso é a mulher que assume o lugar de chefe de família). Ora bem, está provado cientificamente que o homem precisa de sentir que tem algum poder, pois caso contrário pode-se dedicar a perigosas actividades extra conjugais, tais como meter-se nos órgãos directivos de um clube de futebol, ou entrar para a política (em Portugal ao fazer uma, a outra vem por acréscimo).

É então esse o importante papel social que o telecomando da televisão representa na sociedade moderna: fazer com que o homem sinta que tem algo que realmente comanda na “sua” casa.

Sem o telecomando o homem não passa de um bicho estranho à casa, um bicho intrometido e indesejado, sem qualquer tipo de poder. Com o telecomando sentimos que existe algo que é nosso, que nos pertence, que nos obedece, que está ali para realizar todos os nossos desejos. Estamos tão dependentes do telecomando da televisão que, quando o mesmo começa a falhar, nem conseguimos acreditar. Simplesmente entramos em pânico. Como é que é possível que o nosso fiel telecomando se recuse a nos obedecer? Sentimos o mundo a cair à nossa volta. O desespero toma conta de nós: Fomos Traídos. Como é que ele se atreve? Perguntamos, cheios de raiva. Quantos telecomandos não foram já enviados ao chão, á parede, lançados pela janela fora, só porque tiveram o atrevimento de nos desobedecer? Há quem, como eu, lhe tente falar ao coração, mostrando-lhe a importância que ele tem na nossa vida, fazendo-lhe promessas desesperadas: “Vá lá meu amor. Não me faças isso. Prometo que passarei e cuidar melhor de ti. Compro-te algo que impeça a formação de mais, dessas horríveis cicatrizes, que preenchem esse teu corpo.” Pequena nota: Certifiquem-se que a vossa mulher não vos está a ouvir, pois caso contrário podem ser mal interpretados, tal como já me aconteceu a mim: “Ó grande estúpido, se voltas a referir-te assim à minha celulite, passas a dormir definitivamente no sofá. E levanta imediatamente esse cu gordo do sofá e vem pôr a mesa. E esta é a última vez que o repito.”

Quando finalmente nos apercebemos que afinal é só falta de pilhas, um alivio momentâneo toma conta de nós, momentâneo porque depois lembramo-nos que não fazemos ideia do local onde as pilhas se encontram na “nossa” casa (nem as pilhas nem qualquer outro tipo de objecto). Aí outro tipo de desespero toma conta de nós, entramos na fase de ressaca, passamos a sentir os nosso membros a tremer, a boca seca, a ter pensamentos incoerentes. Só uma coisa nos interessa: encontrar as pilhas rapidamente e dar vida ao nosso telecomando. No meio de tudo isto temos que ouvir a insensível da nossa mulher aos gritos: “O que é que tu estás a fazer? Não desarrumes as minhas gavetas? O que é que tu estás à procura? Porque é que estás com os olhos vermelhos?” Quando, finalmente, se apercebem que estamos na fase de carência, lá nos resolvem ajudar (bom, é mais para que deixemos de desarrumar as suas gavetas). “Toma lá isto, viciado.” dizem-nos elas, mas nós nem ligamos. Mal sentimos as pilhas nas mãos, tentamos o mais rapidamente que os tremores nos deixam, dar vida ao nosso telecomando. Quando, finalmente, o conseguimos, voltamos ao nosso sofá e o mundo volta a estar sob o nosso controlo. Tudo volta ao normal, finalmente.
As nossas mulheres tem que entender que o telecomando da televisão é, para o homem moderno, o equivalente às armas de caça dos nossos antepassados. Com o telecomando temos o poder de vida e morte, eliminamos sem piedade o que não nos interessa, calamos temporariamente, ou de vez uma determinada personagem, viajamos pelo espaço e pelo tempo, temos literalmente o total controlo do mundo. Mas não só do mundo televisivo, o telecomando da TV tem funções que só depois de casado conheci, funções poderosas. Quantas vezes estamos no sossego do nosso sofá, a ver um dos nossos programas preferidos, e nos apercebemos de um irritante ruído de fundo, resultante de um tagarelar constante das nossas mulheres com as suas conversas de serão. Experimentem apontar o telecomando para a vossa cara metade, e premir o botão que tira o som. FUNCIONA. Mas atenção, para que realmente funcione é necessário que elas vos vejam a fazer isso, ou seja, por razões que ainda não percebi, só funciona se apontarmos directamente para os seus olhos. Se apontarem para a nuca, nada.

Existe, ainda outro grave defeito, que espero que seja rapidamente resolvido pela mais moderna tecnologia: há uma relação qualquer entre o botão do som e a vontade pelo sexo. Quando tiramos o som à nossa mulher, infelizmente tiramos também a sua vontade para ter sexo connosco, pelo que o meu conselho para a quinzena, é que usem este botão com moderação.



Luis Miguel Luz, 38 anos, casado e pai de uma filha com 5 anos. Um gajo porreiro, bonito (de acordo com os actuais padrões de beleza patrocinados pela Fast-Food) que gosta de ouvir, tolerante e que, acima de tudo, nunca se cansa de realizar a sua parte das tarefas domésticas.....Pois...

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