Tuesday, July 17, 2007

Editorial Reação Cultural 21

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Mais uma edição atrasada por problemas de infra-estrutura, o principal sendo sua inexistência total entre os componentes de nossa equipe fantasma. Mas, mesmo assim, conseguimos juntar os textos salvos pelo editor que não edita, ou seja, eu, e agora os lançamos ao ar sem o menor sentimento de culpa. Sentimento severo mesmo, apenas o de inferioridade.

A Copa América acaba de acabar, e o Brasil ensina uma excelente lição ao mundo: somos os melhores! Claro que não somos, e claro que a lição é falsa, e o único que nos falta é que Afonso, Fernando, Alex Silva e Nando pensem que são bons o suficiente para vestir a camisa da Seleção. O que aconteceu, segundo as palavras confiantes de Venâncio, é que nosso pessimismo – e principalmente o da mídia sincera e dolorosa dos cotovelos – serviu de motivação ao psicológico da equipe, enquanto a pressão do favoritismo comprometeu o futebol até então mágico da Alvi-Celeste.

Ao bem da verdade, o que mais prejudicou o Brasil é pensar que é invencível, tanto na Copa de ’98 quanto na de 2006, bem como em ’82 e ’86. Jogando com o favoritismo nas costas, parece que o “jeitinho brasileiro” impossibilita a batalha desesperada pela vitória do sofredor. Mas, o que isso tem a ver conosco, com o R.C.?

O Brasil hospeda o mundo no Pan Americano de 2007, leva a Copa América, e tem quase tudo para sediar a Copa do Mundo de 2014. Além disso, de quebra, a estátua do Cristo Redentor no Rio de Janeiro foi eleita “maravilha” do mundo. Nossa moral está em alta! Será?

Além da Canarinho ter jogado como zebra nessa final de Domingo, dia 15 de Julho, o Brasil como país está no mesmo cheque, uma zebra atrás da outra. No Pan Americano, enquanto o BOPE canta a varrida étnica dos cidadãos do complexo do Alemão, a população protestava com faixas dizendo: “Sem saúde e sem educação não resta lugar para o esporte!” Apenas discordo em um ponto: o esporte é essencial para obter-se saúde e educação caso assim seja usado, mas a apresentação, o espetáculo, as cores furiosas que queremos representar apenas em assuntos triviais irrita. O que ocorre no Rio de Janeiro é imperdoável, precisa ser mudado ontem, mas o que importa é estruturar a cidade para receber os respectivos comitês olímpicos mundiais. O que mais importa é sediar a Copa do Mundo de 2014. Pois bem, não é possível que as únicas batalhas que lutemos sejam as quais nos garantirão o lúdico e que nos possibilitarão ludibriar o sentido de nossas próprias existências. Onde está a verdadeira mobilização?

Não se enganem. Quem escreve é fanático pelo esporte, torcedor intenso da Seleção e de todas as demais seleções esportivas de nossa país. O que irrita, e irrita mesmo, é fazer festa em tempos de guerra sem precisar atender à urgência desta guerra, à sua violência. E isso não ocorre apenas no Brasil. O mundo parece usar a mesma máscara para enxergar, ainda que escassamente, as cores do próprio mundo.

E o Reação Cultural propõe: Párem de pingar colírios, a realidade é essa mesma. Está na hora de limparmos nossas casas.

Abraxão,

Do editor andrógeno,
Roy Frenkiel

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Comentários da Quinzena

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No Editorial

De Ophelia

Que bacana essa segunda fase, uma revista leve, inteligente e irreverente. Brigada.

Bjs

Ophélia


De Saramar
Não entendi nada, porque acabo de chegar.
Mas, gostei muito. Beijos
De Jens
Viva a iconoclastia.Gandaia Já! Falando nisto, na próxima edição sai a conclusão do casório do Marconi Leal, tão esperado pelo leitorado - ou mudo meu nome para Suely, ao seu dispor.
Um abraço.


De Cybergirl

Roy, eu estava lendo os comentarios da semana e as respostas do Jiló, ou abobrinha, não sei... houve uma pergunta: O selinho não pode ser pra mim?

Ele estava me contando 'no potuguêis bem popular' que vc está fodendo tanto que ainda vai ter problemas em algum lugar.
Vc sabe que sou ciumenta, então lanço a praga: teu pinto vai virar xereca.
E o selinho, eu dou em todo mundo, aqui é tudo a vontade, é self service!!!!

Selinho


Resposta do C.O.R.:

Obrigado Ophélia, mas sejamos sinceros, a única coisa que mudou foi o anúncio de uma nova fase. Eu até agora não entendi esse editorzinho barato de terceira categoria que diz querer revoluções e ter problemas técnicos todas as segundas e quartas. Mas, se você gosta mesmo disso aqui, o que fazer, o amor é cego…

Saramar, eu também não entendo nada, você não está sozinho, ou sozinha? O que você é, amigo? Ou Amiga?

Jens, painho, iconoclastia da vagabundagem é aqui! E cadê a conclusão que não se conclúi, painho? Pára com isso!

Cyber, você é assanhada demais até para o meu gosto. Esse negócio de foder e xerecas é feio, Cyber, pode ter criancinhas no páreo do R.C. e depois processos penais e censura. Ah… Bem que seria interessante. Quanto ao editorzinho de quarta categoria (promovi o cara agora mesmo), nada a declarar: Eu não escuto ós e ás e ós e ás suspirados quando durmo em sua casa, não escuto! O selinho então quem pegou fui eu. Se não quem é capado sou eu.

Com medo da capação, do Jiló
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Nos Comentários da Quinzena

Da Enamorada do Jiló
Ai, ai,meu Loló, meu tosco e indeiscente amor!

Sua repolhuda...


D'A Sacerdotisa
Eu tô rindo aqui...dos comentário...hahahahahahaha
bons, muito bons


De Jesus, o Phoderoso
Amados estejam na paz!!
Roy Rogers, valeu ae camarada. Ah e sobre sexo delicado, pensei ser algo do National Geografic que estavam falando de transa de borboletas, sabe como é né, tem de ser bem de leve pra não quebras as asas...
(Ah, e quando forem se atrever a beber em meu nome, que não usem dolly, vinho Chapinha, pelo amor de Deus né!?)


Resposta do C.O.R.: Ó, enamorada, como te chamas? Repolhuda? Será que eu caibo? Me chamando desses nomes deliciosos, não é só você a experimentar eventuais umidezes sutis. Eu também babo!

Pode rir, Sacerdotisa, você pode rir, faz bem prá pele. Se eu souber, contudo, que você riu de mim, saboto seus textos e faço você parecer uma homofóbica racista e anti-semita, e olha que eu nem me sentiria culpado.

Jesus, a paz está contigo, comigo nada, rapaz! A transa das borboletas só deve perder em beleza para a transa dos ornitorrincos, diz aê. Boas as instruções de como se embebedar e matar três no trânsito em seu nome! Se for pra fazer besteira, tem de ser feita no luxo!

Traiçoeiro o feiticeiro, do Jiló

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No Canto de Nana

De Halem Souza (Quelemém)
Tem gente que costuma dizer que a lado humano das coisas (no bom sentido da expressão, se é que ele existe) está em todos os lugares, mesmo nas maiores misérias, tragédias e situações violentas. Mas como saber disso, como comprovar? E se a televisão "não pegou o finalzinho" desse recado?

A gente vê a violência e pensa que não podem existir marginais (sem o sentido criminoso da expressão, refiro-me apenas aos que estão à margem) cujo desejo mais prohundo pode ser apenas chamar-se Cleiton. Mas como alguns de nós só querem saber de notícias espetaculares e sentimentalóides e ação bruta e imediata da polícia, não recuperamos essa humanidade do drama.

Mas, felizmente, existe a boa literatura que reordena todas essas coisas e nos devolve de forma nova e mais emocionante. Como esse texto de Nana de Freitas.

Um abraço.


Resposta do C.O.R.: É Halem, tem gente que se preocupa mais em escrever contos fantasiosos sobre uma realidade inexistente. Outros transformam a realidade oculta em uma fantasia plausível. Fazer o quê? Há gosto para tudo, e o nosso fica com a Nana. Preferimos a Nana. Agora é crise de ciúmes do outro, que saco.

Que saco, do Jiló

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Na coluna d’A Sacerdotisa

De Jens
Eu adoro a Pri e o Lula!
Também gosto de sexo - mas ultimamente, no meu caso, é muita conversa e pouca prática. Infelizmente.


Resposta do C.O.R.: E eu te adoro, painho, e é também mais papo do que prática, pode ter certeza!

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No Debate da Edição

De Meneau
Ué, se pensarmos dentro da lógica hobbeseana, segundo a qual o gênero humano se caracteriza por "um perpétuo e irrequieto desejo de poder e mais poder que só termina com a morte", pra realizar o "contrato" que garante o convivência em sociedade, eu diria que "cada país tem o governo que merece".

Mas a opinião que acabei de esboçar deve ser, no fundo, uma grande bobagem: já que quase ninguém hoje em dia tem mais o pessimismo de Thomas Hobbes e prefere "relaxar e gozar"...


Resposta do C.O.R.: Meneau, rapaz, você diz algo e depois diz que disse errado? Eita cara confuso. Tô te estranhando! E esse negócio de relaxar e gozar é com a Marta, e sobra um quê pro gado do Calheiros. Mas vou te contar, Meneau, que eu sempre odiei o Hobbes, cara chato, sô!

Estranhando, do Jiló.

Para ler o texto do Professor Toni, clique aqui!

Coluna do Professor Toni

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Entendendo os Jogos Pan-Americanos


Grande exercício intelectual acompanhar os Jogos Pan-Americanos do Rio 2007, mas quem paga a conta somos todos nós!
A começar pela abertura. Linda! Ótimas músicas, ótimos cantores, conseguiram fazer até o Chico César cortar a cabeleira e o Arnaldo Antunes fingir que sambava/saltitava.
O discurso do Carlos Arthur Nuzman, presidente do COB e do CO-Rio, foi ótimo, afinal eu precisava mesmo de um cochilo, pena que as TVs não tenham aproveitado o mesmo para os comerciais.
Já o presidente da ODEPA, Mario Vázquez Rama, fez um discurso excelente, principalmente naquela parte que ele dia “Hoy...” e a galera prontamente respondia “ooiiiiiiiiiiiiiiiii”.
Não entendi as vaias ao Sérgio Cabral e ao Lula. Bem, na verdade não entendi mesmo os aplausos ao César Maia. Sem querer adentrar o terreno fértil da teoria da conspiração isso tem cara de armação.
Clique aqui para ler o que o governador da Paraíba, Cássio Cunha Lima (PSDB) disse sobre o episódio e aqui para ver o registro do “ensaio” das vaias para o Lula.
Agora vamos ao que interessa: a 1ª medalha de ouro do Brasil!
Isso mesmo, ela foi conquistada pelo popular esporte chamado... Como chama mesmo? Espera um pouco, vou ao oráculo Google: taekwondo, mas segundo nos ensinou Fausto Silva, o sábio, pronuncia-se “te”condô.
O espírito da coisa é o seguinte, dois competidores entram, junto com um árbitro, numa área delimitada e ficam saltitando, olhando-se fixamente. De repente um começa a chutar o outro, ou não, numa luta que assisti os caras ficaram mais de um minuto se olhando, sei não!
Nesta modalidade você tem que ficar muito atento: um olho na área de disputa e outro no canto esquerdo do vídeo, pois ali fica o placar e se você tirar o olho do placar não fará a menor idéia do que está acontecendo na luta.
Os chutes são validados por três árbitros que acompanham a luta.
Tem como nocautear o outro, acho que é só derrubar o oponente e ele entrar em óbito, mas parece que o nocaute foi proibido no Pan, pois de todas as lutas que assisti não houve um único nocaute.
Ontem, pela primeira vez na minha vida, assisti um jogo de badminton!
Sensacional! Tem uma rede no meio da quadra e um cara de cada lado da rede segurando a raquete. Não entendi o sistema de pontuação, pois eles ficam dando raquetadas no ar, acho que é uma espécie de dança.

Para ver a Charge do Venâncio, clique aqui!

Charge do Venâncio

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“Ô, bendito São João! Quando esquenta prá todo mundo, prá nois só sobra quentão! Né certo, Renan?”

“Múuuuuuuuuuuuuuu!”

Para ler a Coluna Vênus Contra-Ataca com Caiê, clique aqui!

Vênus Contra-Ataca - Caiê

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O choque tecnológico

Vivemos numa época em que é (quase) tudo absurdamente fácil. Não nos damos conta disso porque estamos automaticamente programados para viver assim. As invenções e esquemas novos que nos facilitam a vida entram depressa no nosso sistema e, passados uns meses, já nem nos lembramos como foi possível viver sem aquela tecnologia ou mecanismo.

Isto vem a propósito de um momento insólito que vivi recentemente. Vivo num condomínio, cujo portão nos permite a todos entrar para dentro do chão comum que nos leva aos nossos apartamentos, e esse portão funciona electricamente – carrega-se num botão e abre-se o portão; nada mais simples (e rima!). Acontece que a electricidade falhou. Algo que para os nossos pais (nem digo avós...) seria encarado como quase comum, mas nós maldizemos logo a EDA, as obras da Câmara, o Governo e a Assembleia (de notar que algumas destas entidades não têm absolutamente nada a ver com a falta temporária de electricidade, mas é extraordinário ver como são sempre metidas ao barulho sempre e quando falta qualquer coisa na vida de um cidadão).

Chegámos nós ao portão para sair de casa e, gesto automático, carregámos no botão. Não abriu. O pânico instalou-se. As vozes levantaram-se: “Não podemos sair; estamos presos em casa!”. A minha amiga lembrou: “Vamos saltar o portão!”, mas a vontade não era muita, porque é alto, complexo, e – obviamente - foi feito para que ninguém o saltasse… Só depois de analisadas várias hipóteses, incluindo a solução Tarzan - saltar a varanda das traseiras (um risco físico muito pior do que saltar o portão, e susceptível de causar um ataque de coração à vizinha do prédio ao lado) e a solução Calimero – esperar, calmos e conformados, que voltasse a luz… - é que alguém (pronto, fui eu, podem bater palmas) se lembrou que devia haver uma chave do portão.

Primeiro, fomos ao portão confirmar que sim senhor, havia lugar a uma chave, não era de todo um portão ultra-hiper-extra-moderno, sem lugar para uma coisa tão corriqueira como um buraco de fechadura. Depois, ficámos com cara de palhaços (é o que somos…), porque não nos tínhamos lembrado do bom e velho método da chavinha na porta antes. Contemporâneos extravagantes! E agora, onde está a chave do portão?! Porque, evidentemente, nunca a tínhamos usado nem sequer dado conta da sua existência…

Este pequeno episódio doméstico não serve só para ilustrar que somos um pouco disfuncionais, coisa que, evidentemente, só interessa aos próprios. Serve, sobretudo, para dizer que neste mundo Moderno já ninguém se lembra do mais evidente. A tecnologia devia ser apelativa, sobretudo por poupar tempo para depois se aproveitar melhor a vida, mas, muitas vezes, impede as pessoas de pensar – não estaremos a ficar um bocadinho mais ignorantes com tanta facilitação? As criancinhas, agora, usam todas calculadora antes de saberem a tabuada, pelo que nunca a saberão; está fora de moda ensinar a gramática como deve ser, porque as regras gramaticais limitam a livre expressão (aliás, o erro, dependendo de quem vem, passou a ser considerado figura de estilo…).

É fácil desculpabilizarmo-nos no mundo tecnológico – a culpa não é nossa, foi qualquer coisa na porcaria do sistema que falhou. E também posso culpar o computador porque, como diz um senhor que conheço, ele nunca há-de gritar a defender-se.

Pessoalmente, apesar de viver numa casa sem televisão, e de só muito tarde ter aderido ao telemóvel (e hoje não vivo sem ele, e tenho a firme convicção que me bastava mudar de número para mudar de vida… experimentem!), não posso conceber voltar atrás no tempo para aqueles dias sem as paredes que vomitam dinheiro chamadas Multibanco, sem máquinas digitais que fazem de toda a gente um grande fotógrafo e sem internet em casa que nos permite ser escritores ou músicos em potência, sem jogos virtuais, nos quais somos o Indiana Jones descobrindo templos e matando crocodilos, preguiçosamente sentados no sofá.

Às vezes, não há electricidade e uma pessoa pára. É obrigada a pensar de modo diferente. Até parece que usa uma zona adormecida do cérebro outra vez.

Para ler o texto do novo colunista Geraldo Magela, clique aqui!

Geraldo Magela - A nossa segunda fome

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A nossa segunda fome

Geraldo Magela


Leonardo acorda em gritos por toda a casa:

Mãe! Mãe! Estou com fome, o que teremos de café?

Eu quero Drummond a Alighieri; Antônio Sharmeta com cobertura de Samir, Beremís, pois hoje, no colégio, tenho prova de matemática.

Não! Não! Argumenta a mãe em brandos:

É muito cedo para doces e guloseimas. O que você necessita é de um café nutriente e protéico, de Conan Doyle a Ariano Suassuna, com pitadas de Nelson Rodrigues, biscoitos Meireles, com fatias finas de Tolkien, um copo de Vasconcelos; com pouco açúcar, mais muito Fernando Suassuna.

Já preparei o lanche pro recreio, sanduíche de Camões, uma garrafa de Rubem Alves, brigadeiros exuperyanos, provindos do B612; mas mesmo assim, com cobertura de Alexandre Dumas, o pai, pois do filho, esperamos apenas "A dama das camélias" e, nada mais.

No almoço, uma comida apimentada para dias frios, Borges a Schopenhauer, Victor Hugo soltinho, um Bocage acebolado. De sobremesa, pudim de Homero, musse de Cervantes. Teremos sucos naturais, cortesia do Recanto de Afrodite. Lobato com Monteiro, Azevedo com Assis de Cavalcante; ou melhor, Aluísio de Machado; muitas são as opções, Antunes Filho para todos os gostos e paladares. Culinária árabe de primeira qualidade, Malba ao molho Paiva, Tahan a vinho Rubéns, "Maktub" com conservas Marcelianas de um "Feliz ano velho".

No lanche da tarde, uma comida com ares tropicais; fatias de Rubem Braga, suco de Júlio Verne. Um achocolatado do Jorge que tanto amamos, pois o Amado se foi; deixando a Bahia mais triste, o mundo mais pobre e o céu mais alegre; em festa, nas batidas das caixas ressonantes e tambores mágicos de mãe Menininha e do velho Pastinha, ao ocupar um lugar de destaque na avenida das letras.

Forte e imponente, discreto como um xamã, lá estará sambando e cantando, ou melhor, deliberando, criando romances à moda antiga, com nomes memoráveis da nossa galeria gastronômica como o poetinha Vinicius, Mário Bilac, Olavo de Andrade; Manuel Aranha, Graça Bandeira; numa "Canaã" sentimental, que mais nos parece "Ouvir estrelas pra perder o senso", coisa de Cartola ou Noel Rosa. Lá estarão todos, de tintas e cordas na mão; penas e viola, que violam o que melhor fizeram. Arquitetos de sonhos, escultores do vento, construtores do inimaginável, feiticeiros da palavra; levaram no seu ser a mais difícil das missões, dar sentido às vidas severinas do Brasil.

Semeadores da esperança, românticos da prosa, boêmios, operários da construção do real, deuses de carne e osso; fingidores na mais pura essência da palavra que, como a vasta Pessoa de Fernando, num jogo dualístico de bem e mal, concretizaram do abstrato um encontro pós-moderno de seus muitos egos.

No jantar, um cardápio suculento. Nada de exageros numa hora tão imprópria. Gonzaga Medeiros ou José Saramado? Na dúvida, Ziraldo desce bem; Jô Soares prato certo, Sharon Lebell também. Um caldo de Buarque só pra caetanear. Pras noites de frio, recomendo, à beira da lareira, Érico Veríssimo à brasileira, seguindo sempre as prescrições dos grandes chefes da culinária mundial:

O amante oferece seu corpo para ser comido, como o objetivo de deleito. O escritor, à semelhança dos amantes, também oferece seu corpo ao outro, com o objetivo de prazer. Só que sob a forma de palavras. Um encontro antropofágico de letras. Então; nada de comidas indigestas para o horário, pois queremos uma noite agradável e sem pesadelos.


Post scriptum culinário

À noite, após o banho, e já aconchegada no ninho amoroso, a mãe comenta com o marido:

Alfredo! Estou preocupada com o Leozinho (para Silviano Santiago, o atual contexto literário seria bem representado por um leão com carneiros assimilados), ele tem se alimentado tão mal ultimamente. Deveríamos levá-lo ao nutricionista.

Que nada, querida. Isso é coisa de criança, da idade. Já, já passa.

Para ler A Sacerdotisa e o Sexo Delicado, clique aqui!

A Sacerdotisa e o Sexo Delicado

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Assim que comecei a escrever para o Reação, mais precisamente sobre sexo, comecei a olhar a sexualidade sobre novos prismas, não meramente pelo prazer da sacanagem em si, e sim de uma forma educacional e/ou psicológica. É sabido que o sexo é uma das expressões da existência humana, através do sexo nos perpetuamos como espécie, afirmamo-nos na vida e, em alguns casos, abraçamos o celibato como escolha de vida.
Falar de sexo em alguns momentos pode parecer banal, como se fosse chover no mesmo ou até banalizar o sexo com frases chulas e de baixo calão. Entretanto, ao cruzar as primeiras barreiras do preconceito, percebemos que estudar a sexualidade é investigar sobre: psicologia comportamental, história da humanidade, preconceito, tabus e temas ad infinitum.
As descobertas do sexo têm se mostrado surpreendentes, tenho conhecido situações e até pessoas com as mais diversas opções sexuais, e acho que no futuro pretendo fazer algumas entrevistas.
Há na abordagem sexual alguns temas e designações que, mesmo para uma teoricamente “conhecedora do sexo,” ficam sempre uma dúvida. Para tanto vamos elucidá-las:

FETICHISMO : É a tendência erótica para determinada parte do corpo do parceiro (a), ou para objetos inanimados. Funciona como elemento suficiente e necessário para sua própria excitação sexual. O fetichista consegue gostar apenas de uma parte do corpo de seu parceiro (a), ou de um objeto que o mesmo use. Exemplo: Mãos, nádegas, seios, pernas, salto alto, meias, lingerie, etc.
FANTASIA SEXUAL OU FANTASIA ERÓTICA: é um desejo latente acerca de um ambiente sexual que possa aumentar a sensação de prazer na hora do ato sexual.

E o que minha experiência pessoal pode contribuir com esses dois temas?

1) Em relação ao fetiche, tenho fetiche por braços com pêlos lisos e escorridos, é estranho e nem sei quando comecei a desenvolver esse gosto, mas lembro-me claramente de uma ocasião, me pegar observando sequiosa o braço de um moço qualquer, o desejo e a vontade era de beijar o braço, cheirar, sei lá.

2) Quanto a objetos, tenho fetiches por botas e meia-calça arrastão, acho surpreendentemente sexy, mas nunca testei pra sentir se meu prazer aumenta ou diminui de bota. De meia sim, a sensação da meia de nylon sendo rasgada é devastadoramente prazerosa.

Agora quando se trata de fantasia sexual, vejamos:

1) Algumas fantasias eu realizei com toda certeza, mas o que mais me deixou feliz na realização é ter a certeza de ser eu mesma sempre, ou seja, aceitar o desejo latente do meu corpo que, conjugado com os anseios da mente criaram em mim esta ou aquela fantasia. Entretanto, existem fantasias que ainda não consegui realizar por envolver situações e ou pessoas...Mas sou brasileira, não desisto nunca.

A grande sacada da sexualidade é se permitir sentir, sem culpa, sem medo e, claro, com responsabilidade. As grandes descobertas são realizadas quando abrimos mão do controle da mente e da sociedade e nos permitimos sermos aquilo que sempre seremos – livres em nossa totalidade.

Para ler a proposta Legislativo Aberto Digital, clique aqui!

LEGISLATIVO ABERTO DIGITAL:

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Apenas a radicalização absoluta da democracia, pela votação cotidiana, cortará os laços da inércia que nos inebria e também os grilhões do tráfico de influência. É cada vez mais visível, através dos noticiários, a necessidade de mudança de nosso regime representativo, que deve se tornar um regime de RESPONSABILIDADE compartilhada, onde o poder (e os recursos) sejam controlados diretamente por todos os cidadãos que desejarem, através da interatividade digital via rede mundial de computadores, com votação direta das leis propostas pelo legislativo (ou por iniciativa popular). Essas votações se dariam pela rede e também em cabines eletronicas colocadas em locais públicos das cidades e auditadas pelo Ministério Público e ONGs.

EIS NOSSA PROPOSTA DE EMENDA CONSTITUCIONAL:

Aos Senhores congressistas do Congresso Nacional Brasileiro,
Vimos propor através dessa poposta popular de emenda constitucional a instalação do LEGISLATIVO ABERTO DIGITAL, como órgão acessório a este Congresso, tendo por finalidade a participação popular ativa e cotidiana nas atividades parlamentares, seja através de proposições, seja de votações. Para materializar nossa proposta tornar-se-á necessária, além da interatividade digital aberta nos "websites" do congresso, a instalação de urnas eletrônicas fixas, colocadas em cabines localizadas em shoppings, escolas e praças, para votação direta de algumas leis, sendo que o título eleitoral passará a ser um cartão magnético, como o do CPF, para ser inserido na urna. O processo será implementado inicialmente, com pelo menos uma lei por mês para votação direta, a ser executada em urnas eletronicas fixas, montadas em cabines (fibra de vidro). Essas urnas (cabines da cidadania) precisarão de apenas duas mudanças em relação às urnas normais do TSE: linha de dados fixa, como dos cartões de crédito (auditadas eletronicamente e com pressurização) e entrada para um cartão magnético pessoal (nova versão do título eleitoral).Montada a infra-estrutura, basta operacionalizar os pleitos. Basta indicar um horário político de meia hora nas tvs (como já acontece regularmente) onde serão expostas as leis a serem votadas no mês seguinte (disponibilizadas em website também)e também os pontos de vista da lei escolhida para votação no mês em curso.(quinze minutos para cada lado, por exemplo). Aí basta o cidadão passar na cabine na hora que quiser, inserir seu cartão, e votar duas vezes: uma para deliberar sobre a lei escolhida no mês anterior e outra para escolher a lei a ser votada no mês seguinte.O sistema bloqueia o cartão até a próxima votação (e fica muito mais difícil fraudar milhões de cartões ou urnas do que fazer lobby para 500 pessoas). Contra o artifício de serem apresentadas todas as leis importantes de uma só vez, ficarão estabelecidos critérios que permitirão haver três votações no mesmo mês, ficando as excedentes apenas para o outro mês. Este será o começo do processo de mudança, de compartilhamento REAL do poder! (Serão verdadeiras escolas de cidadania, inclusive para votação de ORÇAMENTO PARTICIPATIVO DIGITAL!)

Por ser nossa EXPRESSA VONTADE, os ABAIXO ASSINADOS vem apresentar a presente proposta de emenda constitucional às mesas diretoras dessa egrégia casa legislativa, da qual efetivamente passaremos a fazer parte.


Amigos,
Essa é a proposta do LEGISLATIVO ABERTO DIGITAL
acessem
http://www.petitiononline.com/Brasil/petition.html
e assinem, se concordarem.
Coragem é nossa marca! Conto com vocês!
Abraços
Giuseppe
Passem essa idéia adiante!!

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