Sunday, November 26, 2006

Reflexo de Deco


O QUE FIZERAM COM A GENTE?
por Deco Toledo

Vivemos num tempo em que muitas coisas deixaram de existir. A máquina de escrever, o vídeo cassete, o toca fitas e mais um sem número de coisas, invenções e objetos foram aposentados. Tudo bem até então, mas evoluir apenas naquilo que usamos, o que é matéria pura e simples, não foi o bastante. Essa onda moderninha invadiu nossa vida de forma estúpida e avassaladora, atropelando sentimentos, ignorando a emoção. Não se importando se é coração, se é amor ou televisão, o negócio é evolução, praticidade já.

Nós acatamos. Fomos precursores, parte integrante dessa castração sentimental e aceitamos, deixamos rolar numa boa. Ninguém se preocupou aonde isso ia acabar. Ninguém parou e disse: Não é assim, é muito fútil, não vai funcionar. Cegos e embalados pelo êxtase natural de toda e qualquer novidade, nos lambuzamos de liberdade afetiva, gostamos e não paramos mais... Avulsos, descartáveis, na base do fica-fica, todos ficaram... Com uma, com outras, todos ficaram, sem ninguém. Agenda cheia, coração vazio. Quantidade mil, qualidade zero. Beijos avulsos, olhares falsos, sexo convencional e um resultado ácido. Todos, muitos e ninguém, num único pacote.

A conta chegou e é cara, semi-impagável eu diria. Tem muita gente queimando a boa para pagar o analista, tem muita gente louca para sair desse parafuso sentimental. Mas não precisa ser analista para concluir algo tão óbvio... Nós nos perdemos de nós mesmos, essa é a verdade. Na integra, na real. Não adianta posar de descolada, não adianta falsear esse sorriso pra inglês ver, não cola. Não há ninguém de carne e osso que não sinta isso na pele. Não há ninguém com o mínimo de maturidade que nunca se deprimiu madrugada afora. Que nunca tenha se olhado no espelho e pensado: Porra! Que mundo é esse? Que pessoas são essas?

Estou cansado de meias vontades, meias respostas, meias palavras, meias certezas, meias pessoas. Cansado de meia razão e nenhuma emoção. Cansado dessa gente podre e dessa sociedade chula. Não quero certeza alguma, eu nasci para voar na contra mão dessa onda vazia. Eu nasci pra insistir, pra persistir, pra sentir até não caber mais.

Continuo querendo saber que sentimos o mesmo sem dizer uma só palavra. Continuo acreditando em cheiros, beijos e sabores. Continuo desejando verdades inteiras, pessoas inteiras e emoções do tamanho do mundo. Continuo tentando dizer de forma simples e sem qualquer poesia que mesmo com emails e hotmails, mesmo com todas as evoluções, revoluções (e involuções). Que mesmo sendo careta, fora de moda e marginal a modernidade, o amor é o melhor de nós.

Na paz, na melhor, fiquem bem.
Beijos,
Deco,

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